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terça-feira, 28 de junho de 2011

Angélico Vieira [1982-2011]

          Neste momento pouco me importa se levava a porcaria do cinto ou não, se conduzia em excesso de velocidade ou se cumpria o código da estrada ou até mesmo se o carro tinha sido roubado, emprestado ou oferecido. Não quero saber. Morreram duas pessoas. Uma com morte imediata (Hélio, melhor amigo do cantor, com 25 anos) e agora Angélico Vieira (Sandro, o seu nome "verdadeiro", com 28 anos), uma rapariga com 17 que está mal e um outro que teve sorte (e a prudência de usar o cinto, parece). O que importa é que se perderam vidas que nem a meio iam! Ficou quase tudo por dizer, tudo por acontecer. 
          
          Talvez seja por ter passado por uma perda há pouco tempo que isto tudo mexe comigo e volta a mexer a ferida que teima não fechar. Nunca vou lidar bem com a efemeridade da vida e com a batelada de coisas que quero poder dizer, escrever e fazer. Não sou capaz de encaixar esta ideia na minha cabeça e vai sempre fazer-me confusão estar aqui em casa com uma pessoa em falta. Quero mexer-lhe, cheirá-la, falar com ela, e não consigo. E se alguém disse que passa, foda-se, é mentira. Não passa. Não melhora nem piora. Fica o vazio.

         O fundamental, neste momento, é pedir respeito aos fãs e curiosos que se dirigiram ao hospital onde está o corpo do Angélico e que se deixem daqueles histerismos que já pude ver na televisão. Compreendam que se para eles é duro (?) e só o conheciam da televisão e das revistas, para a família e amigos é muito, mas muito, pior. Seriam conscientes se se afastassem e deixassem aquele momento que tão íntimo é, sê-lo.

         Que a força esteja com quem sofre de verdade neste momento. Quanto ao Angélico, até um dia. Longínquo, espero.

2 comentários:

  1. Espero que a ironia esteja presente na palavra "prudência"!
    Ele tinha tudo, e por uma porcaria de um cinto que demora 2 segundos a pôr perdeu tudo, o bem mais precioso de todos, tantas vezes desvalorizado! E aquela operação só foi feita devido a todo o mediatismo que todo este caso tem!

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  2. E quantos mais andam sem cinto? Pois. Não podemos agora perdermo-nos com juízos de valor e dizer que o caso só tem importância porque é mediático e depois cascar no rapaz de forma exagerada, a meu ver, só porque é uma cara da televisão e dos palcos. Se errou? Claro que sim. Mas aos outros também ninguém os proibiu de usar cinto, e também não o tinham, por isso não queiram ninguém fazer passar por coitadinho aqui.

    Foi uma tragédia terrível. E se é verdade que se tem de tirar uma coisa boa de tudo, que se use este caso como exemplo para todos os irresponsáveis que não conduzem de forma segura.

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