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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Complicar o fácil

         A minha senhoria gosta de complicar. Não arranjo outra maneira de dizer isto.
      
         Para uma coisa tão simples e que lhe é tão conveniente, o pagamento da renda, conseguiu arranjar um berbicacho que não lembra a ninguém. Perguntei-lhe se me podia dar os dados necessários para que fizesse o pagamento por transferência bancária, a maneira que a meu ver é a mais prática e cómoda para ambas as partes. A senhora, que até é uma moça com os seus trinta e poucos, deve ter achado que queria vigarizá-la, sei lá, e recusou esta ideia.
    
          A sugestão dela era que eu uma vez por mês fosse até à casa dela deixar o cheque a ela ou ao companheiro. Eu não tenho carro e ela mora longe o suficiente para ter de apanhar dois mil e trezentos autocarros e perder umas 2 ou 3h para resolver um assunto que em segundos ficava tratado.

         Contestei a ideia e a senhoria teve outra solução brilhante. Ela passaria cá por casa um dia marcado e encontravamo-nos para o pagamento. Ela trabalha quase sempre de manhã e fica com a tarde livre. Eu tenho algumas manhãs livres e as tardes são todas passadas na faculdade. Claro que esta ideia também caiu por terra por completa incompatibilidade de horários.

        Depois dela perceber que eu também não ia facilitar e aceitar uma ideia estapafúrdia qualquer só porque a senhora não aceita a porcaria da transferência bancária, optámos por fazer uma cópia da chave da minha caixa de correio, onde deixo a renda para a senhora vir levantar na data que acordámos como dia de pagamento.

        Continua a não ser a solução mais cómoda para ela porque tem de vir cá, e para mim que tenho de deixar que ela tenha acesso à minha correspondência toda. Mas quando se lida com quem gosta de complicar, não há nada a fazer. E é por isto que o país não anda para a frente.

8 comentários:

  1. Pois, pagamentos deve ser um tema traumático para senhorias...A minha, n sei pq, teima com a transferencia e, em seu lugar, quer que se pague tudo por depósito...Acho que ela ser sócia de algum bando de ladrões, que anda à espreita sempre que vamos levantar o dinheiro para ir pagar a mulher ao banco...:P

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  2. @Rosa Branca: Quem sabe! Eu não entendo mesmo porque é que teimam em complicar. Não era mais fácil a senhora dar-me o nib e eu resolvia a questão em minutos? Ela deve achar que eu fugia, sei lá. Que não me punha a vista em cima e eu não pagava.

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  3. É que ainda por cima ela é 93 e eu só tenho 91 e 96! Para a avisar que o pagamento já está disponível tenho sempre de gastar dinheiro. Isto não cabe na cabeça de ninguém.

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  4. Ai ai Duda! E quem saiba qual a tua caixa de correio e decida ir buscar também uma renda? :p Too much information!

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  5. Pensei nesse assunto maaaas, ninguém sabe onde moro - excepto os meus pais, obviamente. Além disso, eu e a senhoria marcamos o dia todos os meses. Mais ainda, nem nada está em meu nome, pelo que é impossível saber-se grandes informações.

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  6. Ah, e eu, no fundo, tenho esperanças que a senhoria perceba que é um processo incómodo e que a transferência é mais rápida e mais segura.

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  7. Olá Maria Eduarda. Vou deixar-te o meu comentário porque também já passei pelo mesmo.
    A maioria dos senhorios que encontrei quando arrendava 1 quarto (tempos de estudante)também não queriam que fizesse transferência bancária e, tal como a tua senhoria lembravam-se assim de soluções estranhas. Contudo, passado algum tempo comecei eu impor as regras, visto que sou eu que pago, e se este senhorio não aceitar então para mim não serve.
    Como a grande parte dos senhorios não quer passar recibo, ou seja, declarar às finanças o rendimento, a única forma de provar que paguei a renda é a transferência bancária. Até a garagem que arrendo à parte a outra pessoa eu pago por transferência, apesar de ser um valor pequeno e eu passar diariamente pelo proprietário.
    Se a tua senhoria ainda por cima é nova não vejo justificação para não aceitar. No teu lugar eu insistia com ela, ou então que te dê uma explicação plausível.
    Beijinhos.

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  8. Coquinhas, muito obrigada pelo teu comentário! Eu acho que vou seguir o teu conselho e ter uma conversa com a senhora que deveria, de facto, ter uma mentalidade que se coadunasse com a idade dela.

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