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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

"Votava no PAF? Sim! E na coligação PSD-CDS? Não!!"




       Chegámos a isto. Não me choca. As campanhas são ocas: fala-se em números que as pessoas não entendem e ignoram-se assuntos que, de facto, têm impacto junto dos votantes como educação, saúde, cultura, adopção, aborto, fertilização in vitro para mulheres solteiras, ... 

       Depois é um acumular de gerações em que o ensino não o é! Com o foco de enfiar os miúdos horas e horas na escola, a decorar coisas e a fazer tempo em aulas como "formação cívica", permitiu-se que os putos estejam habituados a que toda a gente pense por eles. Na verdade, hoje consegue-se terminar o secundário sem ter opinião sobre coisa alguma, a ser pouco menos do que um papagaio do que se leu nos manuais. Que tal aproveitar essa tal disciplina de formação cívica para confrontar os miúdos com vários problemas e obrigá-los a pensar, mostrando-lhes o que cada partido/pensador aponta como solução possível? Muitos chegariam aos 18 anos capazes de exercer o direito que ganham nessa idade!

        Os debates são um passar da batata quente, onde arranjar soluções é uma coisa absolutamente secundária face a arranjar um culpado para a situação presente. A campanha é uma extensão disto. 
       Chegada a hora de votar, poucos são aqueles que conseguem responder à questão "o que defende o partido em que vais votar?" e a culpa não é de quem vota (ou não o faz). É de quem não consegue veicular a mensagem, de quem é incapaz de apresentar ideias para problemas, de surgir com soluções explicadas de forma a que todos as entendamos. 

       Hoje, com tantas redes sociais, com a maioria dos portugueses com computador com acesso à internet, não encontro justificação para que um partido/coligação não crie um site, por exemplo, onde apresente as suas ideias para as mais variadas áreas de uma forma clara (ou seja, para que várias idades e classes sociais as consigam entender).

      É fácil culpar as pessoas. Mas quando é a esmagadora maioria que está neste limbo do ""votava Portugal à Frente mas nunca votaria na coligação PSD-CDS" ou "não percebo nada de política", dificilmente a culpa é dessa massa de gente. Os culpados são aqueles que promoveram este estado de coisas, este descolar do mundo político das pessoas (que favorece aqueles que vão estando sempre no poder).

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