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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

#1

“Fazes-me falta todos os dias. Uns mais que outros. Não, na verdade a falta é a mesma, eu é que a sinto de formas diferentes porque a vida não pode ser sempre madrasta.
Fugimo-nos. Fugiste-me. Foges-me. E ficas, todas as vezes, com um pedacinho meu que é teu, sempre. É teu por direito, porque o conquistaste, e porque é mais doce que haja qualquer coisa minha que fique contigo do que saber que nada meu há em ti.

Não há vez que não tenha vontade de te levar calor, de poder, com o abraço mais apertado do mundo, fazer esfumar todos os monstros, os medos, os anseios. Quero sempre perguntar-te mil coisas, descobrir outras tantas contigo. Peço à vida que te atravesses à minha frente, mais uma vez, e que te possa falar das minhas paixões (em tanto iguais à tuas), ouvir os teus desejos e medos e afundar os meus dedos na tua barba.
Mas tu foges-me, sem aviso, sem porquês. E eu gosto dos porquês. Quero sempre apresentar-te todos os que ficaram em suspenso, mas parece que a minha cabeça fez um pacto de silêncio com o coração. Nunca percebo a razão por que nos descolamos.

E depois, quando quase és pó ao vento, os nossos caminhos cruzam-se. De novo. E volta tudo à estaca zero como se, em momento algum, tivesse havido qualquer interregno. As conversas duram horas. Por vezes, dias. Memórias, ideias, futuros. E ficamos sempre próximos sem nunca o sermos.
Apetece-me sempre ter-te. Ter-te comigo, beber um copo de vinho, ouvir boa música, começar uma conversa sobre uma banda qualquer e acabar a discutir o estado da democracia no país. Talvez fosse suficiente dar uma volta, regressar ao banco de jardim à beira-rio. Sem pressões, sem preconceitos, sem expectativas. Despidos de medos.
E penso nisso e lembro-me de nós, do teu corpo. E quero-te mais. Quero-te sempre mais porque és a minha pessoa preferida.

I’m not waiting but I’m willing if you call me up
If you ever wanna be in love, I’ll come around”


in papeis-soltos-aqui-por-casa.

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