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quinta-feira, 28 de abril de 2011

O não votar

       Não compreendo quem diz que não votar é mostrar revolta. Quando ouvi o Marinho Pinto, bastonário da ordem dos Advogados, a dizer isto fiquei em choque. Mas desde quando é que calar a nossa voz é maneira de lutar seja pelo que for? Quanto mais é recusar exercer um direito porque se lutou.
       Marinho Pinto diz que não votar seria uma "greve à democracia" já que os portugueses "na altura dos votos lá vão legitimá-los (aos políticos) outra vez". Pois não podia estar mais em desacordo. Para já há aqui um erro no raciocínio do senhor bastonário que se esquece que existe o voto em branco, esse sim o instrumento para exprimir o desagrado e a falta de confiança em qualquer partido político. Diz ainda Marinho Pinto que a abstenção ao voto seria "humilhar os políticos publicamente". Continuo a não entender como se humilha alguém estando calado.
        É preciso que o povo exerça o ser dever cívico e se dirija às urnas. É fundamental que isto aconteça e se não se tem fé em político algum, que se vote em branco. Talvez esta fosse a real chapada à democracia, haver uma enormidade de votos em branco que, estes sim, expressariam o desagrado popular e a revolta perante a péssima política que tem havido no nosso país.
        Convém relembrar que a taxa de abstenção é, por norma, elevada e que nela se junta o desinteresse, a ignorância e o descontentamento sendo que os dois primeiros são os rótulos oficiais atribuídos a tal taxa. A mensagem de revolta nunca é passada por uma voz calada.


        Para ouvir as declarações do bastonário em questão, é só clicar aqui.

domingo, 17 de abril de 2011

Coisas de que ninguém te avisa antes de entrares para a faculdade - I

      Os queixinhas não morreram na primária.
    
       Vai sempre haver alguém que se lembra de dizer ao professor que alguém copiou no exame, há sempre uma alminha que acha por bem avisar os professores que há assinaturas falsas na lista de presenças (ou seja, que uns assinam pelos que faltam), um energúmeno que acha por bem dizer que a avaliação é demasiado fácil, enfim, uma panóplia de seres que pensamos terem-se dissipado algures com o crescimento mental. Os queixinhas são tão comuns aqui como eram nos tempos em que eu tinha cinco ou seis anos. Cuidado com eles.

sábado, 16 de abril de 2011

Ouço frequentemente a mesma provocação, corrijo, conversa...

      ... que acaba sempre com "eu acho que não devias ter podido vir para Direito". Antes ignorava, agora já me começa seriamente a irritar. Passo a explicar a origem desta conversa: eu no secundário optei pela área de ciências. Foi, a cima de tudo, uma jogada estratégica* porque toda a gente sabe que é uma área que depois dá acesso a muito mais cursos universitários que qualquer outra. Assim, visto que não sabia ainda o que queria fazer - aos 15 anos pouca a gente tem certezas de vida, creio eu - escolhi ciências até porque na altura Engenharia do Ambiente me soava bem.
       É claro que pelo décimo primeiro ano vi que nem matemáticas nem químicas e físicas eram áreas em que me sentia tão confortável como em filosofia, português, inglês e, mais tarde, psicologia já no décimo segundo. Não tardei a compreender que era uma mulher de palavras e não de números e equações e que entrar em Direito era o meu sonho. (Confesso que agora que cá estou tenho a clara noção que fantasiei demais e que isto não é um mar de rosas)
        As provas de acesso ao curso são escolhidas por nós entre Português, História e Inglês e temos de optar por duas delas. Isto aqui em Coimbra, que no resto do país eram as duas primeiras obrigatórias. Ora, por que raio não poderia eu aceder ao curso que queria só porque com quinze anos não fazia a menor ideia do que gostava que fosse o meu futuro? Se estou em desvantagem em relação aos meus colegas que têm as bases de história do secundário? Sim, estou, mas é problema meu e em altura alguma deveria ser um entrave para eu cá estar - até porque mesmo não tenho tal disciplina no secundário é uma área por que me interesso e leio bastante sobre o assunto.
       Mais! No curso em questão o fundamental é o português, língua em que estudamos e nos expressamos, e nesse exame tive dezassete qualquer coisa, arredondando, dezoito, se a memória não me falha. E tenho falado com muita gente que alegadamente merece estar lá e teve dez ou onze no mesmíssimo exame. Se estiveram em Letras e se acham mais dignos que eu a estar em Direito, não deveriam ter tido notas mais altas?
      Também é de valor relembrar que eu, que estou tão mal no curso porque sou uma herege lá das ciências, fiz cadeiras e os que são iluminados pelo Senhor porque tiveram história e geografia andaram ali a patinar e não fizeram nada um semestre inteiro. É por isto que antes de falar devemos olhar para o nosso umbigo e ver o que a casa gasta.

      Só espero não voltar a ouvir a mesma provocação conversa.


* Também ouço coisas como "nós viemos de letras e tínhamos menos escolhas, tu estás aqui a roubar-nos o lugar". A estes respondo da seguinte forma:
     ponto 1: quem tem boas notas não se preocupa em ver o seu lugar roubado porque o tem seguro.
     ponto 2: eu tive de fazer provas de ingresso que não faziam parte do obrigatório, tive de estudar matérias que não ouvi falar nas aulas e cá estou. Assim, se quisessem outro curso, faziam o mesmo que eu e propunham-se a fazer as provas de ingresso necessárias.
     ponto 3: se estavam tão preocupados com as escolhas que iam ter no fim, escolhiam a área de ciências também e depois tinham tudo à vossa disposição. Tão simples como isto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hoje há greve?

