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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Especie de coiso.

Não sei porque o faço nem se vai ter algum tipo de interesse ou qualidade, mas senti vontade de abrir esta janela estúpida do blog e escrever tudo o que me viesse à cabeça. Pronto, não foi bem assim. Foi-me retirado o telemóvel por umas horas e eu stressei. Enervei-me e comecei e pensar no que realmente tinha importância. Daí a estar quase que nem uma Maria Madalena, foi um ínfimo passo. Aviso 1: Este post é inteiramente dedicado aos que me são importantes e que me conhecem despida de máscaras. Aviso 2: Grande probabilidade de eu me render a sentimentalismos parvos.


Foi o pior que me podiam ter feito. Ele tinha acabado de sair, eu estava mal e aquela alminha irritante decide que pela primeira vez na minha vida me ia tirar o telemóvel porque eram duas da manhã e eu não podia estar acordada a mandar mensagens até tão tarde. Fiquei sériamente enervada. (Tudo isto se passou ontem à noite).
Peguei na caixinha de música (ou mp4, como preferirem) e a minha cabeça começou a funcionar a mil. É nestes momentos que percebo o que (e quem) importa. Com os olhos a brilhar, rascunhei o que se segue:

"Tenho de agradecer. Tenho o dever de dizer às pessoas que são a minha base, que o são. Tenho a obrigação de evitar equívocos possíveis pelo meu feitio (muito) difícil que se torna demasiado irónico ao ponto de não distinguirem quando digo a verdade. Por isto, os nomes que se seguem têm de ser referidos e as devidas explicações e agradecimentos apontados:

