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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Excelentíssimo governo:

   Sou estudante universitária. Adorava poder comprar todos os manuais originais de que preciso sem sentir que estou a por em causa o bem estar da minha família. Gostava muito de saber que não tinha de submeter as pessoas que trabalham para que eu seja uma pessoa bem formada a um controlo de orçamentos desmedido só porque tenho de pagar quase mil euros de propinas. Mais! Adorava estar na ignorância e não ter de ter consciência que o lugar onde estou é cobiçado por muitos outros jovens que gostavam de prosseguir com os estudos e sendo alunos brilhantes não podem seguir para uma faculdade porque não têm dinheiro.
      É triste perceber que até finais de outubro se supõe que eu gaste quase 500€ (em propinas e livros) como se de um café se tratasse. Imagino agora aqueles que não têm a sorte que eu tenho de não ter de pagar rendas e suportar os custos de uma casa. Isto é de loucos, senhores! É ridículo! Enquanto vocês estão a perder tempo a debater a merda de um submarino ou TGV ou seja lá que porcaria for, o futuro do país está comprometido! Para que raio quero eu andar de avião ou atravessar o Tejo à maluca se não tenho dinheiro para me licenciar?! Já nem falo em mestrados onde já ouvi que os custos mais que duplicam. Deixem-se de hipocrisias e aumentar os impostos ou o Iva ou que treta seja e cortem os gastos em carros para o Estado! Mas os senhores não têm perninhas? Andar de metro custa? Não têm já um pópózinho próprio? Se cortassem os gastos nessas porcarias que em nada servem o povo e investissem na educação e nas empresas que mais tarde empregarão os trabalhadores e recém-formados talvez víssemos o país a avançar para algum lado. Mas a verdade é que obrigar o povo a dar mais dinheiro ao Estado para andarem a construir porcarias sem jeito nenhum é uma coisa que me tira do sério.

A Faculdade

     Não há coisa da qual tenho mais orgulho do que estar na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Não há.
      É absorvente passar todas as manhãs pela porta férrea, ouvir a cabra a tocar... até subir as monumentais é um gosto! Esteticamente, é uma faculdade belíssima com centenas de anos de história e que atrai dezenas - serão mais? - de turistas diariamente. Este último aspecto, dos turistas, é a única coisa de que não gosto. Can I take a picture with you? NÃO. Chineses, alemães, espanhóis, italianos, russos e muito mais gente que fala línguas que eu nem conheço fazem questão de passar todos os dias exactamente onde eu deveria passar, livremente, para ir para as aulas. É chato e deixa-me todos os dias a pensar: estou na faculdade ou numa estância turística. Acho que, na verdade, é um 2 em 1.
       Mas pronto, pondo este "senão" de lado, gosto muito da FDUC. Os Professores são óptimos tirando um indivíduo que está lá que me tira do sério. Temos duas figuras muito charmosas que facilitam a nossa concentração nas aulas e o Doutor Santos Justo é fenomenal.

      A termo de curiosidade ficam aqui as minhas cadeiras de primeiro semestre:
      - Introdução ao Direito I
      - Direito Internacional Público I
      - Economia Política
      - Direito Romano
      - Direito Constitucional I

        De todas a minha preferida é Direito Romano que é à base de história. É a cadeira  que o Doutor Santos Justo lecciona e, para mim, a mais fácil de entender.
    

        No geral estou a sentir-me "em casa". Sinto que finalmente acertei no caminho a escolher e estou na minha área de interesses. Melhor cidade e melhor curso!

