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quinta-feira, 29 de março de 2012

As pessoas andam a precisar de calor humano

         Através de uma série de acontecimentos do meu quotidiano concluí que há muita gente a precisar de sentir o calor humano. Ora vejamos.

          Nas aulas opto, sempre que não estou com pessoal conhecido, por ficar sozinha numa bancada da frente mas nas alas laterais da sala. Assim, não só não me distraio com ninguém como estou longe do barulho alheio e ouço melhor a aula. Isto nos primeiros 2 ou 3 minutos funciona perfeitamente. Depois disso, há sempre, e que se dê ênfase ao sempre, uma alminha que acha boa ideia sentar-se ao meu lado. Caríssimos leitores, eu não me refiro na mesma bancada, ou um ou dois bancos afastado de mim. Não, mesmo coladinho a mim e decide espalhar os seus pertences ocupando parte do meu espaço (estou sempre nas pontas).
            Quando a pessoa não se senta ao meu lado, senta-se com um lugar de espaço e opta por pôr a tralha toda dela no banco que nos separa. Com isto, eu, que estou na ponta, tenho de ficar com uma série de coisas ao meu colo.

           Não sei se o que contarei a seguir só me acontece a mim ou se é comum mas é uma coisa que me irrita profundamente.
           Sempre que estaciono o carro, por mais que me afaste da localização de todos os outros carros, quando regresso, há sempre um marmanjo que achou que o melhor lugar era o que estava ao lado do meu carro. Mas isto é sempre. Não há excepção nenhuma. O resto do estacionamento pode estar vazio, mas mesmo que só apareça mais um veículo, mete-se ao meu lado.

            Também já me aconteceu sentar num daqueles lugares de autocarro que têm espaço para duas pessoas e, apesar de estarem mais mais 5 ou 6 bancos iguais vazios, quem entrou no transporte achou que a metade do meu banco que estava livre era a melhor.

             Ainda não percebi se isto deveria ser alvo de estudo sociológico ou não. Só tenho noção que estas aproximações de pessoas no meu espaço não me agradam. Se calhar uso um bom perfume. Quiçá.
          

quarta-feira, 21 de março de 2012

Os gajos da CP

      Os gajos da CP despertam os instintos mais animalescos que há em mim. Cada vez que quero deslocar-me e eles decidem fazer greve, subitamente, a ideia do fuzilamento em grupo soa-me muito bem.
      
      É sabido que amanhã há greve geral. Mas também todos temos conhecimento que fazer greve unicamente no dia marcado é para meninos. Os tipos da CP estão a fazer greve desde segunda-feira. Pois é, segunda lá estava eu a tentar regressar a minha casa quando me apercebo que teria de ficar plantada na estação umas horinhas até que um tipo decidisse trabalhar.
      Assim que chego à estação e peço o bilhete sou logo recebida com uma doçura de um tratamento que me fez ter vontade de ver aquele homem carrancudo a ser submetido a um processo de empalamento. Além de me ter falado num tom pouco agradável para quem trabalha no atendimento ao público, quase me ameaça de porrada porque não ouvi o que ele disse à senhora que estava à minha frente - que estavam em greve e que não havia comboios nas próximas duas horas, mais coisa menos coisa.
       Depois de tomar consciência da situação, dirigi-me a outra cabine para procurar mais esclarecimentos e qual não é o meu espanto quando a senhora que me atende me vende um bilhete. Ao que parece, nem os próprios funcionários estão de acordo em relação aos combios que há e se podem vender bilhetes ou não. Enfim, um dia normal na CP que já tomou gosto às greves.
        Para além destas logísticas todas há uma coisa que me intriga. Tenho lido em diversos locais que a CP é das empresas que mais prejuizo dá ao Estado anualmente. Como raio ainda se dão ao luxo de fazer grevezinhas de quase-uma semana? E os salários mínimos dos trabalhadores também são bastante agradáveis para o panorama que se vive. Estes dados foram retirados de artigos na internet que de momento não me apetece procurar de novo. Contudo, basta procurar no Google que aparece muita informação.
         Se há um dia marcado para a greve, e se sentem esta vontade tão extrema de se revoltarem, que o façam no dia marcado evitando prejudicar a vida de quem nada tem a ver com o assunto - aliás, tem porque pagamos uma crise que não criámos.
      
        Mas o que mais me importa: como raio estou eu a pagar 8,95€ por um regional se em Setembro de 2010 estava a pagar 8€ por um intercidades?! Como é que isto encareceu tanto e eu nem fui dando por ela? Pago quase nove euros por uma viagem que dura 2h30 e que podia ser feita em 50 minutos num intercidades (a pagar, agora, 12,5€).
        Estamos perto do fim do mundo.