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domingo, 3 de abril de 2011

O desenrascanço

      Nós, portugueses, somos sábios no que toca a desenrascarmo-nos seja do que for. Aliás, é uma coisa tão nossa que mais nenhum país tem a palavra desenrascar no seu léxico. Desde cedo que sei do potencial desta arte, como se pode comprovar pelo episódio que vou relatar agora.

      Há uns anos, algures no meu décimo ano, creio eu, houve um peddy paper lá na escola no âmbito da semana das línguas. Esta semana era o auge de um período qualquer porque havia actividades a interromper as aulas constantemente e as refeições eram típicas de um qualquer país das línguas que estudávamos - inglês, espanhol, português e francês.
       Ora, eu e mais três colegas lá nos aventuramos no peddy papper que era um tanto extenso e nós queríamos desesperadamente ganhar porque uma das equipas adversárias tinha lá a menina prodígio da altura. Já casados de correr pela escola, subir e descer escadas, encontrar postos, pensar nas respostas que nem sempre eram as mais fáceis e estar sempre de olho nas equipas opostas para ter a certeza que éramos os mais rápidos, fomos confrontados com a seguinte pergunta:

           - Quem foi o inventor da imprensa?

        Pois, numa situação de calma responderíamos prontamente que tinha sido o ilustre Johannes Gutenberg, visto que era matéria daquele ano lectivo e deveríamos ter tal facto fresco na memória. Mas no meio da correria e com os outros a tentarem passar-nos a perna tivemos de dar aso ao desenrascanço e respondemos...

          - John News.


        O certo é que foi a rapidez com que dissemos uma barbaridade destas que nos valeu a vitória.



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