As Praxes

      Quando pensamos em Caloiros em Coimbra, qual é a primeira coisa que nos vem à mente? PRAXE! Depois de duas semanas de aulas - durante as quais fui praxada e vi praxar - sinto-me capaz de tecer o meu comentário sobre este tão antigo hábito.
       A praxe, nos moldes em que é feita (falo das coisas que vejo aqui, na FDUC), tem para aí uns 60 ou 70% de pura estupidez. Há coisas engraçadas, há. Mas a maioria é puro exagero, ofensas ou humilhação barata. Quanto ao que me foi feito, quase zero queixas. Tenho uma madrinha espectacular que me defende no que é preciso e que me ajuda imenso. As amigas dela também são muito queridas (com especial ênfase para a N e a P) e sempre foram atenciosas desde o início, o que me pôs muito à vontade. Claro que em praxe as personalidades alteram-se, mas ainda assim há um sentimento de ligação que eu não sei explicar. Cantamos - aliás, berramos - procuramos sapatos escondidos, fazemos muitas declarações de amor e depois há as típicas propostas, feitas pelos Doutores, do "faz-me um broche", "faz-me um bico" ou até "apalpa-me as bolas" que são tudo perguntas código para realizar-mos tarefas super simples. Tirando uma excepção ou outra (ou uma pessoa ou outra, vá), ainda não me senti mal durante a praxe até porque quando sinto que isso pode acontecer parece que a minha madrinha funciona telepaticamente comigo e salva-me. Mas isto é o meu caso, eu já vi coisas às quais não achei piada nenhuma.
       Ora, para começar há uma coisa que, do meu ponto de vista, não tem qualquer lado lúdico: estar "de quatro" - ou seja, de gatas. Mas que raio há para aprender estando em tal posição? Os berros que nos dão, o cantar alto, o abordar gente que não conhecemos de lado nenhum para fazer uma declaração de amor de joelhos são coisas nas quais entendo claramente o lado de aprendizagem: somos confrontados com situações atrozes, vemo-nos obrigados a arranjar soluções rápidas, perder a vergonha e, sobretudo, a não bloquear em momentos nos quais não nos sentimos particularmente confortáveis. Do ponto de vista do Direito é claro que este tipo de Praxe faz todo o sentido. Por outro lado, estar de quatro ou ter uma pessoa a berrar connosco sem qualquer tipo de razão aparente não ajuda em nadinha. Se rimos temos de gritar "Ri-me, fodi-me" durante o tempo que o Doutor ou Doutora decidir. Se choramos somos fracos e quase obrigados a assinar um documento Anti-Praxe. Se não fazemos nada é porque não estamos orgulhosos no curso e instituição em que entrámos. Criam-se situações completamente inúteis e nas quais não há proveito a ser tirado.
       Ainda há a praxe relacionada com a bebida. Esta será a única com que me mostro piamente contra. Muito contra mesmo. Mas que anormalidade é esta de obrigar seja quem for a beber? Desde quando, expliquem-me, é que beber até entrar em coma (pequeníssimo exagero. muito pequeno mesmo) é um marco seja do que for? É uma vergonha completa encontrar os meus semelhantes (termo pelo qual devemos tratar os caloiros como nós) bêbedos que nem um cacho a fazer figuras ridículas, a vomitar e a perderem coisas fundamentais como... a carteira com todos os documentos que é suposto encontrarem-se nela. Uma coisa é ficar-se "quente" num grupo de amigos e sem ser com o show off que nos brindam nas ruas. Outra, totalmente diferente, é beber porque nos mandam ou porque se quer mostrar que se é bué rebelde e bué de maduro.
       Também há coisas que roçam a tremenda falta de respeito. Quando, do nada, nos chamam nomes - quando digo nomes refiro-me a ofensas sérias, não o "tótó" ou "parvo" - só porque sim, é falta de respeito pura e dura. Só isso. Convém relembrar que o intuito da praxe é integrar os novos alunos no ambiente académico e ajudar a criar amizades e perder a timidez típica de quem chega a um lugar novo.
        Avaliando a praxe à qual fui submetida, poucas queixas tenho para além da repetição de coisas que fazemos. É muito, mas muito aborrecido passar o dia a cantar sempre a mesma música - pronto, varia entre o hino do caloiro da FDUC e A Francesa - e a fazer as mesmas coisas. Se tenho ideia de outras actividades a realizar? Não. Mas sei dizer que é chato repetir as mesmas praxes vezes sem conta. Com tanta música, é escusado cantar sempre a mesma.
        Ah, lembrei-me de uma praxe interessante. As dos almoços. Ora comer só com garfo, ora dar melão a outra caloira, ambas de olhos vendados e sem nos podermos tocar... Enquanto tivermos só o garfo, estamos bem (a não ser que seja para comer a sopa).

        E pronto, é isto. Não fiquei a morrer de amores pela Praxe. Não me posso queixar graças ao grupo de praxe em que estou. Tanto as minhas semelhantes como as madrinhas são óptimas e bastante conscientes do que gostamos ao não, respeitando isso e nunca nos deixando muito desconfortáveis. Só um bocadinho, pronto, mas faz parte. Por outro lado, tenho de agradecer o meu círculo de amigos de Coimbra à praxe porque foi ela que nos pôs em contacto várias horas por dia e nos deu a conhecer. Á praxe, um Obrigada!

