Páginas

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Síndrome de Estocolmo?

        Sou uma optimista. Percebi-o quando fiquei chocada com o resultado das legislativas porque tinha a esperança que o povo traduzisse o seu cansaço de ser explorado numa mudança de atitude.

       A verdade é que Portugal reelege sempre quem está no poder, excepto depois do segundo mandato, em que direcciona os votos para o partido que o espezinhou antes do que está no governo. E isto parece-me incompreensível. Passamos anos a queixar-nos das medidas absurdas que nos são impostas e depois legitimados precisamente o mesmo governo?

       Preciso que alguém me explique, devagar, qual é a razão que leva um pobre a votar na direita. Se não tens um tacho qualquer, não beneficias destas políticas ou não tens problemas cognitivos graves, porque dás o voto a um partido que assenta sempre em esmagar a classe média e, sobretudo, a baixa para alimentar as barrigas já gordas de quem não tem fome? 
       E esta dúvida ultrapassa as minhas ideologias. É uma dúvida real. Para a coligação ganhar com quase dois milhões de votos é porque há quem, por alguma razão, lhe reconheça mérito na governação.

      As ajudas à vitória da coligação são o facto de haver quem: a) se sinta impotente e não reconheça poder ao sistema democrático - abstém-se de votar; b) pense que não vale a pena votar porque o poder será sempre atribuído aos dois partidos que habitualmente governam - também se abstém; c) se identifique com um outro partido mas caia no erro do voto útil.

     Mas está tudo tranquilo com os cortes nas pensões, com os cortes na educação e na saúde, com os números assustadores da emigração e do desemprego (real! ninguém come essa história de estágios e mais estágios não remunerados ou mal pagos), com os casos escandalosos de corrupção, com o alargamento do horário de trabalho e supressão de feriados? 

    "I hate victims who respect their executioners.", Jean-Paul Satre.


    Também não é de ignorar que o Bloco conseguiu a novo máximo e que, com a CDU, soma um milhão de votos. Existe, apesar da vitória da coligação, uma vontade de mudar.

1 comentário: