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sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sobredotada

Uma pessoa como outra qualquer. A única diferença era ser diferente. Parvoíce? Não, uma vencedora.

Nasceu sobredotada e tinha seis irmãos. Obviamente não se lembra dos primeiros anos de vida. Mas também, quem lembra? Pequenina, leu mais que muitos adultos e nem precisou de completar todos os anos do ensino básico (que para ela, era em todos os sentidos, básico). Não foi propriamente uma infância fácil.

Ainda lembra o primeiro dia de aulas em que ficou sozinha numa mesa no canto da sala e inutilmente tentou chamar alguém para perto dela. É o mau hábito da sociedade. Nós chamamos mas ninguém nos ouve. Ela, coitada, ainda pequena percebeu isso. Chorou tanto que podia ter criado um novo oceano, mas em vez de desanimar, limpou as lágrimas e seguiu a sua vida agora com mais umas gotas de experiência. Teve então a sua recompensa merecida. Algures no seu quinto ou sexto ano viu de relance pela primeira vez aqueles que viriam a ser os seus melhores amigos. Os tempos fechada em casa a estudar ou a falar sozinha para qualquer objecto computorizado haviam acabado. Ela lembra tão bem esse dia que o consegue recriar ao pormenor, hoje, passados setenta e três anos. Transcrevendo do diário dela:

“16 de Setembro de 2002: Fui ao meu primeiro dia de aulas. Tinha tanto medo que sentia as minhas pernas a oscilar sobre o meu próprio peso. Andei carregada com 40Kg às costas, eram os meus 40Kg de amizade. Aquele friozinho na barriga não me largou o dia inteiro. Mal comi. Ao final do dia reparei em quem estava à minha volta. Acho que o costume de só olhar para o próprio umbigo já me afectou. Tive oito horas rodeada de gente e só antes de vir embora me apercebi que não tinha sido gozada, maltratada ou violentada. Comecei a perceber que talvez possa ter amigos”. E de facto, podia. Não demorou muito tempo até que ela entendesse que o mundo é cruel, mas é ainda mais cruel tentar vence-lo sozinha. Por isso uniu-se a quatro pessoas que hoje gaba serem os seus verdadeiros amigos. Os irmãos? Esses nunca a aceitaram e ela acabou por sair de casa com sete anos para ir viver com uns primos afastados. Como é possível construir melhores laços fora da família que entre aqueles que compartilham o mesmo sangue? Ela não sabe, mas a verdade é que foi o que acabou por suceder.

Depois dos anos de liceu onde já se distinguia pela sua inconfundível inteligência e perícia, seguiu-se a universidade.



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continuação para breve

3 comentários:

  1. Bem, eu nao consigo escrever de forma tao rapida... Ou seja descrever tudo em tao poucas palavras... sou uma pessoa k gosta de descrever as coisas com todos os pormenores k lhes sao devidos...
    Bem o k e k eu posso dzr... essa podia mt bem ser o inicio de uma historia real...
    A sociedade e ma, sim e vdd, mas por vzx ate as pessoas em kem confiamos nos desiludem...

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  2. hum, aguardo ansiosamente a continuação!
    excelentissíssima escrita!

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  3. Goldalsky, lamento discordar.
    Os pormenores fazem perder tempo e cansam quem lê. Eu não gosto de ler 1 minuto de história e 5 de pormenores. Logo, quero as ideias rápidas com mensagens eficazes. xD

    Para breve ponho a continuação desta espécie de coisa. (O que tá publicado fui escrito nuns 5 minutos. Deu-me um vaipe. xD)

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