Ora bem...

... tenho tido imensas dificuldades em habituar-me aos horários. Ora durmo demais, ora de menos. Isto anda uma confusão que só eu sei. Confusão tal que nunca tenho tempo para vir actualizar o mundo bloguístico (coisa pela qual peço imensas desculpas).
     Desde ontem que ando com um humor muito peculiar (que é como quem diz, com umas trombas do caneco) e não me apetece estudar ou passar apontamentos a limpo. Posto isto, lá arranjei o tempo que precisava para divagar pela internet e procurar boa disposição.
     Seguem-se então alguns posts sobre aspectos da minha nova vida de estudante universitária na minha Coimbra.

domingo, 12 de setembro de 2010

 E pronto, já tenho madrinha.
amanhã matriculo-me. uma semana depois começam as aulas. Já era sem tempo!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Coimbra - primeira etapa

     Este é o primeiro post que vos escrevo da minha cidade, da cidade dos estudantes, da minha Coimbra. Finalmente estou aqui em casa dos meus vóvis. Desmontar móveis velhos, aspirar, lavar, limpar, escolher o que quero que fique no quarto e o que sai, tratar os móveis que ficam - nomeadamente aquela cómoda maravilhosa que ficará totalmente destinada ao meu centro de beleza: maquilhagem, acessórios e outras cenas de gaja -, montar os móveis novos, instalação da net cá em casa, arrumar os vários objectos decorativos que já adquiri. Enfim, um dia a jogar sims em 3D. Já tenho o guarda-vestidos cheio e ainda só trouxe a roupa de verão. Desta tenho de escolher o que já não posso usar mais e levá-la para Abrantes para poder trazer roupa de meia estação.
      Entretanto fiquei completamente desolada porque estava a contar com os resultados hoje e, ao que consta, só saem na meia noite de domingo, ou seja, amanhã à noitinha. Tenho o coração do tamanho de uma ervilhinha. Duas, vá. Não, não é nervoso, é ansiedade! Foi o que sempre quis: regressar para Coimbra de vez - ficar cá para viver e trabalhar e afins - e morar sozinha. Bem, estou com os avós, o que não é propriamente ficar sozinha, mas já é um passo mais próximo do sonho. Só quero agora receber a boa notícia que entrei na primeira opção. É o que me falta. Falta-me o passaporte para viajar para o sonho de uma vida: mudar vidas. Quero mudar o mundo. Pelo menos a parte dele que me ouvir. Quero falar muito e escrever ainda mais. Pronto, fazer estas duas últimas coisas em quantidades semelhantes. Quero que as minhas palavras, tanto as escritas como as faladas, toquem alguém e que possa melhorar um pedaço de realidade.
      Já me avisaram que tirar Direito em Coimbra é tarefa para mais que os quatro anos previstos. Que se lixe. Se demorar mais, cá estarei, à espera. O tempo arrasta, mas o sonho fica. Pela primeira vez na vida sei o que quero. É incrível esta sensação de escolha segura e certa que nunca tive. E isto sou eu, palavras e causas.

      Agora resta-me agoniar mais vinte e quatro horas... Ainda estou por entender porque é que os relógios abrandaram para aí de há duas semanas para cá. Os dias parecem semanas, credo!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

3 anos


      Três anos deste blog que já teve vários nomes - incluindo Peúgo enrugado no calcanhar - e também diversos registos. Estas alterações devem-se, obviamente, à idade e à diferente maneira de ver as coisas.
      A verdade é que este estaminé só tem este registo e só está nesta linha de actividade desde 25 de Agosto de 2009, altura em que avisei a mudança aqui. Foi a partir desse dia que este espaço passou a ter alguns leitores e uma publicação regular. Até então resumia-se a uma coisa que nem sei bem o que era e que era seguida por cinco ou seis pessoas às quais agradeço imenso terem aturado tudo o que foi publicado aqui.
      Bem, para o ano cá nos encontramos.


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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Toy Story 3 - Pior escolha de sempre...


      ... Ver o Toy Story 3 a três dias de saber os resultados da candidatura à faculdade - e cujo resultado positivo implica uma mudança de vida de... cento e vinte quilómetros.