João Coelho: 11 anos. Tanto tempo... OBRIGADA OBRIGADA OBRIGADA! Á 11 anos conheci o meu melhor amigo e não tenho palavras possíveis para agradecer tudo. Já discutímos, já não nos falámos, já nos odiámos. Já tudo. E tudo foi o suficiente para perceber que és o melhor e só tenho de agradecer tudo o que fizeste por mim desde sempre. Obrigada a paciência MUITA que tens comigo, as brincadeiras idiotas que connosco fazem todo o sentido, os ralhetes que sei que são só para meu bem, por me prenderes à terra evitanto que me perca algures na atmosfera, as conversas que ninguém entende mas de que nós conseguimos rir sem parar, os olhares que dizem tudo e nem temos de falar para saber o que pensamos. Obrigada a confiança, a amizade, o apoio. Obrigada existires. Obrigada por pertenceres ao meu mundo. Esgotam-se as palavras e ainda tenho tudo para te agradecer. Adoro-te de verdade melhor amigo de sempre e para sempre. O teu nome tinha mesmo de vir em primeiro lugar. Não é uma questão de desvalorização dos restantes, mas de valorização tua. São onze anos de contacto diário. Tem mesmo muito peso, e eu agradeço tudo isso.
Diogo Pinela: Por onde começar? Fascinaste-me de início com o teu feitio bem "especial". Depois disso, bem, conquistaste a minha amizade num flash. És o meu outro melhor amigo. Sim, possuo dois, e isso é maravilhoso. Como é possível um puto entrar na minha vida e ganhar a minha confiança num espaço de tempo tao reduzido? Sim, sabes que serás sempre puto comparado a mim. Quem te manda ser uma espécie de génio rebelde mais novo? Se bem que a tua idade mental está bem mais à frente que a física. Obrigada por tudo mesmo! As nossas conversas sobre nada em que usamos palavras super caras e rimos que nem parvos do nada. A tua compreensão que por vezes nem sei que a tens, os teus conselhos que aparentemente são completamente disparatados mas que no fundo estão repletos de razão, as nossas brincadeiras nos mundos puramente fictícios, a paixão pelo mesmo tipo de humor que proporciona dias inteiros de risos de coisas absolutamente fenomenais (para nós). Obrigada por tudo! Até por me deixares copiar! Foi um avanço.. Adoro-te mesmo meu melhor amigo mais amalucado. És o Nero 8 Deluxe Edition mais porreiro.
Daniela Baptista: Adolescência. Acho que basicamente isto resume tudo. Tornei-me ser mais racional contigo. Comecei a fase "da prateleira" com a tua presença e cresci contigo. A minha única sempre presente amiga do sexo feminimo na idade de escolaridade do segundo ciclo. Foi contigo que acordei para o mundo, foi contigo que primeiro "avaliei as vistas", foi contigo que tive as típicas brincadeiras de pita. A ti tenho de agradecer o que sou, o que penso, o que já vivi. Agradeço a amizade, os conselhos, as opiniões sempre sinceras, as discuções que me deixam ser mais sensível e menos fria e racional. Agradeço a maneira como me fazes ver o outro lado das coisas e me aturas mesmo estando vivamente contra o que faço, digo ou penso. Obrigada por às vezes nem ter de falar para saberes que estou mal e muitas das vezes saberes o que se passa sem eu dar qualquer tipo de dica. Obrigada pelo apoio e pela tua presença nos momentos difíceis, nos fáceis, nos tristes, nos alegres, nos mais tensos, nos mais relaxados. Obrigada por fazeres parte do que sou. Adoro-te minha gaija mais boua.
Alexandra Pereira: Treze anos para aí, não? Conheço-te desde que vim morar para esta terreola estúpida onde pouco acontece. Cresci contigo. Primária e agora Secundário. Entre isto, vizinhas sempre. Não sei sequer onde devo começar a agradecer-te. Começando desde o ínico mais inicial (sim, espécie de plionasmo propositado) , obrigada por teres sido uma espécie de irmã. Quase viveste em minha casa. Passámos quase vinte e quatro horas por dia juntas. Sim, somos um caso vivo de que os opostos de uma maneira ou outra se atraem. Agradeço o apoio, amizade, presença, ralhetes para eu acordar, conselhos, opiniões, maluqueiras em que tu alinhas, planos completamente malucos mais que contigo fazem sentido. Obrigada pelo apoio e ajuda (ultimamente bem frequentes). Obrigada pelo sorriso estampado na tua cara que é uma constante que me ajuda a ver o sol onde ele não está. Obrigada pelas femininices que me ajudaram a entender que o mundo não é excusivamente racional e é importante dizer às pessoas que elas têm valor. Obrigada pela compreensão e pela paciência infinita que tens de ter para me aturares naqueles dias "não". Obrigada por não me virares as costas em situação alguma e me guiares pelos caminhos mais difíceis. Adoro-te e já to disse.
Diogo Tomaz: Obrigada. Obrigada mesmo. O teu ar sempre brincalhão fez-me pensar que nunca me ias considerar tua amiga, mas hoje tenho muito a agradecer-te. Só tu me fizeste rir naquela famosa tarde nega. Apareceste do nada e sem eu abrir a boca (neste caso, por conversa via mensageiro) sabias que alguma coisa se passava e não desististe de me por a jogar e bem disposta. Obrigada pelo teu apoio, pela tua sinceridade, pelas conversas, pela confiança depositada em mim. Obrigada pelas confissões, pelos disparates, pelas saídas, pelas opiniões, por partilhares o que partilhas comigo. Obrigada por me dares a certeza que posso gritar ao mundo que és meu amigo. És muito importante.