     O nosso país chegou a um estado tal que foi criado um site que nos ajuda a perceber se vamos conseguir chegar onde queremos. Ao que parece vou conseguir deslocar-me até ao ribatejo este fim-de-semana. Agora é fiar-me na sorte.

Fail #2

        Depois de ter passado três horas a olhar para o quadro da sala de aula a tentar decifrar o que lá estava escrito que me parecia imperceptível mesmo com os óculos postos, proferi a seguinte pérola:
  
  MariaEduarda: Eu sei que não ando a ver nada... Tenho de aumentar a legislação.

        E é isto. É o que dá estar a dois dias da frequência de direito constitucional. Mas legislação e graduação rimam, por isso até que tenho desculpa...

Fail #1

    Pessoa 1: ... aquela, a Tânia do Ninjutsu ...
    Pessoa 2: A Telma Monteiro do Judo?
    Pessoa 1: ... pois.

      E só por curiosidade, eu sou a pessoa 1. Sempre tive uma queda terrível para o desporto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Caríssima Axe,

    Venho por este meio pedir que se alie aos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra e ajude os sujeitos que mais parecem aqueles bonecos malcheirosos (quem os inventou andou aqui nos autocarros, tenho a certeza).
    Em vez de irem para o Sudoeste dar desodorizantes ao pessoal que acabou de tomar banho, que venham para aqui dar essas oferendas a quem precisa delas! Que o façam por mim e pela saúde pública. Se a situação já está dramática e estamos em início de primavera creio que daqui a um mês ando verde. Ou já nem ando, sei lá, desmaio na viatura...

domingo, 3 de abril de 2011

Kwantta

       Os Kwantta são uma banda de Abrantes e eu gosto imenso deles. São uma mistura de rock, música tradicional, blues, reggae e funk. Recentemente ganharam o concurso de bandas cá em Coimbra e vão actuar na Queima das Fitas dia 13 de Maio! Vão abrir o palco principal nesse dia. Sei que basta eu dizer que tenho amigos na banda para que a minha opinião seja tida como tendenciosa, mas eles são realmente bons. 




      Os Kwantta foram os vencedores do Festival RibaRock2009 em Coruche, os vendedores do Festival ShoutOut 2007 no Centro Cultural Malaposta em Lisboa e os vencedores do Concurso de Bandas da Queima das Fitas de Coimbra 2011, acutando com James no Palco Principal.


     Este é o site oficial que de momento está em remodelação mas que abrirá em breve.
     Este é o facebook deles.
     Esta é a página do youtube deles.
     Este é o myspace deles.
     Esta é a página do palco principal.

      Os elementos da banda são:
      Marco Pereira - Voz, Guitarra Eléctrica e Trombone
      Diogo Pereira - Guitarra Eléctrica, Voz e Cavaquinho.
      André Marques - Bateria
      Eduardo Soares - Baixo
      Mauro Moura - Sintetizador e Piano
      André Teixeira - Acordeão
      André 'Alentejano' - Saxofone
      António Freire - Vj

Prontos para o mundo Kwanttico?

O desenrascanço

      Nós, portugueses, somos sábios no que toca a desenrascarmo-nos seja do que for. Aliás, é uma coisa tão nossa que mais nenhum país tem a palavra desenrascar no seu léxico. Desde cedo que sei do potencial desta arte, como se pode comprovar pelo episódio que vou relatar agora.

      Há uns anos, algures no meu décimo ano, creio eu, houve um peddy paper lá na escola no âmbito da semana das línguas. Esta semana era o auge de um período qualquer porque havia actividades a interromper as aulas constantemente e as refeições eram típicas de um qualquer país das línguas que estudávamos - inglês, espanhol, português e francês.
       Ora, eu e mais três colegas lá nos aventuramos no peddy papper que era um tanto extenso e nós queríamos desesperadamente ganhar porque uma das equipas adversárias tinha lá a menina prodígio da altura. Já casados de correr pela escola, subir e descer escadas, encontrar postos, pensar nas respostas que nem sempre eram as mais fáceis e estar sempre de olho nas equipas opostas para ter a certeza que éramos os mais rápidos, fomos confrontados com a seguinte pergunta:

           - Quem foi o inventor da imprensa?

        Pois, numa situação de calma responderíamos prontamente que tinha sido o ilustre Johannes Gutenberg, visto que era matéria daquele ano lectivo e deveríamos ter tal facto fresco na memória. Mas no meio da correria e com os outros a tentarem passar-nos a perna tivemos de dar aso ao desenrascanço e respondemos...

          - John News.


        O certo é que foi a rapidez com que dissemos uma barbaridade destas que nos valeu a vitória.



Ainda sobre a manifestação dos estudantes

      É verdade que todos temos o direito de nos manifestar e reivindicar tudo aquilo a que achamos que temos direito, mas que credibilidade se espera de uma manifestação se o que usam para me convencer a aderir é o facto de estarem a confeccionar bifanas? Isto é verídico!
      Na sexta feira da semana que antecedeu esta última cheguei à faculdade e fui recebida por uma espécie de acampamento cigano perto da Porta Férrea que tinha cartazes como "Propinas não! Bolsas sim!". Assim que passo pelos manifestantes há um que se levanta e me aborda da seguinte forma "Queres-te juntar a nós? Temos bifanas!". Fiquei tão perplexa que acho que não me ocorreu nada para lhe responder.

       Mais! Para que querem então bolsas se não houver propinas? Basicamente o que eles pediam era para lhes pagarem para estudar. Uma maravilha portanto...

       E é por ver coisas destas que não me consigo aliar a manifestação alguma.