      Este filme obrigou-me a perceber o que está prestes a acontecer. Vai, inevitavelmente, haver uma quebra de ligações o que não é obrigatoriamente mau, mas implica perder a zona de conforto. Os pais não vão estar lá quando eu me irritar com qualquer coisa e precisar de dizer disparates. A cama não se vai fazer sozinha - obrigada, mãe. Os produtos de higiene que eu tinha como inesgotáveis vão, afinal, precisar de ser repostos. A comida não vai aparecer no prato por obra do espírito santo. Não vou ter a mãe a levar-me onde me der na real gana - olá autocarros. Os meus amigos não vão estar lá sempre que eu quiser dizer parvoíces e aquelas meias palavras que o meu companheiro de guerra percebe - obrigada, João. Vou perceber que muita coisa vai ficar à distância de viagens de comboio. Vou deixar coisas para trás: memórias, pertences, partes de mim.


       (Quem ainda não viu o filme e tenciona fazê-lo sem qualquer ideia do que se passa, poderá não querer ler o próximo parágrafo visto que eu, não fazendo um relatório detalhado da história, revelo alguns detalhes importantes... tais como o fim do filme.)

      E foi a ver o Andy a despedir-se dos bonecos - que funcionou como uma metáfora para os que me são importantes - e deixá-los para trás, aos cuidados de outros, que percebi que não tinha ainda pensado na total dimensão do que se avizinha. Por mais que corra não vou vencer os tic tac's do relógio que já não voltam atrás. Três dias...

       Quando ao filme em si e ao que achei dele, basta uma palavra: brutal. É um óptimo capítulo final para esta história que me acompanhou na infância e que coincide com as etapas da minha vida. Para além de passar, mais uma vez, os valores básicos da humanidade - amor, amizade, respeito pelo próximo, união - realça um factor que enquanto petizes nos esquecemos: a vida é uma mudança constante, e há alturas em que as alterações são mais bruscas que outras.
      Espremendo o filme fico com o seguinte sumo: a mudança é incontornável. Por mais que doa, que nos agite, ela vai sempre acontecer. Face a estas situações que nos vão deixar sempre com aquele nó no estômago não devemos deixar dominar-nos pelo medo. Temos de deixar pedaços para trás e levar o importante em frente. No fim, é aquilo que carregamos connosco através das várias etapas que nos define: os amigos de sempre, os objectos de sempre que já empacotámos mil e uma vezes e por mais estragados que estejam são parte de nós, os papeis e livros de sempre, o "eu" de sempre.
       Então que venha a mudança, e que me deixe ficar com o que sou.

domingo, 5 de setembro de 2010

Miguel Neto

  
O excelentíssimo júri do À procura do sonho não quis o Miguel. Bem Miguel, se não tiveres nada marcado, podes passar aqui por casa. Vamos beber um café, sei lá...

 Este convite é válido para o gémeo cujo nome não me recordo, peço desculpa. Mas não tem menos valor por isso, heim? O convite está de pé...

A grande peta dos doseadores automáticos

       Alguém me explica qual é a vantagem de ter uma máquina que expele sabonete para as mãos? Qual é o problema, afinal de tocar no doseador manual? Ora sigamos a ordem de tarefas:
          1 - abrir a torneira e molhar as mãos
          2 - carregar no doseador e ensaboar as mãos
          3 - voltar a ligar a água, caso se tenha desligado a mesma entre o processo 1 e 2 e retirar o sabão das mãos ou, simplesmente, fazer esta última tarefa caso tenham deixado a água a correr.

        Portanto, estes são os passos básicos que envolvem a lavagem de mãos (excluindo a sua secagem). Basta atentar a isto para perceber que não há utilidade nenhuma em evitar o contacto com a saboneteira. As mãos vêm sujas e tocam na torneira, que fica suja. Depois de ensaboar as mãos, estas estão lavadas, ou seja, é indiferente aquilo que está no doseador porque assim que tenhamos o produto na mão, ele elimina noventa e nove vírgula nove por cento das bactérias (pelo menos é o que promete o Dettol). Desta maneira, a única coisa que nos convém manter limpa é a torneira porque assim que lavamos a mão com o desinfectante, ao tocar na torneira suja, voltamos a ter a mão infestada com micro bichinhos.
         Assim, fica aqui o recado: senhores da Dettol, a mim não me enganam. É um golpe de marketing muito interessante e tal, essa história da máquina cuspir sabão mas a mim não me encanta. Instalem aquelas torneiras accionadas com pedal ou automáticas, como nos centros comerciais, e aí sim, já estamos a falar a sério.

