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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Coisas de que ninguém te avisa antes de entrares para a faculdade - II

         A malta das universidades privadas vai gozar contigo sempre que puder e tu, que tens notas muito mais baixas e conseguidas com muito mais esforço, não vais ter outra opção para reagir a não ser fingir que não te atinge.

          (AVISO: Este post prende-se com um generalismo muito possivelmente abusivo. Há, de certeza absoluta, excepções aos perfis traçados de seguida. Haverá, sem dúvida, alunos "normais" no ensino privado mas são os mencionados no post que me incomodam.)

          Tenho um preconceito terrível com o pessoal que se mete em universidades privadas porque, num olhar imediato sobre a população que estuda em tais antros sociais, só se vêm três tipos de pessoas:
            - os meninos riquinhos que vêm de famílias abastadas e que vão chegar a cargos de topo nas empresas dos papás e amigos próximos;
            - pessoas não muito inteligentes que, por não terem conseguido um bom desempenho no ensino secundário, não conseguiram entrar na faculdade pública desejada (isto é, em nenhuma das seis hipóteses que têm de entrar em cada uma das candidaturas que fazem) e têm famílias dispostas a pagar as elevadas propinas do ensino privado;
            - aqueles que se matam para poder pagar as propinas de uma privada só para se poderem integrar num certo meio e ter a vida feita, fazendo-se passando pelo que não são.

          Não é fácil ficar-se indiferente a alguém que, frequentando o mesmo curso que nós, têm notas muito mais altas sem num décimo do esforço que temos de fazer. As notas na minha faculdade, a FDUC, são conhecidamente baixas e a taxa de reprovação às cadeiras é, por norma, muito elevada. E isto não quer dizer, de todo, que haja pouco esforço pela nossa parte. É certo que há muitos que, por amor à agradável e intensa vida social vivida na minha cidade, se estão a marimbar para o desempenho académico o que justifica a taxa de chumbos. Mas a maioria investe realmente tempo de estudo para as cadeiras e depois não as consegue fazer. É frustrante mas a determinada altura aceitamos aquilo como normal.
         Ora, uma pessoa já está mal porque se privou de saídas e noitadas com o pessoal para poder fazer determinada cadeira e depois reprova, queixa-se ou comenta isso com amigos/conhecidos que frequentem uma faculdade privada e ouve coisas como "na tua faculdade há notas baixas porque vocês são burros. Na minha faculdade há notas mais altas porque trabalhamos mais, estudamos mais e as entradas são mais selectivas pelo que só entram bons alunos". Isto é coisa para me deixar piursa. Trabalham mais? Poucas são as cadeiras que fazemos por frequências - é quase tudo por exame final. Como pode alguém que é avaliado por frequências - ou seja, que vê a matéria repartida evitando ter de decorar calhamaços e calhamaços para um único momento de avaliação - dizer que nós somos burros e que eles têm um ensino muito mais difícil?

         Quanto aos que fazem o curso todo no ensino privado e saem directos para trabalhos bem remunerados conseguidos pelo apelido nada há a dizer. São eles que ilustram o estado deste país onde os apelidos fazem carreiras e quem trabalha, estuda, e se esforça não é recompensado por isso.

       E sabe Deus o que será quando acabar o curso e quiser arranjar emprego...

10 comentários:

  1. Há que ter esperança que muita desse gente acaba por não conseguir...o facto de ter boas notas nem sempre destrona o facto de seres estudante na FDUC! É a eterna e sempre famosa FDUC e nada mais! :P

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  2. Eu estou, mais ou menos dentro do 2º grupo de pessoas que descreves e que entraram para uma privada. Ou seja, não tive um bom desempenho no secundário, tinha um pai que até estava disposto a pagar a mensalidade da privada, mas.....fui eu que não quis ir para uma publica (long story) e "fiz de proposito" para ter notas miseraveis nos exames de fisica e matematica. Anyway, depois quando "voltei ao normal" compensei isso com o facto de ser eu a pagar os ultimos 3 anos do curso com um trabalho das 9h às 18h e tendo aulas das 19h às 22h.

    Quanto aos empregos, digo-te com experiência (já tenho 34 anos), que nem sempre quem tem as melhores notas, vai mais longe no mundo do trabalho.

    Quanto à frase:

    "na tua faculdade há notas baixas porque vocês são burros. Na minha faculdade há notas mais altas porque trabalhamos mais, estudamos mais e as entradas são mais selectivas pelo que só entram bons alunos"

    Como tu disseste, é em parte verdade, que há muita gente burra (mas não é só na faculdade, não te preocupes...lool) e os que não são burros mas que tiram más notas em quase todas as cadeiras, cá para mim é só por uma razão: nunca ninguem lhes ensinou um metodo eficiente para estudar. Isto sim, é preocupante, porque alem de eu tambem ter sofrido desta falha, é algo que NUNCA vi ninguem ensinar em sitio nenhum.

    Se as cadeiras de matematica, são relativamente "faceis" de estudar (porque maioritariamente é fazer exercicios), já todas as outras não podem ser abordadas da mesma forma e hoje consigo ver isso com bastante clareza.

