sábado, 9 de outubro de 2010
lina#2
Avó: Agora tem de se meter um parafusinho para pendurar esta Cruz
Mãe: Não. Ficas já a saber que a tua neta não acredita em nada disso.
Avó: (extremamente ofendida) Não acredita? "Ómessa!" Mas não acredita porquê? Ele nunca fez mal a ninguém! Oh oh... Mas o que é que lhe deu agora? (dirigindo-se a mim) Agora és Jeová, é?
E esta será a única coisa que não há maneira nenhuma da minha avó aceitar: o meu ateísmo.
Lina#1
Avó: Praça de campismo... Oh E., onde é a Praça de Campismo?
Avô: Praça de Campismo? O que é isso?
Avó: Não sei... Estava ali numa placa a dizer isso.
Avô: Não seria Parque de Campismo?
Avó: Não sei, tinha lá um P, pensei que fosse praça. Mas então, onde é isso de Parque de Campismo?
Avô: Olha, por acaso não sei. Deve ser para ali para os lados de...
Avó: Ah, já sei. Deve ser aquilo dos cavalos!
E pronto, são estes momentos impagáveis que aliviam o stress diário.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Citações da lina
A minha avó tem oitenta anos e já foi submetida a várias anestesias gerais (nove, se não estou em erro). Ora, todos sabemos que este tipo de anestesias tem um grande impacto no cérebro e mata muitas células cerebrais. A juntar a isto, há o facto da senhora ser de outro tempo, e ter outra mentalidade.
Por não entender a sociedade de hoje em dia, a minha avó é perita em tecer comentários um tanto absurdos. Porém, eu, uma pessoa bastante paciente em relação a certas coisas, delicio-me a ouvir os pensamentos profundos com os quais a minha avó me presenteia. Ora me diz que eu tenho de ir à missa porque as meninas têm de ir, ou que não posso usar calças porque as meninas usam saias, ou até mesmo que as mães de hoje são irresponsáveis porque deixam os filhos sair de casa com as calças todas rasgadas.
domingo, 1 de agosto de 2010
Tourada - a minha opinião
Um dos argumentos mais utilizados para defender este costume que envergonha o Homem é "é uma tradição". Meus caros, o que está mal, muda-se! O mundo evolui. O casamento, tradicionalmente, era era dois indivíduos de sexos diferentes. Contudo, por se verificar que este hábito não estava adaptado à sociedade actual, mudou-se, e permitiu-se o casamento entre homossexuais. Na mesma linha de pensamento, se a tourada é uma tradição completamente desajustada ao sentido de humanidade que temos, que se baseia no respeito e na tolerância, não faz sentido perpetuar esta festa só porque já é uma velha conhecida. Um touro tem tanto direito à vida e ao respeito como um Homem. Não sejamos hipócritas ao ponto de defender que se pare com a violência aos cãezinhos e gatinhos e depois ir para uma bancada festejar a tortura animal. Tem de haver coerência. Aliás, deve existir coerência.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Gerações
Claro que a afirmação dela (ou será um pedido?) me pareceu absurda. Ridícula, até. Quem é que, aos 18 anos, pensa em ter filhos? Certamente haverá meia dúzia de alminhas que o ambiciona, mas a grande maioria não. Quero ir para a faculdade, licenciar-me e depois tirar um mestrado qualquer (dos bons, se possível). Ter filhos entra nos meus planos daqui a 7 ou 8 anos, se tudo correr bem.
Depois da minha primeira reacção, lembrei-me que, como é obvio, a minha avó é de outro tempo, outra mentalidade. No tempo dela seria normal ter filhos a esta idade, talvez. A esta altura eu já a estava a entender mas rapidamente mudei o rumo do meu comboio de pensamentos: eu quero que eles - os meus 3 avós vivos e o meu avô emprestado - estejam cá para conhecer os meus filhos. Quero que os meus bebés desfrutem daquilo que eu também tive. A ideia de perder qualquer um destes elementos fulcrais para o meu bem estar é terrivelmente penosa.
