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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Acordar de mau humor pode ser divertido

   Tenho o pior acordar do mundo, todos os dias. A primeira meia hora do dia (no mínimo) é sagrada e se quem estiver comigo tiver amor próprio não ousará dirigir-me a palavra até que eu tome a iniciativa.
   Mas, às vezes, devido a alterações hormonais mensais inerentes ao facto de eu ser detentora de um pipi, o mau humor estende-se pelo dia fora. E estes são os mais divertidos. Torno-me tão implicativa e instala-se um mau estar tal, que acabo sempre a rir de mim e das minhas respostas desproporcionais a acontecimentos mundanos.
   Hoje foi um desses dias em que tudo corre mal (pelo menos na minha cabeça) e eu só digo disparates. Assim que acordo, com uma indisposição infernal, tenho de decidir o que vestir. A tarefa seria corriqueira não estivesse eu a sentir-me em modo foca, com olheiras até aos joelhos. E que escolho eu vestir nestes dias? As combinações mais hediondas que consigo arranjar. É uma coisa que está no meu sangue: quando acordo mal disposta passo a achar possível tornar-me invisível se me mascarar de alguém do século passado, com outfits de quem tem problemas mentais. E olho ao espelho e rio-me.
    Passo então para a cozinha para comer e arranjar um lanchinho para aguentar as 4h de vazio passadas na faculdade. Depois de entornar leite, cereais, de pisar a gata, fechá-lá no frigorífico e coisas que tais, consigo comer. Quanto ao lanchinho, que consiste em amêndoas e bolachas maria, pois, estão as migalhas na pá porque a gravidade existe mesmo que eu não queira. Ao fim de cem m€rd@ e f0d@$$€, de gritar com o mundo, rio-me.
    Quando consigo sair de casa, quase de certeza num bad hair day (porque uma desgraça nunca vem só) o elevador demora cinco minutos a chegar ao meu andar. No fundo, estou em sintonia com todos os meus vizinhos, e achamos que sair todos de casa à mesma hora é divertido. Fico a resmungar como se aquilo fosse o fim do mundo e, depois de perceber que é uma razão estúpida para me irritar, rio-me.
    Já na rua, o autocarro atrasa-se, eu deixo cair o passe na lama, o telemóvel esbardalha-se no chão e fica em mil peças e começa a chover (tal como esperado num dia destes, esqueci-me do guarda chuva). E eu olho para o cenário e rio-me.
    Dentro do autocarro da-me uma sede dos diabos, abro a mala e, oi?, esqueci-me da garrafa de água.
    Já na faculdade é normal que o professor decida faltar depois de eu ter sofrido com toda uma odisseia de estupidez. Faço a retrospectiva da manhã, solto um f0d@$$ mental e... rio-me!
   Ter um pipi, bem vistas as coisas, não é assim tão espectacular.

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