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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Toy Story 3 - Pior escolha de sempre...


      ... Ver o Toy Story 3 a três dias de saber os resultados da candidatura à faculdade - e cujo resultado positivo implica uma mudança de vida de... cento e vinte quilómetros.

      Este filme obrigou-me a perceber o que está prestes a acontecer. Vai, inevitavelmente, haver uma quebra de ligações o que não é obrigatoriamente mau, mas implica perder a zona de conforto. Os pais não vão estar lá quando eu me irritar com qualquer coisa e precisar de dizer disparates. A cama não se vai fazer sozinha - obrigada, mãe. Os produtos de higiene que eu tinha como inesgotáveis vão, afinal, precisar de ser repostos. A comida não vai aparecer no prato por obra do espírito santo. Não vou ter a mãe a levar-me onde me der na real gana - olá autocarros. Os meus amigos não vão estar lá sempre que eu quiser dizer parvoíces e aquelas meias palavras que o meu companheiro de guerra percebe - obrigada, João. Vou perceber que muita coisa vai ficar à distância de viagens de comboio. Vou deixar coisas para trás: memórias, pertences, partes de mim.


       (Quem ainda não viu o filme e tenciona fazê-lo sem qualquer ideia do que se passa, poderá não querer ler o próximo parágrafo visto que eu, não fazendo um relatório detalhado da história, revelo alguns detalhes importantes... tais como o fim do filme.)

      E foi a ver o Andy a despedir-se dos bonecos - que funcionou como uma metáfora para os que me são importantes - e deixá-los para trás, aos cuidados de outros, que percebi que não tinha ainda pensado na total dimensão do que se avizinha. Por mais que corra não vou vencer os tic tac's do relógio que já não voltam atrás. Três dias...

       Quando ao filme em si e ao que achei dele, basta uma palavra: brutal. É um óptimo capítulo final para esta história que me acompanhou na infância e que coincide com as etapas da minha vida. Para além de passar, mais uma vez, os valores básicos da humanidade - amor, amizade, respeito pelo próximo, união - realça um factor que enquanto petizes nos esquecemos: a vida é uma mudança constante, e há alturas em que as alterações são mais bruscas que outras.
      Espremendo o filme fico com o seguinte sumo: a mudança é incontornável. Por mais que doa, que nos agite, ela vai sempre acontecer. Face a estas situações que nos vão deixar sempre com aquele nó no estômago não devemos deixar dominar-nos pelo medo. Temos de deixar pedaços para trás e levar o importante em frente. No fim, é aquilo que carregamos connosco através das várias etapas que nos define: os amigos de sempre, os objectos de sempre que já empacotámos mil e uma vezes e por mais estragados que estejam são parte de nós, os papeis e livros de sempre, o "eu" de sempre.
       Então que venha a mudança, e que me deixe ficar com o que sou.

3 comentários:

  1. As meias palavras podem continuar a ser trocadas, basta que não nos distânciemos. Tu própria disseste, que os verdadeiros amigos, mesmo que passem 10 anos sem os vermos, no dia em que estivermos com eles irá ser como se ontem tivesse sido o dia da despedida =P keep in touch

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  2. Sim, nem penses que te livres de mim! =') Mas a verdade é que não vais estar todos os dias comigo, não vais estar à distância de um "mãe, leva-me a casa dele" ou "mãe, leva-me ao café". Vais ficar à distância de um "era um bilhete de comboio para lisboa, se faz favor". Mas sim, quando te vir, vai ser sempre um até já ;)

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  3. Sim, nem penses que te livres de mim! =') Mas a verdade é que não vais estar todos os dias comigo, não vais estar à distância de um "mãe, leva-me a casa dele" ou "mãe, leva-me ao café". Vais ficar à distância de um "era um bilhete de comboio para lisboa, se faz favor". Mas sim, quando te vir, vai ser sempre um até já ;)

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