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quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Pianista

The Pianist, a film by Roman Polanski.


        Decidi que ia ver este filme para não morrer de tédio - não fazia a menor ideia do que me esperava. Em poucos segundos estava petrificada em frente ao monitor do computador. Um pianista e uma história passada no início da segunda guerra mundial, tudo ingredientes para que um filme dê certo.
         Baseado na biografia e memórias dos tempos de guerra do pianista Wladyslaw Szpilman, um polaco judeu, que sofreu os perigos da estupidez e crueldade humana, esta brilhante história transporta-nos para episódios da humanidade que preferíamos não conhecer.


        Por não saber bem que filme ia ver, encontrar uma história tão forte chocou-me. Tenho tentado contextualizar as coisas mas não encontro nenhuma razão que justifique a matança humana tendo por base crenças religiosas, preferências de qualquer tipo, cor de pele, características físicas, ... Mais, em O Pianista, não só vemos de perto os maus tratos vindos dos que têm poder e daqueles que lhes obedecem, mas também da ignorância do povo. Uma das cenas que mais me marcou foi aquela em que uma mulher, ao ver um homem com um ar moribundo, desata a gritar e a pedir que o parem e prendam porque é judeu. Esta crueldade deixou-me petrificada. Como é possível estarmos tão distantes uns dos outros quando, no fundo, somos todos iguais? Soa a cliché (talvez seja mesmo), mas é verdade. É uma informação tão trivial que nos esquecemos dela.
         As cenas de fuzilamento (completamente aleatório) são terrivelmente realistas. Se por um lado o Homem foi brindado com um cérebro mais complexo que os restantes animais, por outro não é capaz de tirar um bom uso dele e direcciona as suas capacidade para fins patéticos - como a promoção das pessoas com aspecto ariano em detrimento dos judeus - que têm como desenlace a morte de milhares de pessoas inocentes. Foi penoso assistir a um homem deitado no chão, à espera que o soldado que estava encarregue dos fuzilamentos recarregasse a arma e a deixasse pronta para o matar. Há cenas incrivelmente duras e muito bem feitas.
          Esta é uma história de um homem de coragem que, mesmo sabendo que a sua família desaparecera, tem o sangue frio para continuar a lutar pela sua sobrevivência e aguentar vários anos de sofrimento, fome, sede, frio e, tal vez a mais difícil, solidão. É com a ajuda de um soldado alemão (que mais tarde é morto pelos russos, sem que Szpilman chegue a tempo de o evitar) que o pianista se salva. É de interesse ressalvar que este era um homem em ascensão devido ao seu incrível sucesso nas rádios, o que prova que todos estamos susceptíveis a alterações radicais de vida. Ainda percebemos que há sempre excepções à regra e que não podemos tomar uma parte como um todo: no meio de tantos soldados, houve um que, secretamente, ajudou Szpilman dando-lhe comida, agasalho e omitindo a sua presença.
           É um filme com uma mensagem fortíssima e que, apesar de ser focado no caso específico desde pianista e da sua família, relata o sofrimento vivido por todas as pessoas que viram a segunda guerra mundial e presenciaram o aparecimento do Gueto de Varsóvia.


        O Pianista ganhou a Palma de Ouro, em Cannes, em 2002, e 3 óscares da Academia.
    

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