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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Amizades e Família

       Não sinto qualquer obrigação em gostar de uma pessoa só porque tem semelhanças genéticas comigo. Isto pode soar duro, posso parecer ingrata ou até pode transmitir a sensação que me acho uma rebelde, mas é a verdade. Digo isto com a maior das naturalidades. Todos sabemos que não escolhemos a família que temos. Caímos aqui, pronto. Assim sendo, eu não vejo qual é razão que me pode prender a gostar mais da minha família do que das outras pessoas.
       Desde que me lembro de existir, sempre ouvi a minha mãe a dizer "tratas melhor os da rua do que os de casa" e nunca entendi qual era o problema disso. Ainda hoje não entendo. Para além da gratidão que sinto, obviamente, por saber que são feitos sacrifícios por mim e que têm que me sustentar por enquanto, não há nada que me prenda a ninguém. Não é segredo nenhum que sempre disse que o meu sonho era viver sozinha e não ter ninguém a controlar-me ou a ver o que ando a fazer 24h por dia - isto sempre foi dito abertamente. Não é um acto de rebeldia minha, é simplesmente o que sou e o que quero. Quero ser independente. Quero ter a minha casa e viver sozinha. A ideia de viver com os pais não é, de todo, uma ideia agradável para mim. Não que eles sejam más pessoas ou que me tratem mal. Simplesmente não é onde me sinto "em casa". Quero mesmo ter o meu sítio, só meu.
        Ainda referindo-me aos laços de afecto, reforço a ideia: não é por ser pai/mãe ou irmão/irmã que a pessoa tem de ser mais especial do que outra com a qual não partilhe ligações sanguíneas. O amor e amizade criam-se de igual forma seja família ou não e, assim sendo, é perfeitamente normal que se criem laços mais fortes com pessoas com as quais não estejamos familiarmente ligados do que com os que estão próximos. Esforço-me mas não entendo porque tenho de ser criticada constantemente por certa pessoa por ser assim. Eu nunca escondi de ninguém aquilo que sou e o que quero. Afirmei sempre que me sinto presa, não porque tenha pais que me controlem mas porque nasci assim, com uma vontade incrível de morar sozinha, ser autónoma e independente. Posso ser a pior pessoa do mundo, mas é o que eu sinto.
       Tenho pena que nem todas as pessoas me entendam (ou respeitem, já nem sei).

5 comentários:

  1. As pessoas sao diferentes, ha aqueles que adoram a família e aqueles que não lhe dão tanta importancia. Tanto uns como outros, tem direito a sua opiniao, desde que a façam de maneira respeitadora como tu referes. Quando ha falta de respeito, quando ha limites ultrapassados as pessoas tendem a iniciar batalhas umas com as outras, e isso nao e saudavel, porque se pode perder um grande vinculo. Agora se nos respeitarmos e soubermos ouvir, contrapor, e discutir dentro de um registo construtivo, os problemas passam. Somos todos independentes, e uma , todos sonhamos tornar-nos mais. E isso e o melhor passo que damos na vida. Espero eu que seja. Mais uma vez um texto muito bem conseguido.

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  2. Magnífico. É quase exactamente isso que eu penso, palavra por palavra. Menos a parte de ter sido sempre assim.

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  3. @Alguém: Exactamente. As pessoas não são todas iguais e a diferença tem de ser respeitada. Tal como eu não obrigo um religioso a ser ateu, não me podem obrigar a ter os meus familiares como pessoas com um valor muito a cima de qualquer outro amigo. Ambos têm de merecer o respeito e amizade. Quando sinto que as pessoas não se esforçam para me entender e me sinto o patinho feio da zona, afasto-me sejam amigos, conhecidos ou família! os critérios de avaliação são os mesmos. Não tenho de estar num sítio e de gostar de coisas só porque têm a ver com família.

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  4. @ The Purple Teen Wizard: Obrigada! ;-) Ainda bem que há alguém que me entende!

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  5. também sempre me senti assim. também sempre me disseram coisas assim. mas que há a fazer? já tenho isto há muito tempo e enquanto nao o conseguir, não quero outra coisa.

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