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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Teresa Guilherme, a apresentadora-taxista.

          Em que momento é que a Teresa Guilherme se tornou tão má apresentadora?

          Lembro-me de ter cinco ou seis anos e ver o Big Brother religiosamente, e achar a apresentação da Teresa uma coisa fenomenal. Ou ela mudou drasticamente ou fui eu que, simplesmente, cresci.
          Os textos são péssimos (este adjectivo chega a ser simpático para qualificar tais obras) e choca-me que a Teresa dê a cara por eles. Se fosse apanhada de surpresa por uma espécie de guião daqueles num teleponto, improvisava! Alguém deveria avisar a senhora e quem escreve os textos (se não são a mesma pessoa) que repetir a mesma piada até à exaustão e falar em rima não traz audiências (?).
           Como se já não fosse mau o suficiente aturar chalaças fraquíssimas, o espectador leva com o opinar da Teresa Guilherme que só me faz lembrar um taxista: tem opinião sobre tudo. É tendenciosa, manipula o público (ao menos que só o fizesse com os jogadores) e chega a ofender pessoas que estão no estúdio - basta relembrar que já chamou feio a um moço.

           Fraca apresentação, fraca produção, forte manipulação.
           É penoso assistir a uma gala da Casa dos Segredos.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O inquérito da Sábado

      Acho lamentável que se faça tamanha generalização como a que podemos ver neste artigo e vídeo da revista Sábado. Penso que 100 universitários é um número insignificante no universo de estudantes do ensino superior português para que se conclua que todos são ignorantes (como leva a entender o título "A ignorância dos nossos universitários").
       Não digo que seja perdoável ver jovens adultos com uma tremenda falta de cultura geral mas tenho plena consciência que isso é o espelho do estado do ensino português. Que se comparem os nossos testes do secundário com os dos nossos pais! Que sejam notadas as diferenças radicais no que à exigência diz respeito. Tenho um irmão apenas quatro anos mais novo e consigo ver que o ensino foi mais difícil para mim do que já é para ele. Os alunos são levados ao colo com notas médias de 15 ou 16 até ao fim do secundário porque para os professores é uma trabalheira preencher a porcaria duns papeis quaisquer que justifiquem a reprovação de um aluno - são os próprios a admiti-lo.
       Eu, que estou no meu segundo ano enquanto aluna da Universidade de Coimbra, cheguei até aqui sem nunca, em situação alguma, me ser perguntado no ensino básico ou secundário o que é a Capela Sistina, quem é o Manoel de Oliveira, quem é o Presidente da Comissão Europeia, o que é O Padrinho ou quem fundou a Microssoft. Em 12 anos de ensino tive um horário preenchido com coisas sem jeito nenhum - disciplinas como Formação Cívica onde não se faz nada, Estudo Acompanhado onde nada se faz e Área de Projecto onde se copiam páginas da internet e se entregam a professores obtendo a classificação de Muito Bom. Será que não era de aproveitar estas quatro horas e meia semanais para despertar a pequenada para o cinema, para a política (hoje ser-se in é dizer-se que não se liga a política), para a literatura, ...?
      Se eu sei as respostas àquelas perguntas é porque os meus pais colmataram as falhas colossais do nosso ensino e me puseram a ler, a gostar de música, a ver cinema, a aprender história e ver documentários, a ter interesse em saber o que se passa no país e no mundo, enfim, um conjunto de coisas que deveriam fazer parte da tal formação cívica prevista no plano do 2º e 3º ciclos do ensino básico. Nem todos tiveram a mesma sorte e, certamente, farão parte da massa de alunos que não tem conhecimentos básicos.
       Como se pode esperar que um estudante do secundário, neste momento, saiba o que é O Padrinho se os pais não falarem no assunto? Na televisão estão cinco ou seis filmes (de qualidade dúbia) disponíveis que são transmitidos de forma cíclica. Muitos pais ou não ligam a cinema ou nunca se lembraram de mostrar estes filmes aos filhos. O ensino português está feito para que toda a gente passe e que os desinteressados sejam reencaminhados para um curso qualquer que vão fazer com uma perna às costas e com óptimas notas. Além disto, nenhum professor acha produtivo "perder tempo" a incentivar os alunos a pesquisar sobre filmes, sobre livros, sobre política... Tantas horas semanais "vazias" que podiam ser preenchidas com debates sobre temas relacionados com a actualidade, com o visionamento de clássicos do cinema, com pesquisas sobre pintura, escultura, etc. ...
        Quer se queira admitir ou não, aquelas respostas disparatadas são o resultado da formatação do nosso ensino e dos valores agora defendidos na nossa sociedade. Todavia convém relembrar que as respostas mostradas foram seleccionadas e só foram exibidas as mais cómicas.


    Deixo também aqui o comentário de um dos visados no vídeo ao mesmo. Ele faz acusações à jornalista como a de manipulação de imagem entre outras. Vale a pena ler.

(P.S.- Concordo que a minha geração tenha muito mais facilidades do que a dos meus pais, mas creio que essa facilidade e o excesso de informação tenha levado a uma dispersão de valores. Sabe-se um pouco de tudo menos do essencial - o básico, a cultura geral. Ainda assim sou obrigada a atribuir grande parte da culpa à mudança radical da estrutura do ensino.)