Dentes do siso

      Porquê? Porque é que nascemos detentores de quatro ossos completamente inúteis? Porquê? Onde é que está o senhor Lamarck?
      Bem, segundo Lamarck já não os deveríamos ter devido à lei do uso e do desuso. Ora, se não usamos os dentes - na verdade são arrancados na maioria dos casos - porque continuamos a nascer com eles? Já deveriam ter ficado perdidos algures numa geração muito anterior à minha!
      Segundo Darwin concluo que temos os dentes porque somos mais aptos. Mas mais aptos em quê? Eles não são precisos, senhor! Não são. Só dão dores e chatices. Se vamos lá pela evolução, os que nascem sem os malditos dentes é que deveriam sobreviver.
       Se me debruço sobre a ideia da criação divina, porque raio é que o senhor ainda não se deu ao trabalho de fazer desaparecer com os dentes do siso nos bebés a caminho e nos que ainda estão por surgir? Já nem peço nada para mim, mas que se evite sofrimento desnecessário no futuro.

       Enfim, estou em sofrimento e por isso é que tenho esta veia, mais em delírio, muito acesa. Faz agora um ano que comecei a ter dores horríveis - que ainda tenho - nos dentes que são tão intensas que se estendem a todo o maxilar e cabeça. Fui ao dentista a pensar algo do tipo "pronto, isto é obra das cáries, de certezinha. Comi qualquer coisa e fiquei com infinitas cáries nos dentes" visto que as dores eram tão intensas e surgiram, literalmente, de um dia para o outro. Chegada ao médico dos dentes perguntam-me a idade e reencaminham-me logo para a sala dos raios-x e tac's. Nesta altura ainda não estava a perceber bem o que se estava a passar. Acabados os exames todos o dentista diz-me que eu era portadora de um caso interessantíssimo que se resume ao seguinte: os meus dentes do siso do maxilar inferior estão presos aos tendões da cara que passam num canal dentro do maxilar. Ora, isto não teria problema nenhum se os dentes ficassem quietinhos - que não estão. Ao mexerem-se para encontrarem espaço para nascer puxam os tendões e podem rompe-los. Quais são as consequências disto? Posso perder a sensibilidade na cara (nas bochechas e toda a zona da boca e queixo).
        O senhor dentista, sempre muito animado, lá me tentou acalmar e a dizer que possivelmente, se isso acontecer, só me ia babar durante uns tempos e depois aprendia a controlar os músculos da cara mesmo não sentido nada. Já comigo em pânico, recebo a fantástica notícia que o meu caso é tão interessante que nem a cirurgia que geralmente se faz nestes caso (extracção dos sisos através de incisões na cara para se ver os tendões e os ossos e evitar que, ao puxar o dente, se partam os tendões) é viável para mim porque a relação dente-tendão é tão íntima que a cirurgia é muito arriscada e posso ficar sem sensibilidade, na mesma.
       Conclusão da história: segundo o perito dentário resta-me esperar e ver o que acontece nos próximos meses, anos. A verdade é que desde que começaram as dores, nunca pararam. Umas vezes quase não ao noto, outras até a mastigar me doem os molares que devem estar sob uma pressão maluca. Lá continuarei eu a aguentar isto. Antes ter dores do que deixar de sentir a cara!

