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terça-feira, 22 de março de 2011

O meu pai

  
     O meu pai é a melhor pessoa do mundo. Não é só melhor pai, é a melhor pessoa. É, sem qualquer espacinho para a mais pequena dúvida, a pessoa de quem mais me orgulho no mundo e um exemplo. Soa a cliché, mas é a mais simples verdade. Eu quero, um dia não assim tão longínquo que eu sou impaciente, poder ter o que o meu pai tem. É assim uma coisa muito de menina pequenina, aquele prazerzinho de dizer aquele é o meu pai.
      Acho que o que mais me impressiona é saber que ele teve tudo para se perder e isso não aconteceu. Desde a perda prematura do pai e todas as consequência a nível de estrutura familiar que isso trouxe aos anos enfiado nos Pupilos do Exército que só pode ter sido muito duro (tendo em conta que foi há vinte e tal anos), tudo podia ter feito dele um rebelde, sei lá, uma pessoa amarga. E não aconteceu nada disso. É, acreditem no que digo, a melhor pessoa do mundo. Boa pessoa demais até, se é que tal conceito existe.
      Vejo o que ele tem e o que podia ter e não consigo evitar sentir-me uma formiga comparada àquilo que ele é e sabe. É a pessoa mais inteligente que conheço, e espero piamente que isso esteja algures nos genes e que passe, pelo menos, para a minha prole se não se manifestar em mim (esforço-me para que o gene seja activado, diga-se).
       O meu pai foi comigo para o Sudoeste no ano passado. Mas que pai normal é que fazia isto? Nenhum. É por isto que o meu é o melhor, porque não deixa que o que o socialmente correcto o impeça de estar onde quiser com os filhos sem, felizmente, perder a noção do ridículo (que ele foi porreiro o suficiente para me deixar no meu espaço). E ele ouve coisas como Xutos, ACDC, Iron Maden, Scorpions, The Doors, Pink Floyd, boa velha música, pronto. Dá para ouvir música com ele, ir a concertos, dá para ver nele uma boa companhia.
       Se há coisa que diz muito do meu pai é referir que sempre que eu me lembro dele desato a rir sozinha. Posso estar a ter o pior dia do mundo, mas se me lembrar de conversas, de vídeos, de momentos, começo a rir sem razão aparente. Porque isto é ele, riso, boa disposição, bom humor, piadas inteligentes, piadas menos inteligentes, conversas sobre o estado do país, debates profundos, lições morais sobre a vida, mais risos e piadas idiotas.
      Obrigada pelas conversas - ou deverei dizer discussões? - filosóficas sobre os mais diversos temas que por vezes nem têm sentido nenhum. Agradeço não me deixares ganhar porque é isso que me dá calo, me dá estaleca e força argumentativa.
      Obrigada por não comprares o que gostas se souberes que eu ou o meu irmão gostamos de outra coisa. Sei que isso não pode ser considerado prescindir do teu bem estar em detrimento do nosso porque se estamos bem, sei que também estás.
      Obrigada por tudo o que não dizes e que eu sei que sentes e pensas. No fundo és muito mais transparente do que imaginas.
       A cima de tudo, Obrigada por sem o saberes ou teres incutido tal coisa, seres um exemplo, um modelo a seguir, um herói.
       Obrigada por seres o meu pai.


Fiquei inebriada com o espírito do Dia do Pai e decidi fazer isto, ainda que já fora de tempo para esse dia, mas a tempo para uma vida.

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