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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A aventura Roma começou hoje

          São 22h44 no momento em que começo a escrever isto - mais uma hora que em Portugal. Hoje tive um dos dias mais estafantes de que tenho memória.

          O dia começou lá para as duas e tal da manhã, hora em que acordei (de um sono curto de duas horas) para terminar a mala de porão e a de cabine, certificar-me que não excediam os pesos limite e que não me esquecia de nada fundamental. 
          Uma hora depois estava a rumar ao Porto, onde esperei até as 7h20 para descolar - e omite-se aqui o episódio melodramático de uma despedida que não o é uma vez que daqui a um mês tenho de regressar uns dias curtos a Coimbra.

           O voo com a TAP foi muito tranquilo e o pequeno almoço foi muito mais do que eu esperava. Consolou-me o estômago que só tinha visto água e umas bolachas Maria lá para as quatro da manhã.


          Durante a aterragem comecei a ter umas dores de ouvidos horríveis e fiquei "surda" - estado que ainda se mantém, ainda que ligeiramente mais atenuado. Se alguma alminha souber como solucionar este problema, que se acuse porque ter de entender estrangeiros e não conseguir ouvir são coisas incompatíveis.

          Assim que pisei solo romano foi saudada com um calor que não vi este ano em Portugal. Um abafado tal que até o vento era quente. Ás onze da manhã já os termómetros marcavam 28ºC o que, para ter de andar a carregar quase 30kg em malas foi uma recepção demasiado calorosa. 

          Sempre que precisámos de ajuda (eu e a rapariga que veio comigo) alguém se prontificou a ajudar, a explicar, a encaminhar - mesmo quando o único dialecto em que falávamos era um portulianoglês. Nesse ponto, os italianos já ganharam um lugar no meu coração. Mas depois têm um trânsito absolutamente caótico - pelo que já compreendi, a regra é a inexistência de regras. E também têm ruas sujas sujas sujas.

          Marcámos encontro com o dono da casa para onde viemos morar às 13h. Em italianês isso quer dizer que ele apareceu às 14h, como se fosse normal ter-nos deixado plantadas uma hora, sem ter como sair dali porque as dores de costas já não permitiam carregar mais as malas. 
          Assim que entrámos no apartamento ficámos agradavelmente surpreendidas com o tamanho do quarto. É enorme e tem imensa arrumação (à excepção de cabides). Eu, ao desfazer a mala, fiquei imediatamente preocupada com a quantidade de camisas de manga comprida que trouxe e que de nada me vão servir até Outubro e com a falta de roupa fresca. 
          Depois de uma análise mais cuidada percebemos que a cozinha, adjectivada como "kitchen and living room" pelo dono do apartamento mas que na verdade é minúscula e apenas lá cabem duas pessoas, precisava de uma limpeza a sério. A loiça e afins estava peganhenta, assim como os móveis. 

          Depois de desfazer malas e de ver bem a casa fomos conhecer a área e ver onde eram os supermercados para comprar comida e produtos de limpeza. Percebemos então que os italianos têm lojas por categorias. A mesma cadeia tem uma loja onde só vende detergentes e cremes e outra onde só vende comida e bebida. O choque é acompanhado pelo embate com os preços de tudo. Regra geral, tudo custa o dobro. Ou pelo menos mais um terço do que em Portugal (comprei bananas a 1,89€/kg).
           
          Como só temos quatro braços e tivemos de comprar várias coisas, optámos por vir a casa, comer qualquer coisa e voltar a sair para comprar o que faltava. O nível de energia já estava no menos um.

          Mais uma volta ao quarteirão, adaptador de corrente comprado, lojas dos chineses identificadas, supermercados visitados e compras feitas, regressámos a casa de vez e iniciámos a limpeza. 
          Chão, paredes, armários, todos os talheres, pratos, copos, tachos, louça de servir o comer, louças de casa de banho, tudo! Foi tudo corrido a pente fino com desinfectantes e afins e, apesar do dono do apartamento ter dito que tinham sido feitas limpezas profundas à casa, a água e os esfregões saíram sempre pretos. Tornámos o quarto, a casa de banho e a cozinha num verdadeiro lar. 

          Agora, depois de horas à guerra com o router (e do abençoado do meu irmão, via skype, ter conseguido solucionar o problema), estou com o computador ao colo a lutar por ficar acordada enquanto escrevo isto, sem conseguir manter um raciocínio lógico e uma sequência razoável das ideias de tão cansada que estou. Sinto os meus pés a chorar de tantas dores e amanha as 9h estarei, espero!, a matricular-me. 
          
          

3 comentários:

  1. Em relação aos ouvidos, é por causa da descompressão quando o avião baixa de altitude. Nunca tinhas andado de avião?
    Isso resolve-se na hora, quando o avião vai baixando de altitude e sente-se a ficar com os ouvidos entupidos, tapas o nariz e fazes força para empurrar ar para os ouvidos de modo a que o ar saia por eles. Isso é suficiente para os desentupir ;)


    Camisas de manga comprida.....not a problem.....arregaças a manga :P

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    1. Já me tinha acontecido outra vez. E fiz exactamente o que disseste mas não ajudou em nada - nem sei se não piorou.

      Da outra vez demorou uns 9 ou 10 dias a passar. Espero que agora demore menos!

      Não dá. Camisas com esta temperatura só para derreter. Isto está que nem lar de satanás :P

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    2. É assim que toda a gente faz, portanto ou estás a fazer mal ou tens demasiado cérebro a tapar-te os ouvidos :P

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