sábado, 4 de setembro de 2010

O que sempre soube das mulheres, mas tive à mesma de perguntar

"Tratam-nos mal, mas querem que as tratemos bem. Apaixonam-se por serial-killers e depois queixam-se de que nem um postalinho. Escrevem que se desunham. Fingem acreditar nas nossas mentiras desde que te tenhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e toleram-nos porque se acham superiores. São superiores. Não têm o gene da violência, embora seja melhor não as provocarmos. Perdoam facilmente, mas nunca esquecem. Bebem cicuta ao pequeno-almoço e destilam mel ao jantar. Têm uma capacidade de entrega que até dói. São óptimas mães até que os filhos fazem 10 anos, depois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já depende. Têm dias. Têm noites. Conseguem ser tão calculistas e maldosas como qualquer homem, só que com muito mais nível. Inventaram o telemóvel ao volante. São corajosas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o seguro morreu de velho e estão muito escaldadas. Fazem-se de inocentes e (milagre!) por esse acto de bondade tornam-se mesmo inocentes. Nunca perdem a capacidade de se deslumbrarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão felizes. Não compreendem nada. Compreendem tudo. Sabem que o corpo é passageiro. Sabem que na viagem há que tratar bem o passageiro e que o amor é um bom fio condutor. Não são de confiança, mas até a mais infiel das mulheres é mais leal que o mais fiel dos homens. São tramadas. Comem-nos as papas na cabeça, mas depois levam-nos a colher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jantarada de amigos - elas quando jogam é para ganhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acreditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, contentam-se com pouco." 
(Crónica de Rui Zink, professor e escritor, no jornal gratuito, O Metro. Publicada a 8/03/2010.)

O culto da infelicidade

       Há pessoas que são infelizes porque querem. Quando confrontadas com escolhas decisivas optam sempre pela que os torne miseráveis porque gostam do estatuto do triste e oprimido. E isto é uma coisa que me faz espécie.
       Existe, muito claramente, uma adoração por parte das pessoas pelo sentimento de infelicidade que julgam atrair atenções. Dentro deste tipo de masoquistas, há dois grupos: os extremistas da miséria e os emo miseráveis. Os primeiros são aqueles que levam o papel da infelicidade ao seu expoente máximo. Usam roupas sujas e mal parecidas, tentam manter as casas no pior estado possível para manter a coerência no mau, comer mal ou não o fazem e passam os dias a pedir ajuda aqui ou ali e a lamentarem-se do quão mau a sua vida é. Quando são ajudados, recusam a ajuda (até porque é totalmente desnecessária) e continuam com a péssima vida que os permite receber atenção a toda a hora - ou pelo menos eles acham que conseguem.
       O segundo grupo, os emo miseráveis, são mais pobres de espírito mas não se levam ao extremo de descuidar a aparência. Aparentemente pessoas normais, têm um gosto particular por situações que lhes tragam dor, saudade, um futuro menos promissor ou qualquer outra escolha de vida que os deixe chorar até dissolverem os olhos. Existe muito mais gente assim do que eu imaginava e eu tenho sérias dificuldades em perceber porque são assim. Se há coisa que eu tento fazer é maximizar as minhas possibilidades de sucesso, evitar situações que me possam trazer sofrimento - mesmo que seja impossível erradicá-lo da vida. Tendo isto, faz-me confusão ver gente depressiva porque o quer ser. É que essas pessoas acham que que esta postura de vida faz delas alvo de atenção redobrada, mas na verdade só faz delas miseráveis.

Redacção feita por uma aluna de Letras, ...


 ... que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.   



      Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
    Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
    O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
     De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
    Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. 
     Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
   Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

    Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
     Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
    Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
    Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
    Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
   Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
   Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
    Nisto a porta abriu-se repentinamente.
   Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
    Que loucura, meu Deus!
   Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
    Só que, as condições eram estas:
   Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
  O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.


Fernanda Braga da Cruz


Hawking exclui Deus da criação do Universo e os cristãos excluem-no do direito à vida


        "O Big Bang foi simplesmente uma consequência das leis da Física e Deus não teve nenhum papel nisso. A teoria do professor Stephen Hawking surge no seu novo livro, intitulado The Grand Design, e vai contra a posição assumida anteriormente pelo cientista britânico, que chegou a defender que a crença num Criador não era imcompatível com a Ciência, num best-seller publicado em 1988.
        O Times publica esta quinta-feira alguns trechos da nova obra de Hawkings, onde este defender que "a criação espontânea é a razão por que algo existe". Esta teoria contesta assim a convicção de Isaac Newton de que o Universo não poderia ter surgido a partir do caos sem intervenção divina.
        "Por haver uma lei como a da gravidade, o Universo pode e irá criar-se a ele próprio do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos", escreve o célebre cientista.
        "Não é necessário evocar Deus para iluminar as coisas e criar o universo", acrescenta.", na Visão.


