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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ainda há Dia da Defesa Nacional?

       O meu irmão recebeu ontem a carta com a convocatória para ir ao Dia da Defesa Nacional e eu pensava que isso já nem existia. Afinal, que sentido faz manter essa palhaçada formalidade?

       Há uns anos também eu tive de comparecer em Santa Margarida para cumprir o meu dever (?) e passar um dia profundamente entediante e inútil. Tudo soou a campanha do género "isto é tudo tão giro, juntem-se a nós". Se aquilo fosse, efectivamente, assim tão giro, nem precisavam de obrigar o pessoal a perder um dia inteiro a ver vídeos, ouvir palestras e ver armas para tentar convencer alguém a alistar-se na marinha ou no exército. 
      Mesmo que a vida militar seja espectacular, por que carga de água tem essa profissão direito a um dia dedicado a si, com comparência obrigatória que, não sendo respeitada, dá lugar a multa e proibição de exercer funções públicas? É um dia com um propósito absolutamente obsoleto. 

    Ainda convém frisar que o almoço servido foi uma espécie de mixórdia que se assemelhava, muito vagamente, a uma jardineira - e que quase toda a gente deixou ficar no prato. Além disso, para o lanche deram-nos, simpaticamente, um nougat. E já temos um dia chato e marcado pela fome.

     Quando fui chamada, em finais de 2010, o transporte para o campo militar era oferecido. Isto parece-me lógico - se eu sou obrigada a ir, então que me seja dado um meio de transporte. Não faz sentido ter custos com uma coisa que, apesar de obrigatória, é inútil.
       Ás seis da manhã lá fui eu para perto da Câmara Municipal de Coimbra, apanhei o autocarro e rumamos todos para Santa Margarida.

       Na carta que o meu irmão recebeu vêm anexados mais dois papeizinhos. E o que são? Requerimentos para pedir transporte, de ida e/ou de volta. Portanto, o procedimento base já não é oferecer transporte a toda a gente mas pedir que seja apresentado um requerimento. 
        Ainda constatei que há casos em que a data que vem na carta é diferente da que aparece no edital da junta de freguesia. Portanto, isto está tudo num estado de bandalheira total. 

       Portugal é o país onde só se perde tempo com coisas que não interessam para rigorosamente nada e onde os assuntos fulcrais são chutados para debaixo do tapete.

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