Páginas

domingo, 25 de outubro de 2015

          Não consigo arranjar um part-time porque me exigem experiência.   //
          Preciso que alguém me dê uma oportunidade num part-time para ganhar experiência.

sábado, 24 de outubro de 2015

Netflix&Chill

        O tempo tem estado incrivelmente propício para Netflix and Chill. 

        Como não tenho Netflix nem ninguém para Chill, embrulho-me numa manta e enfio a cara nos acórdãos, nas leis e nos códigos, com a missão de organizar os meus apontamentos e fazer resumos razoáveis. 

        Todos os dias acordo com o pensamento "Ainda vou a tempo de mudar para Dança...".

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Não somos a Grécia

         Hoje um professor, durante uma aula, teceu elogios ao impacto da coligação no país. De entre coisas como "Portugal está melhor", "A Europa percebeu que os portugueses são bons alunos e confia em nós", "Se tivermos um governo de esquerda ele vai ter de se ajoelhar e fazer o mesmo que a direita faz"  ...


         ... eu tenho de sublinhar a melhor: "Com a coligação, Portugal ficou bem. Portugal está óptimo... Comparado com a Grécia". 
         Compreendo. Eu sou linda e gostosa. Comparada com a Odete Santos.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Sabem o que é um inferno burocrático?


  •  Lugar onde, por cada problema aparentemente resolvido, surge mais um obstáculo e dois sub problemas - assim uma concretização do "cada cavadela cada minhoca relativa aos problemas académicos;
  • Uma faculdade cujos regulamentos diferem (para pior, porque são mais restritivos) dos da pessoa colectiva a que está subordinada;
    • Queres ir de Erasmus e fazer as cadeiras a que não te deram equivalência ainda no mesmo semestre? Nada disso, esperas por Setembro que é para teres calma que devagar e bem não faz ninguém;
    • Tens direito a inscrever-te a 60 créditos novos + 24 de reinscrição, num total de 84, e precisas de te inscrever a 66 novos + 18 de reinscrição, um total também de 84 créditos? Não podes que isto não é de acordo com a vontade do freguês. Aguardas, que devagar se vai ao longe;
    • Tens duas cadeiras de licenciatura por fazer e querer seguir para mestrado? Óptimo! Mas uma cadeira de dois créditos fica para o ano, mesmo que tenhas créditos livres de sobra para te poderes inscrever. E depois no ano seguinte entregas a tese, amor. Isto é preciso é calma, que é a virtude dos fortes;
  • Um serviço que, para ser capaz de vos prestar apoio numa questão, vos obriga a contactar o Papa, três marcianos e um unicórnio;
  • Uma entidade que decide sempre o oposto daquilo que o senso comum tem como razoável e justo. Se queres ser jurista é bom que tenhas contacto com as adversidades da vida desde cedo, que não andamos aqui a criar meninos. Temos ou não temos juristas, car@÷£ø?

O inferno burocrático é a minha faculdade, pessoas, a minha faculdade! 

Disto do racismo como escudo para tudo

        Sou uma pessoa dedicada à cultura nas suas mais variadas áreas. Como se pode depreender disto, invisto parte do meu tempo a ver A Quinta, o reality show onde entraram alguns famosos que ninguém conhece.
         Um dos ilustres desconhecidos é um tal de Larama, angolano e vencedor do Big Brother do seu país. Acontece que este Larama é um energúmeno que desenvolve actividades como esconder cuequinhas das meninas, ou lá o que senhor fez poucas horas depois de entrar na quinta. Depois faz outras coisas giras, como piadolas misóginas de cariz sexual. É um pequeno labrego, pronto. E isto será, certamente, o jogo dele. Optou por uma postura que choca, que irrita e que faz qualquer pessoa querer entrar no ecrã para sacudir o pó do senhor (em Angola, esta estratégia levou-o ao primeiro lugar, fazendo-o crer que em Portugal tal sucederia novamente). 
         
          O Larama percebeu que o seu comportamento destoava do resto do grupo. De que arma sacou o senhor para se defender? Do racismo, claro. A arma de defesa de qualquer minoria é sacar do facto que o é e camuflar isso com a vitimazação.
          Ora um "suponhamos": tenho mau feitio. Opto por ser uma besta com laivos de psicopatia com qualquer pessoa que fale comigo. Calha que sou obesa. Assim que alguém me confronte com a minha atitude vou defender-me e dizer que estou a ser vítima de bullying porque sou gorda. E este raciocínio vale para imensas situações.

