Páginas

domingo, 23 de novembro de 2008

Addiction.

As dores de cabeça estavam-me a consumir aos poucos. Estava rodeada de insectos grandes e gordos que zumbiam à minha volta. Nada nem ninguém os conseguia deter.

Decidi viciar-me. Viciar-me para esquecer. Aliás, para viver. Viciei-me ao que chamo A Minha Droga. Um escape à vida, uma fuga ao indesejável, um esconder do que não quero.
A droga, é da melhor. Não me deixa dormir, não me deixa concentrar-me, não me deixa ser livre. Invade-me o sono, perturba-me a concentração, prende-me de uma maneira mais forte do que eu alguma vez esperei. Não há risco de overdose.
Os dedos percorrem as teclas do telemóvel e digitam a mensagem que nunca é enviada. Os olhos vagueiam no horizonte à espera do impossível (ou então focam o retrato que torna belo o monstruoso). Os ouvidos, bem, esses, não se cansam da mais bela melodia.
Tudo seria fácil se a droga não viciasse como vicia. Tudo seria fácil se as palavras tivessem mais sentido e a presença fosse total.

Se estivesse por aí, nunca mais te largava vício. Se pudesse, saía do mar directa para a areia para que esta ficasse colada a mim, para que o vicio ficasse colado a mim.


Grito alto e ninguém me ouve. Acho que falo uma língua diferente. Mas sempre assim o foi, agora não muda.
Vício mais agradável... vício mais saudável.

domingo, 16 de novembro de 2008

Pensamento profundo

Sim, dei por mim a ter um pensamento profundo [coisa rara].
Bem, não me vou alongar muito. O pensamento é o seguinte:

A maior parte das pessoas, são outras pessoas. Os seus pensamentos são as opiniões de outros, as suas vidas não passam de mímica e as suas paixões um quotidiano.

sábado, 15 de novembro de 2008

Ilusão

Sinto saudades do que não tenho, o que pode ser ridículo em toda a sua simbologia exterior mas não é. Se outrora pensei conseguir, hoje sei que era pura ignorância.
Já me tinha habituado à minha certeza de ter aquilo que pelos vistos sempre foi inatingível. Por isso, agora estou aqui sentada, em frente da minha janela a olhar o céu estrelado e com esperança de que, algures neste mundo, a outra parte que quis esteja a ver exactamente a mesma estrela que eu.

Compara-se a um criancinha a ver os reclames na altura do natal. Vimos, mas sabemos que não vamos ter. Vê-se, ouve-se mas não se sente. É triste, mas real.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Corda Bamba

Como se andase de monociclo na minha corda bamba. De qualquer das maneiras, conformei-me com o posto final. Já acelerei, parei e até recuei para evitar o abismo. A ambiguidade de sentidos bombardeia-me e faz-me perder a estabilidade, o esquilíbrio. Que se danem os sofismos lógicos ou até mesmo o meio de duas linhas rectas (que na verdade não existem).
Como se de um plafond se tratasse, tenho tempo limite para elevar a minha mente em relação aos outros que por sua vez se esforçam por destruir qualquer ideia flutuante partindo as muralhas que construí. pois agora, já sem muralhas ou qualquer barreira entre mim e o mundo, sigo caminho nz corda bamba e só me resta ter fé bo que posso encontrar na paragem final. Sou grande crente na sorte, e com o percorrer da corda descobri que quanto mais me esforço, mais a tenho.