Entrei num estado demasiado consciente. Já Fernando Pessoa tinha consciência da dor de pensar, do que custa estar consciente da realidade. Eu não quis - nem quero - saber o que vai acontecer eventualmente. Só quero ter a certeza que quando o momento chegar eu não vou ser assolada com ideias como "se eu tivesse feito X ou Y, tinha desfrutado melhor deles". Não quero perder nem um segundo que tenho disponível.
Foi com base neste abanão psicológico que decidi que iria ficar a morar com os meus avós quando voltar para a minha cidade para estudar - que quem quer que esteja aí em cima que me ouça, sim? Faço muito gosto em conseguir entrar na Universidade de Coimbra. Não quero que aconteça alguma coisa e que eu, por estar longe deles, não os possa ajudar, me sinta impotente. Portanto, os planos são candidatar-me para lá, ir morar com os meus avós maternos (os paternos são vizinhos destes) e depois de uns meses (ou depois do último ano), arranjar um espacinho para mim.
sábado, 24 de outubro de 2009
23 de Maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Fogo, Corpos e Suor.
"Não sei o porquê, só sei que sim. Acho que estava escrito. Ou então rendi-me. Vi-me obrigada a tirar a máscara pesada de bronze que encobria a minha alma e dizer o que corria em mim.
Não sei se foi pelo facto de ser um jogo, ou de mera afirmação própria, mero orgulho estúpido que não se aguentou até ao fim. Mas aconteceu. Gostei, gosto.
Dei de mais, e valeu a pena voar. A noite acordou a guerra dos sentidos que travava até então. Saboreei as asas da magia e comprovei a perfeição do teu desenho. Foi dança, foi fogo que queimou o que estava à volta, foram dois corpos presos a uma chama solta que se amaram sem ninguém ver.
De manhã, temporais e bruxas. Tudo o que de negro houve reuniu-se para destruir a muralha indestrutível. Falou-se para esconder a saudade, dançou-se em pleno dia, mostrou-se o riso vazio de contentamento e, sobretudo, escondeu-se o que não se disse. Quebramos os dois. Quebramos como união, quebramos como um só. No meio do escuro, corremos para sentidos opostos da realidade dura. Mas o mundo tem uma forma quase esférica. Eventualmente as rotas traçar-se-iam de novo.
Ficaste por não souber sair. Saí, e não nos tocamos enquanto saia. Passivamente assistiu-se ao inevitável e não se contrariou a lei do relógio verde azul. Fecharam-se os olhos húmidos por se sentir a verdade. A verdade não se extinguiu, embora tenha sido o fim da cor que trazíamos.
Despi-te de tudo o que era pequeno e fui vestida com o desconhecido. Puxaste-me para perto onde ouvi histórias que mataram o bichinho do orgulho, histórias que atam almas. Ficámos. Aliás, fomos ficando.
Como crianças, brincamos com Legos e construímos uma fortaleza ilusória e permeável. Andamos em voltas rectas e limpamos o que restava. O que ainda ficou, o tempo limpou. Deixaste-me acreditar no mesmo deus. Os laços trataram de ligar pontas soltas criando linhas paralelamente desordenadas que não deixam fugir pensamentos. O novelo aumentou até criar um emaranhado tão grande que não havia maneira de fugir. Os olhos diziam aquilo que a boca não conseguia e o sorriso descomprometido de interesses confirmava qualquer teoria. Pelos vistos, há coisas que estão mesmo escritas, e em mais que uma página. Desfolhei o meu livro e vários foram os lugares onde encontrei a mesma palavra, a mesma figura. A dança repetia-se e isso tinha de significar alguma coisa.
Quando já não se pode negar, para quê combater? Seria perder tempo.
Construíram-se pontes sem serem precisas obras e edificaram-se castelos de vitórias próprias, agora comemoradas a dois. Limparam-se os riscos a mais que estragavam a pintura e adaptaram-se os lápis ao papel. Não há meu ou teu. Há nosso.
E por mais que me martirize, não descubro porque a máscara não se aguentou fixa. O embrulho não é ponto de desempate ou de relevo – embora extremamente agradável, não é o factor de decisão.
