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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Relógio de Pêndulo

"... tic tac, tic tac, tic tac ...

 Homem: (dirigindo-se ao relógio) CHEGA! Não te cansas de estar nisso o dia todo? És um fraco, não te desvias do teu caminho. Ora para um lado, ora para outro, balanças-te entre o que já conheces e o que viste no segundo anterior.
          [pausa]
Homem: Bem, na verdade, isso é  o que a maioria faz. Debruçamo-nos sobre corrimões já conhecidos para não haver perigo de cair. E continuamos miseráveis, confinados aos limites mundanos que nos são familiares.
         [pausa]
Homem: Sabes, alguns têm a coragem de arriscar. São eles que aproveitam o tempo, que fazem render este bem mais valioso que o ouro ou os diamantes. Para que quereria diamantes se já não tivesse tempo? Já vi muitos esgotarem os seus segundos. Alguns deles figuras intocáveis, para mim. Imaginas o que senti? Um vazio. Cada tic-tac teu esfrega-me na cara um atestado que inutilidade que passei sem saber. Que ando a fazer aqui? Porque vejo o meu tempo a esgotar-se por entre os dedos das mãos como se de areia se tratasse? Porquê?
               Eu devia saber aproveitar o meu tempo. Está mais que claro que não vais passar a fazer tac-tic e permitir-me repetir segundos passados. Assim, sou obrigado a ouvir-te, e saber que tu não te esgotas, mas os meus ouvidos não te ouvirão para sempre.
         [pausa]
Homem: Como é seres imortal e estar preso dentro de duas linhas imaginárias que não te deixam avançar? Tens um mundo de 360º à tua volta, e só lhe conheces parte, o bocado que te deixam conhecer. É incrível como é tão fácil criticar quando se está de fora. No fundo podíamos ser irmãos, daqueles que são quase iguais. Eu também pouco conheço. Para já, sou novo, ainda... Depois, tenho consciência que sou muito reduzido e que não passo de um nada num tudo demasiado grande para mim. É a imensidão de coisas do tudo que me condena ao nada. Eu queria ser mais, queria ser maior, mas não consigo. Penso em mil e uma maneiras de saltar o limite, e continuo acorrentado aos mesmos lugares e às mesmas caras. Mas há uma cara diferente das outras. Uma cara banhada por cabelos escuros e prendada com olhos verdes. Era só essa cara que eu queria junto a mim e, mais uma vez, não consigo saltar a barreira. Tenho medo de sair do eixo, e não me conseguir encontrar. No fundo, tenho medo de abandonar o meu porto seguro e jogar o maior jogo de todos – a vida.
         [pausa]"


       Não está acabado. Nunca vai ficar. Sou incapaz de acabar uma coisa que tenha ficado em aberto no dia anterior. Não consigo. É por isso que, por mais que seja um sonho meu, não me vejo capaz de escrever um livro. Além de não ter formação em escrita criativa (coisa que gostava bastante e ainda hei-de tirar um curso ou algo do género), sou extremamente crítica em relação ao que faço. Quando releio o que escrevo acho que está péssimo e, assim sendo, não consigo continuar. Ainda assim, para que as palavras não morram no meu papel, ficam aqui, para que eu me lembre que existem.


          Ah, isto surgiu como um projecto para uma coisa com o shôr Cláudio David, Big Boss do Tédio. O blog dele é este.

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