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quarta-feira, 21 de março de 2012

Os gajos da CP

      Os gajos da CP despertam os instintos mais animalescos que há em mim. Cada vez que quero deslocar-me e eles decidem fazer greve, subitamente, a ideia do fuzilamento em grupo soa-me muito bem.
      
      É sabido que amanhã há greve geral. Mas também todos temos conhecimento que fazer greve unicamente no dia marcado é para meninos. Os tipos da CP estão a fazer greve desde segunda-feira. Pois é, segunda lá estava eu a tentar regressar a minha casa quando me apercebo que teria de ficar plantada na estação umas horinhas até que um tipo decidisse trabalhar.
      Assim que chego à estação e peço o bilhete sou logo recebida com uma doçura de um tratamento que me fez ter vontade de ver aquele homem carrancudo a ser submetido a um processo de empalamento. Além de me ter falado num tom pouco agradável para quem trabalha no atendimento ao público, quase me ameaça de porrada porque não ouvi o que ele disse à senhora que estava à minha frente - que estavam em greve e que não havia comboios nas próximas duas horas, mais coisa menos coisa.
       Depois de tomar consciência da situação, dirigi-me a outra cabine para procurar mais esclarecimentos e qual não é o meu espanto quando a senhora que me atende me vende um bilhete. Ao que parece, nem os próprios funcionários estão de acordo em relação aos combios que há e se podem vender bilhetes ou não. Enfim, um dia normal na CP que já tomou gosto às greves.
        Para além destas logísticas todas há uma coisa que me intriga. Tenho lido em diversos locais que a CP é das empresas que mais prejuizo dá ao Estado anualmente. Como raio ainda se dão ao luxo de fazer grevezinhas de quase-uma semana? E os salários mínimos dos trabalhadores também são bastante agradáveis para o panorama que se vive. Estes dados foram retirados de artigos na internet que de momento não me apetece procurar de novo. Contudo, basta procurar no Google que aparece muita informação.
         Se há um dia marcado para a greve, e se sentem esta vontade tão extrema de se revoltarem, que o façam no dia marcado evitando prejudicar a vida de quem nada tem a ver com o assunto - aliás, tem porque pagamos uma crise que não criámos.
      
        Mas o que mais me importa: como raio estou eu a pagar 8,95€ por um regional se em Setembro de 2010 estava a pagar 8€ por um intercidades?! Como é que isto encareceu tanto e eu nem fui dando por ela? Pago quase nove euros por uma viagem que dura 2h30 e que podia ser feita em 50 minutos num intercidades (a pagar, agora, 12,5€).
        Estamos perto do fim do mundo.

5 comentários:

  1. Estas greves só servem para encher o ego deles. Não têm qualquer efeito prático a não ser chatear os utentes.

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  2. Ah, eis uma justificação simples que eu entendo que faça sentido! Era haver alternativa que eu contava-lhes uma história.
    Se me apanho de carro... É que nos dias que correm já nem compensa o comboio em comparação à gasolina. Por 16€ ou 25€ (dependendo do comboio escolhido) por fim de semana, é preferível não me sujeitar aos caprichos da CP e pagar o mesmo por gasolina.

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  3. Concordo, concordo e concordo! Se há coisa que nunca hei-de entender é essa tendência p'ra começar a greve antes do tempo! E o aumento dos preços é outra...para a minha terra tenho autocarro e comboio. Antes o comboio era mais barato que o autocarro, agora já é bastante mais caro (o regional). Não se compreende!

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  4. Eles fazem greve porque são os unicos que podem fazer aquele trabalho...

    Se eles não tivessem um trabalho especializado, muito dificilmente substituível (pelo menos sem que os sindicatos dêem conta disso e iniciem mais uma "jornada de luta") não faziam tantas palhaçadas como esta...

    Mas pior ainda são os 1001 privilegios que tem...

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  5. Jude: Por acaso nunca fui de autocarros (expressos) pelo que não faço a menor ideia dos preços. Mas lembro-me bem de pagar 5€ e pouco pelo regional para ir para casa! Agora pago mais do que se fosse de intercidades na altura! E ainda são duas horas e meia de caminho, é uma tortura.
    Era fazer boicote total à CP e ver como reagiriam.

    Akkot: É verdade. Se o trabalho deles fosse facilmente substituído gostava de ver se havia esta rambóia toda de greves. Sim, eles têm privilégios absurdos! Aquilo dos familiares não pagarem sequer as viagens não tem ponta por onde se pegue. Depois ando eu a pagar pela boa vida alheia. O país precisa de um abanão.

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