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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Mães com filhas soberbas. E púdicas.

   Rio-me para dentro sempre que ouço algumas mães falar das filhas. Estas mães endrominadas falam da sua prole como se fosse sequer razoável imaginar uma jovem mulher, na casa dos vintes e a morar fora da casa dos pais com amigo(a)s, desconhecer o que é sexo. 
   O que eu ainda não entendi, é se as mães andam enganadas pelas filhas ou se querem enganar as outras mães dando a entender que, perante aquela moça pura, deram à luz uma libertina. 
   O primeiro cenário é triste. Primeiro, porque a relação entre a mãe e a filha deixa muito a desejar. Segundo, porque a mãe acredita na história ridícula. Suponhamos que o que somos interpelados por uma mãe endrominada que diz algo do género: "ai, a minha filha é tão engraçada. Agora toma a pílula por causa das borbulhas. Coitada, ela até me diz que tem vergonha, porque nem tem namorado nem nada, até me perguntou se era expectável ouvir um casal gargalhar durante o acto, que ela não imagina como é. Ultimamente ela renovou o conjunto de roupa interior. Comprou tangas, tão fofa. Mas ficou constrangida, porque nem sabe para que quer aquilo, porque não tem namorado. Já disse que não tem namorado? Nem pensa nisso, que querida". Eu fico sempre sem reacção.
   O discurso destas mães tem sempre subjacente a ideia de terem dado à luz uma criatura eternamente casta enquanto que as outras, coitadas, têm filhas que sabem o que é o love making, essas ordinárias badalhocas. 
    Isto faz-me sempre recuar uma serie de décadas. Não somos livres? Como pode a mulher ser livre quando ela mesma julga as demais? Eu acredito que cada um pode fazer o que bem entende e deve dormir com quem bem lhe apetecer. Se isso se traduz numa pessoa toda a vida, bestial, se se traduz numa por mês, bestial também. Cada um sabe de si e estas mães, que não imaginam a vida das filhas, não hesitam em opinar e criticar outras filhas que fazem precisamente o mesmo que a sua.
   E se estas mulheres sabem a verdade mas optam por vender uma história diferente? Aqui lidamos só com estupidez. Seria preferível nem tocar no assunto em vez de entrarem no papel de falsas púdicas. É que chateia e é uma farsa com telhado de vidro.

   

3 comentários:

  1. Como meu primeiro comentário a este blog que não tem nome original, convido-te a passear pelo meu blog ( http://somaisumcoiso.blogspot.pt/ ).

    É verdade que muitas das pessoas que por aí andam pensam que têm filhos génios e, mesmo sabendo os seus podres, aos olhos das outras mães querem mostrar o orgulho que no fundo sentem, sem dizer bem a verdade.
    E penso que é o que acontece nos casos que relatas, não sendo por mal em alguns casos.
    Nos outros, é só tentar passar um atestado de estupidez a quem sabe bem qual é a verdade.
    Concordo contigo nessa questão.

    P.S. É sempre bom lançar a boca, pois mas eu vi-a com um rapaz no outro dia.

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  2. Querida Maria Eduarda,
    Essa dos telhados de vidro é o meu pai que está sempre a dizer! Sinceramente, não podia concordar mais contigo. Tenho pena dessas mães porque acontece que, às vezes, as piores são as filhas delas.

    Fazer o quê? Deixá-las na ilusão e vivermos connosco (e, eventualmente, com as nossas filhas) da melhor maneira possível.

    Love xx
    www.helenaduque.com

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  3. @Emanuel
    os casos que conheço! na sua graaande maioria, são de pais que sabem o que têm em casa mas não existam em julgar os filhos dos outros. Há malícia, e essa faz-me sempre espécie.

    @Helena
    Sempre que o falar dos outros não é inocente incomoda-me. Uma coisa é comentar, outra é construir uma conversa que visa beliscar terceiros. E todos sabemos tanto dos filhos dos outros e não abrimos a boca, não é? :p estou de consciência tranquila mas este assunto irrita-me porque sou obrigada a lidar com pessoas assim, triqueiramenre maliciosas,

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