A prenda em si, é ouro. Não é o lado top ten, que sempre foi objectivo de muito pavão e avestruz e muito outros elementos do reino animal, mas o lado mole que pede por retoques. O lado que fraqueja frequentemente e anseia pelos acordes da alma que o completa. Ainda a vertente desprovida de sentido que gargalha sem razão. A vertente que permite que um olhar diga o que mil palavras não têm capacidade de dizer.
Cartas sem papel, músicas silenciosas. Tocas ilegais mas iguais que abrem uma janela para o rio que somos. O rio que nos deixa cantar o nosso fado e contar com a música background da voz que temos. Tudo favorece a nossa construção e eu não tenho intenções de abandonar a fortaleza. O poder de sentir que numa democracia há reis e rainhas eleva-nos perante o resto do mundo e deixa-nos voar no toque. Não se vai extinguir o que já existe.
Não vai acabar, vamos ser sempre paixão. Vamos ter sempre o olhar.
Nem por um segundo largo a mão do que és, da perfeição do teu desenho, do teu gesto.
“-Estas a ver o universo?”
“-Eu gosto de ti o dobro.”
in Love Inspiration http://loveynspiration.blogspot.com
segunda-feira, 9 de março de 2009
Super lotado.
Este "pensar" arromba-me o intelecto várias vezes, mais do que as que devia. Simplesmente é como se nem tivesse sono. E é uma situação que se pode prolongar por uma quase "directa". Noites em claro, ideias mil. Combinação explosiva para quem quer tentar (que se frise o tentar) ter atenção às aulas no dia seguinte.
Estas noites são péssimas para tudo. Mesmo que vá tocar piano dou por mim a pensar em coisas que nem sei o que são. Se tento escrever, é provável que comece a falar de ovelhas e acabe a divagar sobre gelatinas com olhos. Se tento não fazer nada tomo consciência da velocidade mirabulante a que o meu cérebro funciona em tais alturas e entro em desespero. Se em último recurso pego no iPod e afogo-me na música, apenas estou a fornecer combustível à máquina que está dentro de mim a processar informação a uma rapidez inimaginável. Penso no impensável e imagino o nunca antes pensado. Ideias estúpidas e pensamentos soltos que, embora inúteis, impedem-me de fazer o que quero.
O pior é saber-me teimosa e sentir que perante tal situação ridícula não posso fazer nada. E lá fico eu, estendida na cama durante oito horas (máximo de horas que durmo por noite) sem fazer nada a ter um remoinho de palavras a bombardearem-me a paz.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
O que é realmente importante.
Também encontrei isto perdido nos meus ficheiros aqui no meu computador. Tenho esta mania, a de deixar pensamentos soltos apontados numa qualquer folha digital num lugar esquecido. Isto quer dizer que não faço a mínima ideia a que propósito surgiu tal amontoado de palavras, mas até tem um efeito visual e gramático interessante.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
15 Minutos.
Está tudo ainda fresco, literalmente. O tempo amarelo logo de manhã, desejou-me um dia de diarreia social que tenho de suportar. Mas não há ninguém que puxe o autoclismo?
Sorrir, gargalhar, ser feliz. Todos o são. Pelo menos, a máscara é. Excepto aqueles que adopta uma postura rígida de quem é sofredor destinado a falhar.
Reina quem quer, e não quem merece. É louvada a hipocrisia ascendente deste mundo enquanto os honestos, desgrenhados mas com ideias brilhantes, cumprem pena num qualquer estabelecimento prisional deste monte de pó. O mesmo monte de pó que nos atiram para os olhos e nós sorrimos. Todo o mundo tem consciência do sistema em vigor, Todo o mundo critica o sistema em vigor, todo o mundo diz querer deitar abaixo o sistema em vigor. Todo o mundo SORRI ao sistema em vigor.
Para quê perder tempo com a honestidade se é um passe directo para a humilhação e descrença sociais?
Ambiciono agora a hipocrisia. Tenciono ser mais vígaro que o vígaro que me aldraba. Saudar cordialmente quem me ama de morte (literalmente, de morte) e desejo o dobro do que me desejarem a mim (seja isso o que for).
Sorrir, gargalhar, ser feliz. Pelo menos, a máscara será.


