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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Colisão

Crash, a film by Paul Haggis

        "Em Los Angeles ninguém te toca. Estamos sempre atrás do metal e do vidro. Acho que sentimos tanta falta desse toque, que batemos uns nos outros só para sentir alguma coisa." - frase do filme Colisão (nome original: Crash)

         Embora não se tenha tornado um dos meus filmes preferidos, considero que tem uma história muito forte e actual. Desde o início somos confrontado com ideias racistas que estão entranhadas, ainda hoje, na sociedade. O maior foco prende-se na rivalidade preto-branco (quase como se estivéssemos a falar de cores de objectos materiais) que parece ser interminável. Neste tema, Colisão mostra-nos dois tipos de racistas: aqueles que realmente têm ideias erradas sobre pessoas de cor diferente da sua e aqueles que, por terem a mania da perseguição, agem pensado que se estão a defender de ataques racistas - inexistentes.
           Os racistas são, no filme, os que mudam de passeio se encontrarem uma pessoa de outra cor, são os que mudam de fechaduras se um indivíduo de outra raça for lá a casa - não vá este ter arranjado maneira de roubar ou copiar a chave - e são os que promovem funcionários ou prestam serviços baseados na cor dos interessados. 
            Os outros, que se acham vítimas de racismo, conseguem ser pior que os primeiros. Planeiam vinganças e descriminam toda a gente porque em cada sujeito vêm um possível inimigo. Matam, roubam e enganam.  


          Á semelhança de O Pianista, este filme mostra um expoente máximo da crueldade humana. Somos confrontados com vários chilés da sociedade que são tomados como informações verdadeiras. Os muçulmanos são bombistas terríveis que vão destruir o mundo. Os pretos (ou negros, não sei qual é o termo "não ofensivo") são assassinos e ladrões. Os brancos são convencidos, acham-se os donos do mundo e são racistas. Os chineses são ladrões porque roubam o lugar aos trabalhadores dos países onde abrem lojas. São estas ideias que começam guerras estúpidas sem nenhuma base que não o preconceito. É preciso mudar o mundo e explicar que as generalizações são, na sua grande maioria, excessivas. Não é por um português ser completamente incompetente que queremos ver todos nós retratados como tal. Da mesma forma que isto é normal para nós, também deveria ser a ideia de que haver bombistas muçulmanos não faz com que todos os que têm tal religião o sejam! É urgente criar um sentimento de tolerância no mundo. Se queremos ser respeitados pelas nossas ideias e hábitos, é completamente errado julgar os outros com base nestes pontos.

          Não sendo, para mim, um filme estrondoso, tem uma moral muito bonita e destapa ideias que muitos tentam encobrir.

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