         O racismo é um problema sério, ainda hoje. E quando uma minoria mal comportada saca do escudo do racismo para se proteger, tira o valor da palavra. No dia em que alguém tiver de fazer frente à descriminação de forma legítima, verá a sua força diminuída pela estupidez alheia (como acontece com o feminismo, por exemplo).

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Constatação

       As pessoas que agora acusam BE e PCP de irresponsabilidade por afirmarem não ter planos de aceitar acordos com a coligação e o país estar numa situação política débil, parecem-me ser precisamente as mesmas que festejaram quando os partidos da coligação contribuíram para a queda do governo PS em 2011, também num cenário débil.

Síndrome de Estocolmo?

        Sou uma optimista. Percebi-o quando fiquei chocada com o resultado das legislativas porque tinha a esperança que o povo traduzisse o seu cansaço de ser explorado numa mudança de atitude.

       A verdade é que Portugal reelege sempre quem está no poder, excepto depois do segundo mandato, em que direcciona os votos para o partido que o espezinhou antes do que está no governo. E isto parece-me incompreensível. Passamos anos a queixar-nos das medidas absurdas que nos são impostas e depois legitimados precisamente o mesmo governo?

       Preciso que alguém me explique, devagar, qual é a razão que leva um pobre a votar na direita. Se não tens um tacho qualquer, não beneficias destas políticas ou não tens problemas cognitivos graves, porque dás o voto a um partido que assenta sempre em esmagar a classe média e, sobretudo, a baixa para alimentar as barrigas já gordas de quem não tem fome? 
       E esta dúvida ultrapassa as minhas ideologias. É uma dúvida real. Para a coligação ganhar com quase dois milhões de votos é porque há quem, por alguma razão, lhe reconheça mérito na governação.

      As ajudas à vitória da coligação são o facto de haver quem: a) se sinta impotente e não reconheça poder ao sistema democrático - abstém-se de votar; b) pense que não vale a pena votar porque o poder será sempre atribuído aos dois partidos que habitualmente governam - também se abstém; c) se identifique com um outro partido mas caia no erro do voto útil.

     Mas está tudo tranquilo com os cortes nas pensões, com os cortes na educação e na saúde, com os números assustadores da emigração e do desemprego (real! ninguém come essa história de estágios e mais estágios não remunerados ou mal pagos), com os casos escandalosos de corrupção, com o alargamento do horário de trabalho e supressão de feriados? 

    "I hate victims who respect their executioners.", Jean-Paul Satre.


    Também não é de ignorar que o Bloco conseguiu a novo máximo e que, com a CDU, soma um milhão de votos. Existe, apesar da vitória da coligação, uma vontade de mudar.

domingo, 4 de outubro de 2015

Irritações com boletins de voto

        Não sei se sou eu que sigo as pessoas erradas nas redes sociais mas tenho a minha timeline repleta de pessoas indignadas devido ao facto de ter surgido uma onda de fotografias de boletins de voto.

        Pessoas, decidam-se. Se há abstenção é porque somos todos desinteressados e faz falta um incentivo ao voto. Se o pessoal decide exercer o seu direito e partilhar que o fez (que pode ter mais efeito a levar outros às urnas do que apelos de políticos) o mundo cai, porque os eleitores não o conseguem ser sem esfregar isso na cara dos demais. 

      As pessoas precisam de andar irritadas com qualquer coisa. Como a onda do “aaahhh, seu energúmeno, vais ajudar refugiados mas ajudar tugas 'tá quieto” já se está a dissipar, hoje o tuga irrita-se com papeis impressos… Valha-me deus.

       Mas qual é, afinal, o problema de partilhar a foto do boletim? Só reconheço um: usar o boletim para "brincar", para desenhar piretes ou acrescentar "Bruno de Carvalho" ou "Benfica". De facto, enquanto o tuga der primazia à bola em vez de tentar mudar o país, merece todo o mal que cai sobre ele graças às políticas que não elege.




Parem com isto, pessoas. Não ajuda ninguém nem tem piada. Obrigada.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Dois sisos já foram.

       Faço parte da maioria das pessoas que entra em pânico só com a ideia de ir ao dentista. Tinha a cirurgia marcada para tirar um siso há mais de um mês. Hoje foi o dia que me arrastei até à clínica para me despedir de um siso, pelo menos uma semana depois de ter deixado de dormir decentemente. 

