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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tudo é o que tem de ser

   Quem quiser prever, pode sair. Em relação a isto não quero saber o amanhã. Muitos vão querer pisar tudo à volta para descobrir, perguntar, esgravatar até chegar à ferida. Mas eu não quero saber. Recuso-me a pensar nisso.
    Se os castiçais de cristal se tocam, deixa-os estar. Não lhes mexas. Deixa que eles imóveis sigam o seu rumo e se fundam.  Repara como a cor prata reflecte a história de quem são, do que viveram. E reflecte o coração. Espelha os sentimentos que não querem ser sentidos, mas que se vêm. Mas eles julgam que naquela sinfonia luminosa ninguém se apercebe das almas. Estão iludidos. A verdade é que as cores gritam aquilo que os poros sentem e calam. A culpa é do vermelho, cor do sangue, do corpo, da vida.
      Torturam os dedos para não escreverem o que não querem que se saiba. Roem-se, perdem as asas e caem na mesa. Reduzidos a nada. A um nada tão vazio e tão profundo que julgam que o melhor é ficar assim, cada um tombado para seu lado. Mas o sentido das coisas dita outra verdade. Cada um tem uma direcção que deve cruzar para descobrir o ponto de ligação. E isto é tão claro como a luz do sol. Queima, cega, embrenha-nos em ideias difusas que se perdem como fumo entre os dedos. O fumo daquele cigarro que nenhum deles alguma vez fumou mas imagina como se sentia a fazê-lo. Ou não, que isso é vício vil. E os castiçais não fumam.
       Não querem ficar. Mas também não querem ir. Não há paciência para eles, não há. Se fossem chuva queriam ser rio. Se fossem rio queriam ser mar. Ou não querem ser nada, já nem sei. Procuram aquele espaço impossível onde tudo flui e não precisa de palavras, justificações nem contas de prazos de validade. Um espaço imortal. E ele existe. Sei que sim. Um dia vão estar lá. 

2 comentários:

  1. Castiçais? Sangue? Tabaco? Prazos de validade? :S

    Preciso que me elucidem...

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  2. Como tais sábias palavras me soam a verdade. Tu sim, percebes tudo :')


    Fii

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