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terça-feira, 25 de agosto de 2015

A Luísa Castel-Branco e a necessidade de catalogar pessoas

        De vez em quando dou por mim a ver o Passadeira Vermelha, na Sic Caras. Deve ser o comando com vida própria, não sei, mas sem que eu me aperceba lá estou pasmada a ver o programa. Ora, este seria só mais um programa a falar da vida dos outros, sem grande conteúdo, não tivesse escolhido para o painel de comentadores a Luísa Castel-Branco. 
         A Luísa é daquelas pessoas que não aceita os mil cinzentos que há entre o preto e o branco. E isso fica claríssimo quando lhe é pedido para falar de pessoas como a Caitlyn Jenner ou a Conchita Wurst. 
         
      Caitlyn, para Luísa, nunca será uma mulher enquanto não fizer a cirurgia em que troca a sua pilinha por um pipi. Até lá, mesmo que queira ser tratado como Caitlyn, como mulher, será um Bruce. Porque para a Luísa, ser homem é ter pilinha e ser mulher é ser dona de um pipi. É a genitália que determina, para a comentadora, o género, de forma indubitável. Portanto, Caitlyn é um homem com cabelo comprido, maquilhagem, mamas, roupa e hábitos de mulher.
       Acrescenta Luísa: e se eu hoje quiser ser tratado por Osvaldo, também me passam a chamar Osvaldo? Sim, Luísa. 
      
        Conchita já é classificada como uma quase aberração. E mesmo que queira ser tratada como mulher - enquanto Conchita - não pode, porque tem uma pilinha portanto é um homem. 
        Mais: a Luísa põe em questão o valor desta sociedade que tornou a cantora uma figura de luta pela igualdade, pelos direitos de todos, pelo respeito, elogiada pela ONU (o que é ultrajante, diz a comentadora). 
        Acrescenta ainda Luísa: "mas é mulher porquê?". Porque quer, Luísa, porque quer.

        Concordando-se ou não com o percurso das duas pessoas mediática, ambas trazem para a discussão pública questões relacionadas com o respeito pelo próximo. E é precisamente isso que faz falta: respeito! Que quem sofre em silêncio perceba que não está sozinho. 

        Chega desta necessidade absurda de etiquetar pessoas, de enfiá-las dentro de padrões. Sejam mulheres com barba, homens com mamas, gays, heteros, bissexuais, são pessoas! Só isso, pessoas. 
         E se investíssemos o tempo que perdemos a tentar restringir direitos legítimos alheios a tentar procurar uma melhor versão de nós, éramos todos melhores e mais felizes.