    Mas se eu fosse a ti, preocupava-me menos com as pessoas que, de uma maneira ou outra, arranjam tachos para os empregos e concentrava-me mais em desenvolveres-te a ti própria, descobrindo os teus pontos fracos e trabalhando para os aperfeiçoar. Valorização pessoal acima de tudo, minha cara, Maria Eduarda, porque uma pessoa valorizada é uma pessoa muito mais perto do sucesso profissional ;)

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  3. Bem, agora é que notei que me estiquei um bocado no comentário...lool

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  4. @Rosa Branca: Se calhar preferia que a FDUC tivesse menos "fama" e que fosse mais justa...

    @Jedi: Se fizeste de propósito para que o teu desempenho no secundário não fosse bom, excluis-te do segundo grupo que refiro uma vez que, apesar de não ter ficado claro, eu dirijo-me aos que realmente não conseguem ter boas notas mesmo que se esfolem a trabalhar para tal.
    Quanto à incapacidade de estudar de forma eficiente concordo contigo. Acho que com tanta disciplina mal estruturada no ensino básico (área de projecto, formação cívica e estudo acompanhado) onde nada se faz a não ser joguinhos e coisas que mantenham os alunos calados, talvez seria boa ideia aproveitar essas horas "mortas" para ensinar os alunos a estudar. Até poderia ser uma hora com um psicólogo, já que há tantos e desempregados, era uma boa maneira de os inserir de lhes dar trabalho que não só seria incrivelmente útil como dentro da área de estudo deles - o que os deve surpreender, pelo estado em que as coisas andam. =/
    Ah, e eu não me preocupo com quem arranja tachos. Aliás, acho que o que estou mais longe de sentir em relação a esses é preocupação. A verdade é que têm a vida feita. Só acho injusto eu ver pessoas que não fazem esforço nenhum e "vão longe" e pessoas honestas e trabalhadoras que nem previsões de subir de carreira têm. Injustiças irritam-me, só isso.
    Eu cá estou orientada. Acho eu :P

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  5. é um bocado triste mesmo uma pessoa matar-se a estudar e depois as boas notas serem mais raras que sei lá bem o quê. Ás vezes acho mesmo que os profs na fduc atiram os exames ao ar e os que ficarem na secretária passam e os outros não -.- No mais, também me dá um bocado de aflição o pessoal das privadas que é como descreveste (se bem que conheço quem não se enquadre em nenhuma das categorias - felizmente). E é tremendamente injusto basicamente só termos avaliação final e eles terem frequências e trabalhinhos que parece que lhes dão o curso de mão beijada... É que, no final, é com pessoas assim que vamos "competir" no mercado de trabalho.

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  6. Eu faço parte das que não passa cartão às privadas. O ensino é consideravelmente pior e obviamente reflecte-se nas notas que têm.
    A única a que confiro algum mérito é a Católica, sendo que não era vida para mim...são muito polidos e cheios de salamaleques..não tenho paciência nem dinheiro! lol

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  7. Eu por acaso escrevi um post semelhante, é triste, esses tais que te irritam são os que precisam de pagar para fazer tudo, são uns inválidos mentais que só servem mesmo para dizer o nome deles. Sou Ricardo Andrade-Drumont e venho para a colonóscopia.

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  8. Acho muito mais injusto o seguinte: tinha uma colega que não obtinha bons resultados no ensino dito normal e mudou para um curso profissionalizante. Teve notas elevadíssimas (como era de esperar) e agora inscreveu-se para realizar o exame de Português, para ter uma prova de ingresso para entrar na Universidade. O concurso nacional em que vai concorrer é o mesmo que todos os outros, que se esfalfaram a estudar no ensino "normal" e que são capazes de ficar com uma média baixa. Concluindo, obviamente que vai "passar" à frente de todos estes!
    Isto sim, acho de uma injustiça extrema!

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  9. post bem escrito....
    várias problemas ocorrem em faculdades particulares (faço parte de uma) na minha existe um professor sem mestrado destes de segundo grau, ele reprova sem piedade é irônico, as provas são marcadas nas vesperas do fim de periodo de modo que não teremos mais contato com ele ao sair as notas... reclamei diversas vezes, reuni grupos de amigos e fomos a coordenação para que pudessemos obter uma solução, a solução nunca veio e mais e mais alunos foram reprovados, não pelo ensino mais sim pela didatica do professor, fata profissionais capacitados nas faculdades...isso é certo tambem, alunos despreparados tbm existem mais quase sempre na faculdade se aprende coisas diferentes do segundo grau...por isso se chama graduação não é?

    ps: minha faculdade foi vendida para a puc e o professor foi demitido por não possuir mestrado e nem doutorado... um incapacitado lecionava.....!!!!

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  10. O meu caso é diferente eu vou ingressar este ano na faculdade. Mas em Lisboa por meio-valor não entro no curso que quero e vou ter de ir para outra cidade Évora ou Coimbra.... Mas alugar um quarto, alimentação, viagens etc... fica praticamente o mesmo que ir pra uma privada em Lisboa!
    O meu problema é q se vou para uma privada fico logo apelidada pela ''burra'' que não consegue ingressar na pública! Ou pela ''filha de papás ricos''!
    O que já me aconteceu na escola´secundária publica onde andei! Mas pronto... Vivemos é num país de preconceitos e tal! Tenho perfeita noção se for para a privada vão colocar-me de parte nas entrevistas de emprego ... e não dão tanto valor a um 15 da privada como a um 13 da pública! -.-'

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