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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Afinal, que assuntos são brincáveis?

          Sigo o João Quadros no Twitter há já algum tempo. E, regra geral, reconheço que ele tem um sentido de humor um tanto áspero, na medida em que não é o que agrada a massas e tem tendência a ferir determinadas susceptibilidades. Mas isso faz com o que o que ele escreve deixe de ser humor? Tenho as minhas dúvidas.

          A semana passada alguém pegou em meia dúzia de tweets em que Quadros comentava o facto da mulher de Passos Coelho estar a ser usada como elemento angariador de votos por pena, e deturpou os factos, fazendo parecer que o humorista tinha escrito uma crónica qualquer sobre o assunto. E o mundo desabou. E que o iam processar, e que ele que morresse com cancro (quando o próprio conta que vários familiares morreram da dita doença) e mais um par de botas.

          Acontece que nem os tweets em questão eram tão "ácidos" como alguns que Quadros já fez, nem aquilo que se publica no Twitter deve ser equiparado ao que é escrito no âmbito de trabalho. Ou deve?
          Afinal, com que assuntos se pode brincar? Não éramos todos Charlie? É aceitável satirizar o fundamentalismo religioso ou políticas europeias mas brincar com doenças já é "demasiado agressivo"? Onde está alinha que delimita os assuntos que podem ser abordados e aqueles que o humor não deve conspurcar? Humor, porque fere susceptibilidades, deixa de o ser?

        Se acordamos todos em não fazer piadas com aquilo que poderá ferir a susceptibilidade de alguém, estamos todos condenados ao silêncio.