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sábado, 4 de setembro de 2010

O culto da infelicidade

       Há pessoas que são infelizes porque querem. Quando confrontadas com escolhas decisivas optam sempre pela que os torne miseráveis porque gostam do estatuto do triste e oprimido. E isto é uma coisa que me faz espécie.
       Existe, muito claramente, uma adoração por parte das pessoas pelo sentimento de infelicidade que julgam atrair atenções. Dentro deste tipo de masoquistas, há dois grupos: os extremistas da miséria e os emo miseráveis. Os primeiros são aqueles que levam o papel da infelicidade ao seu expoente máximo. Usam roupas sujas e mal parecidas, tentam manter as casas no pior estado possível para manter a coerência no mau, comer mal ou não o fazem e passam os dias a pedir ajuda aqui ou ali e a lamentarem-se do quão mau a sua vida é. Quando são ajudados, recusam a ajuda (até porque é totalmente desnecessária) e continuam com a péssima vida que os permite receber atenção a toda a hora - ou pelo menos eles acham que conseguem.
       O segundo grupo, os emo miseráveis, são mais pobres de espírito mas não se levam ao extremo de descuidar a aparência. Aparentemente pessoas normais, têm um gosto particular por situações que lhes tragam dor, saudade, um futuro menos promissor ou qualquer outra escolha de vida que os deixe chorar até dissolverem os olhos. Existe muito mais gente assim do que eu imaginava e eu tenho sérias dificuldades em perceber porque são assim. Se há coisa que eu tento fazer é maximizar as minhas possibilidades de sucesso, evitar situações que me possam trazer sofrimento - mesmo que seja impossível erradicá-lo da vida. Tendo isto, faz-me confusão ver gente depressiva porque o quer ser. É que essas pessoas acham que que esta postura de vida faz delas alvo de atenção redobrada, mas na verdade só faz delas miseráveis.

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