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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Roma aos olhos de uma Erasmus #1 - Os transportes

          Já a conseguir cheirar o fim da minha aventura Erasmus (lá para Janeiro hei-de estar de volta definitivamente a Portugal), decidi começar uma pequena série de textos sobre Roma e a minha opinião enquanto estudante aqui. Começo pelo tópico que acho que choca qualquer pessoa que chegue aqui sem alguma ideia do que esperar - os transportes.


       Generalizando, em Roma tudo funciona mal. O sistema de transportes públicos assim como o trânsito não são excepção - assemelham-se aos de um país terceiro-mundista. 
       Lembro-me de chegar aqui, no início de Setembro, e ter ficado parada uma quantidade estúpida de tempo à beira da estrada, carregada com as malas, à espera de oportunidade para atravessar. Ingénua, está claro. Devia ter percebido de imediato que se avizinhavam meses complicados porque os romanos fazem tudo de maneira diferente.
      Aqui a regra é não haver regras. Semáforos? São meros indicadores luminosos cuja sugestão pode ou não ser seguida. Mesmo quando a luzinha fica verde para os peões e eu, na minha boa fé, meto o pé à estrada, levo logo com mil buzinadelas porque o trânsito quer seguir (mesmo estando sinal vermelho para eles). De duas faixas marcadas na estrada fazem-se, na realidade, três de transito absolutamente compacto. Os carros são maioritariamente pequenos e/ou velhos e estão quase sempre esmurrados, característica que não me parece que os donos dos veículos tenham planos em alterar. Uma vez que é tão complicado conduzir nesta cidade, a maioria das pessoas opta por andar de mota e tornar-se ainda mais selvagem - assim que se apanham livres de uma carapaça de metal gigante acham que cabem em todas as frechas livres e é ver motas a surgir de todo o lado.

        Á semelhança do que já acontecia em Coimbra, utilizo autocarros para ir para a faculdade todos os dias. E como começar a descrever a sensação de andar num transporte público em Roma...? Já viram aquelas fotos da Índia, penso eu, em que há pessoas em cima dos comboios porque estes estão tão cheios que só sobra espaço do lado de fora? É mais ou menos isso, com a diferença que os italianos se põe a gritar que tem de haver espaço e o pessoal comprime mais e mais e mais. Já duas ou três vezes achei que ia desmaiar. Sem exageros. Há ali um limite de "compactação" em que respirar se torna uma missão dificílima. E ninguém faz nada! Nem o motorista nem os passageiros. É encher até o autocarro rebentar. 
          E alguém controla se têm bilhete ou não? Não. Ninguém pica bilhete em lado nenhum nem há qualquer tipo de controlo. Apenas no metro há a obrigatoriedade de ter um título válido uma vez que sem ele as cancelas não abrem. 
       E horários? Também não há. Pode passar um autocarro agora, outro daqui a 10 minutos e o próximo 40 minutos depois. O máximo que esperei até hoje foi um lindo record de 48 minutos. Já era de noite. Espectáculo, digo eu. 
         E greves? Muitas! Pelo menos uma por mês - na última sexta feira de cada mês. Mas a estas greves "base" vão acrescendo outras. 
        
       Seja louvada a paciência de quem consegue conduzir um carro nesta cidade.

       Fica aqui um curtíssimo vídeo daquilo que podem esperar se decidirem visitar a cidade do Coliseu.


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