         Com o surgimento desde livro, os cristãos - aqueles mesmo muito presos à ideia de Deus e que não toleram que haja gente com ideias diferentes das deles - entraram num estado nervoso completo. Em quase todos os sítios da internet que visito e têm esta notícia afixada, o que não falta são comentários repletos de ódio que dizem que o senhor é doente por castigo divino. Ao olhar desses cristãos que comentam, Stephen Hawking está amaldiçoado por ter posto em casa a ideia de Deus e, pior ainda, ter afirmado que tal coisa não existe.
         E pronto, quanto mais tolerante tento ser, mais exemplos de "maus cristãos" encontro. Se querem que lhes respeitem as suas crenças têm, primeiro, de respeitar as dos outros.
      

Batida

“Tudo não passava de uma batida contínua. Sem altos nem  baixos, batia com um som monótono que já avizinhava desgraça. Ainda assim, insistiram. Esperavam por um tempo e um espaço impossíveis que, como era de esperar, nunca chegaram. Taparam-se com o véu da ilusão e foram felizes. À semelhança de tudo o que é bom, acabou... mas não depressa.”

Mais um do meu caderno. 

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Super McCann

      Se há caso ainda mais vergonhoso para a justiça portuguesa do que o processo Casa Pia é o caso do misterioso desaparecimento da super miúda Maddie McCann. Desde que desapareceu, a pequena tem surgido nos mais variados países acompanhada sempre por pessoas diferentes. Nem sei como não puseram a hipótese de se ter tornado guia turística.
      Enfim, falando num tom mais sério, este caso faz-me uma confusão tremenda. Desde o primeiro dia que disse que os pais eram culpados. Estava à luz de toda a gente. Com o avançar do caso surgiram provas bastantes esclarecedoras  - como o sangue da menina encontrado num carro alugado pelos pais 20 e tal dias depois do desaparecimento dela - que, mesmo assim, foram ignoradas pelos carinhosos McCann. Estes, excelentes actores (razoáveis, vá, que aquela mãe tem de treinar as expressões faciais), prosseguiram com o seu show que se encontrava em digressão mundial: eles andavam nas televisões portuguesas, eles foram à Oprah, eles falaram com o Papa... Ninguém os parou.
      Agora, volvidos 3 anos sobre o início da tournée - que serviu, claro, para denegrir a imagem dos péssimos polícias judiciários portugueses que ousaram afirmar a verdade em vez que comprarem bilhete para o próximo espectáculo dos McCann - aparece uma nova teoria para o misterioso desaparecimento que, na verdade, nem é um desaparecimento nem é misterioso: a Maddie foi roubada por um gangue cigano. Há um ano atrás (a 16 de Maio de 2009) a super miúda estava em Abadiania, uma cidade no interior do Brasil, dizem os moradores dessa zona. É provável que lhes ande a mostrar várias partes do mundo e que tenha passado por um grupo de indivíduos ciganos. Claro que está que o estigma que estes carregam fez deles, aos olhos do povo, raptores.

     E pronto, cá andamos à espera que haja uma alminha que venha, de vez, ao telejornal dizer "a Maddie foi morta pelos pais e há provas disso" sem ter medo do governo inglês. Pronto, já sei que o Gonçalo Amaral já o fez mas não creio que as pessoas lhe tenham dado a credibilidade devida. Precisamos de uma segunda insistência para clarificar qualquer dúvida.

     Ah, já agora, o que fizeram aos milhares e milhares de euros angariados para o "Find Madeleine" à conta de pessoas inocentes que não sabiam a verdade na altura?