      Quando o cirurgião me viu achou que era viável tirar os dois sisos do mesmo lado. E foi absolutamente indolor. Fico sempre a sentir-me patética por sofrer tanto por antecipação por uma coisa que não custa nada.
      Bem, não custar nada não é verdade. Uma hora depois, já em casa, a anestesia começou a perder efeito no maxilar de cima e vieram as dores. Ainda suportáveis, é certo, mas permanentes e chatas. Diz que amanhã já é suposto não ter grandes dores e dez dias depois é para passar na clínica e tirar os pontos.

      O certo é isto: com dores ou não, daqui a dois dias é dia de exercer o direito de voto! Sem desculpas.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"Votava no PAF? Sim! E na coligação PSD-CDS? Não!!"




       Chegámos a isto. Não me choca. As campanhas são ocas: fala-se em números que as pessoas não entendem e ignoram-se assuntos que, de facto, têm impacto junto dos votantes como educação, saúde, cultura, adopção, aborto, fertilização in vitro para mulheres solteiras, ... 

       Depois é um acumular de gerações em que o ensino não o é! Com o foco de enfiar os miúdos horas e horas na escola, a decorar coisas e a fazer tempo em aulas como "formação cívica", permitiu-se que os putos estejam habituados a que toda a gente pense por eles. Na verdade, hoje consegue-se terminar o secundário sem ter opinião sobre coisa alguma, a ser pouco menos do que um papagaio do que se leu nos manuais. Que tal aproveitar essa tal disciplina de formação cívica para confrontar os miúdos com vários problemas e obrigá-los a pensar, mostrando-lhes o que cada partido/pensador aponta como solução possível? Muitos chegariam aos 18 anos capazes de exercer o direito que ganham nessa idade!

        Os debates são um passar da batata quente, onde arranjar soluções é uma coisa absolutamente secundária face a arranjar um culpado para a situação presente. A campanha é uma extensão disto. 
       Chegada a hora de votar, poucos são aqueles que conseguem responder à questão "o que defende o partido em que vais votar?" e a culpa não é de quem vota (ou não o faz). É de quem não consegue veicular a mensagem, de quem é incapaz de apresentar ideias para problemas, de surgir com soluções explicadas de forma a que todos as entendamos. 

       Hoje, com tantas redes sociais, com a maioria dos portugueses com computador com acesso à internet, não encontro justificação para que um partido/coligação não crie um site, por exemplo, onde apresente as suas ideias para as mais variadas áreas de uma forma clara (ou seja, para que várias idades e classes sociais as consigam entender).

      É fácil culpar as pessoas. Mas quando é a esmagadora maioria que está neste limbo do ""votava Portugal à Frente mas nunca votaria na coligação PSD-CDS" ou "não percebo nada de política", dificilmente a culpa é dessa massa de gente. Os culpados são aqueles que promoveram este estado de coisas, este descolar do mundo político das pessoas (que favorece aqueles que vão estando sempre no poder).

Descobri Orange Is The New Black a semana passada

      E já vi as três temporadas. Há muito tempo que não ficava tão agarrada a uma série. 


      Orange is the new black conta a história de Piper Kerman - na série, Piper Chapman-, uma mulher condenada por lavagem de dinheiro relacionado com o negócio da droga. Baseada num livro de memórias do quase ano e meio que a autora esteve presa, esta série é rica em núcleos fortes e quase independentes (à semelhança de Guerra dos Tronos, por exemplo). 
     Ao contrário da maioria das séries, nesta o tempo passa bem devagar. No total de 39 episódios - sendo que o primeiro foi disponibilizado em 2013 e o último este ano - passam uns dez meses. Para mim isto é uma vantagem: acompanhamos com mais detalhe a vida de cada uma das presidiárias, conhecemos as razões que as levaram àquele lugar e facilita que sentamos compaixão por elas.

      É ainda interessante ver como passamos do "esta pessoa é uma criminosa que merece o que lhe aconteceu" para "com uma vida assim, talvez eu acabasse a fazer o mesmo". É facílimo julgar alguém pela acção "final", sem conhecer a sua história, saber donde vem e o que a moldou. 

      Gosto sempre de aumentar a minha escala de cinzentos, de combater a minha tendência de marcar tudo como branco ou preto. E acho que Orange is The New Black fez isso por mim: voltou a relembrar-me que é preciso humanizar as pessoas antes de as julgar, que é preciso não saltar para conclusões só porque alguém, num determinado momento, errou.  

      Agora é aguentar até 2016 pela quarta temporada...