Ciganos em Portugal

      Em sequência à expulsão de oito mil ciganos em França fizeram-se inquéritos, debates e reportagens em programas de televisão sobre o estado dos ciganos em Portugal, se os portugueses concordam com a medida francesa e se achavam correcto que fosse aplicada em Portugal.
      Em relação ao caso francês é importante ressalvar que muitos dos expulsos estão a sê-lo por serem ilegais no país. Todavia, não deixa de ser uma medida xenófoba porque acredito que esteja lá muito estrangeiro proveniente de muito sítio também em estado ilegal em França.
      Os programas e televisão e as opiniões que ouvi em Portugal só me deixam uma conclusão possível: estamos num país cheio de hipócritas. Passamos o ano inteiro a ouvir queixas porque os ciganos partem não sei o quê, roubam não sei que mais, matam este, espancam aquele e que deviam ir todos não sei onde. No entanto, quando se aproximam câmaras de televisão, passam a ser uma etnia a proteger por trazer riqueza cultural ao país.
       É óbvio que não se pode proceder a uma generalização abusiva: há indivíduos ciganos que são muito melhores pessoas que alguns portugueses. Ainda assim, basta pegar em alguns exemplos para perceber que há mesmo indivíduos que não merecem estar neste país (sejam eles ciganos ou não). Na terra onde tenho morado há um bairro quase totalmente habitado por ciganos sendo que alguns deles já cá chegaram depois de terem sido expulsos de outras cidades. Aqui eles violam, roubam, traficam, matam, espancam, agridem, enfim, espalham violência gratuita e que passa completamente impune. Mesmo com todas as mortes e agressões levadas à polícia, os agentes da autoridade nada fazem por medo dos agressores. Quando confrontamos os ciganos estes advogam que pertencem a outros costumes e que não são portugueses, são ciganos e têm direito à diferença deles. Ora, uma coisa é ser-se diferente, outra, completamente diferente, é ser-se marginal. Se não estão a trazer benefício nenhum ao país - até pelo contrário porque estão a ocupar casas pelas quais nem pagam renda - não vejo razão nenhuma para que estes ciganos aqui da zona não sejam expulsos do país. Já foram escorraçados de tanta cidade, é óbvio que esse legado de violência e crime não vai parar.
        E se acham que estou a exagerar, garanto que não estou. Há, de facto, mortes e violações nesta zona que ficam completamente impunes. Se os delinquentes não são só ciganos? Não, não são só ciganos. Mas todos os ciganos o são, aqui nesta cidade. Eles vão presos por dois dias e depois são postos em liberdade, vá-se lá saber porquê.
        E é contra este tipo de pessoas (que inclui bem mais que ciganos) que estou contra - aqueles que estão a viver à conta de contribuições e apoios de todo o lado e depois retribuem com criminalidade. No caso da etnia cigana o problema agrava porque eles são os primeiros a afirmar-se "não-portugueses".
         Ainda há aqueles bairros, construídos de propósito para estes grupos de ciganos que chegam ao nosso país e que respeitam os costumes desta etnia - casas rasteiras, arejadas e que permitam o contacto com a natureza. Quem habita estas casas ou não paga renda ou apenas lhes é cobrado uma quantia simbólica e ainda usufruem de apoios locais e não só. O certo é que o que mais não falta são reclamações destes indivíduos porque não têm condições de vida e porque as casas são de pobre construção. Mas final, o que querem? Uma suite por conta deles? Uma vivenda com piscina, massagista e mordomo? Se não querem pagar rendas têm de se contentar com o muito que já têm. Caso estejam descontentes, resta-lhes trabalhar - como faz ou tenta fazer o resto da população - e comprar ou alugar uma casa ao gosto deles. Basta seguir o exemplo de muitos ciganos que tão bem se adaptaram ao modo de vida português e que são óptimos cidadãos para além de estarem em casa própria e perfeitamente integrados.
        Assim, com base no que vejo na minha cidade todos os dias - e todas as noites porque a maioria da população tem medo de sair de casa por já ter visto o que acontece noite após noite - afirmo que há muitos indivíduos que, se ainda por cima não querem ser tratados como portugueses, não fazem falta ao país. Todavia, é errado generalizar e julgar a população cigana como um todo e não como um conjunto de casos individuais merecedores de estudo.

Casa Pia

    Como é que é possível só agora se ter, finalmente, declarado a culpa do Carlos Cruz e companhia? Se desde início havia provas e tudo e mais alguma coisa como é que se prolongou um processo só porque os arguidos são/eram estrela de televisão ou "gente importante"? A justiça portuguesa está perdida, completamente.

Kitty


Tenho saudades tuas. Muitas. Saudades da tua energia, das corridas malucas que davas cá por casa sem ninguém entender porquê, das horas a dormir em posições estranhíssimas que mais pareciam de um contorcionista. Sinto falta das horas passadas ao meu lado quando estava doente, e tu percebias isso. Sinto falta de brincar às escondidas contigo. Ainda me custa saber que o cesto das meias lavadas não vai estar vazio, com as meias espalhadas pela sala fora, e tu deitada no cesto com um ar bastante confortável. Sinto a tua falta. 
Não percebi porque quiseste ir, mas só espero que estejas bem. Festinhas para ti, mas não muitas porque eu sei que não gostas.