João Quintela: Este nome tinha obrigatóriamente de ser mencionado. Palavras para quê? Sabes que te adoro. Brincadeiras mais parvas, mas que no fundo fazem sentido. Noites de Halloween, momentos em que me encavacas com meras brincadeiras ("-Queres namorar comigo? -Quero"), os planos disparatados, enfim.. Tudo aquilo que tem a máscara de pura brincadeira mas que esconde a amizade enorme que tenho por ti. És importante de verdade e já to confessei. Admiro-te mesmo e só tenho de te agradecer porque sempre que precisei não hesitaste em ajudar-me, em dar a tua opinião, em ser sincero comigo. Obrigada por alinhares nas tonteiras, obrigada por seres quem és.
André Alguém: Por todas as razões possíveis, este nome tem de ser referido sempre. Pensei que era cliché, mas o primeiro marca sempre. Eu sei que entendes. Cresci imenso á tua conta. Sofri, amei, ri, chorei. Fui feliz, fui amada, fui admirada pelo que sou e não pelo que dizem. Tive a primeira noção de o que é partilhar tudo com outra pessoa. As nossas brincadeiras que serão eternamente só nossas. As alcunhas, as músicas, as tardes livres, as saídas, as noites no aqua, o 23, a amizade. Enfim, obrigada por teres construído parte do que sou hoje. Obrigada por teres entrado na minha vida e me teres aberto novas portas, me teres permitido vivenciar novas experiencias e mais que tudo, me teres feito aprender e crescer. Aprendi a lidar com o extremo dos sentimentos. (Apenas memórias felizes são aqui referidas. O resto faz-se sempre por esquecer. Mas tudo foi fundamental para que aprendesse a lutar pelo que quero e saber distinguir o que me é fundamental do que apenas serve para embelesar a superperfície.)
Pedro Pereira: God! OBRIGADA TUDO MESMO! Meu Sol! Eu estava perdida, e tu apareceste. Obrigada pela confiança, pelo carinho, pela atenção, pelas frases não pensadas, altamente intensas e vivamente apreciadas por mim. Obrigada por me fazeres sentir diferente do resto do mundo, obrigada por me deixares entrar no teu mundo, obrigada por seres o meu. Obrigada pelas surpresas, pelas prendas materiais e pela melhor prenda de todas: tu. Obrigada existires. Nem o real sentido das palavras é suficiente para te explicar que és a diferença que marca onde tudo é mass produced neste mundo. Obrigada por tudo o que dizes, fazes e pensas. Obrigada por experimentares tudo comigo. Obrigada pelas brincadeiras anti juventude inconsciente de maioritariamente feminino que utiliza na escrita letras que nem existem no alabeto português (ou pelo menos não existiam, até à bem pouco tempo.) Obrigada por já estares marcado em mim e eu me orgulhar de dizer que te conheço e que és a minha maior qualidade. Obrigada pela paciência de aturar os meus desabafos e por me deixares ouvir os teus. Agradeço deixares-me pertencer um bocadinho àquilo que és e marcar presença no teu pensamento. Obrigada por alinhares nas tolices, por seres tão sincero, por seres tão especial. A palavra "obrigada" é demasiado insignificante perante tudo o que tenho para te agradecer. Eternamente RS360. Eternamente especial. Eternamente gravado em mim. Obrigada por seres quem és e seres quem eu um dia pensei não existir. Adoro-te mais que muito. (A ti tenho de te explicar esta posição tão "cá em baixo". Tentei seguir um encadeamento lógico-sequencial e por isso peguei nos tempos mais remotos até ao momento sendo só a belinha a deslocada visto que por comparação, tive uns 3 anos quase sem a ver por estarmos em escolas diferentes e termos na altura, amigos diferentes. Quero com isto dizer, que és mais que fundamental, e tu sabes bem disso. Esta ordem pouco tem a ver com a ordem que as pessoas ocupam no meu coração, and you know it. Desta maralha toda, apenas o Coelho tinha mesmo de ser mencionado em primeiro por ser o único que à onze anos me atura sem parar e ter sido meu amigo incondicionalmente desde então. Pedro Pereira, venero-te para lá do muito.)
Jorge Eduardo: Primão do meu coração! Meu primeiro melhor amigo! Não tenho de me alongar muito! Temos a permanente ligação de sangue. Venero-te melhor primo do mundo.
Marta e João Gil: São bestiais. Mesmo. Conheço-vos à bem pouco tempo e são das pessoas mais honestas que já me passaram pelas mãos. Obrigada pelas brincadeiras, pelas conversas pelos disparates, pelas risadas, pela confiança, pelas confissões. Obrigada por serem diferentes do resto do mundo. Gosto seriamente de vocês.
Anaísa Gomes: Obrigada pelas conversas que não tenho com mais ninguém. Obrigada pelas opiniões. Obrigada pelas brincadeiras, pelas pancadas, pelos temas mais sérios, pela confiança, apoio, compreensão, chamadas à razão e desafios a quebrar regras. Obrigada por este verão que passou, obrigada pelas saídas. Obrigada pela tua amizade.
Eduardo Soares: Bem, anos de pancada. Obrigada pelo apoio, pelas muitas maluquices, por alinhares comigo nas brincadeiras musicais. Obrigada por seres meu amigo.

Ainda deixo aqui referidos os nomes de pessoas que igualmente marcam (ou marcaram) o meu caminho:
Nelson Bugalho, Inês Gaspar, André Pires, Guilherme Alves, Eduardo Vieira, Paulo Miguel, António Costa, Pedro Peixe, Guilherme Pires, Inês Percheiro."


Bem, não sei se isto vai ter as horas a que foi publicado, mas garanto-vos que é tarde (são 02h53m) portanto, é bem provável que isto esteja minado de erros ortográficos. Peço ao meu corrector de erros ortográficos preferido que me deixe um comentário com a listagem para que eu possa proceder à correcção dos mesmos.
Cumprimentos a todos, e porque está na época, Bom Natal.

domingo, 23 de novembro de 2008

Addiction.

As dores de cabeça estavam-me a consumir aos poucos. Estava rodeada de insectos grandes e gordos que zumbiam à minha volta. Nada nem ninguém os conseguia deter.

Decidi viciar-me. Viciar-me para esquecer. Aliás, para viver. Viciei-me ao que chamo A Minha Droga. Um escape à vida, uma fuga ao indesejável, um esconder do que não quero.
A droga, é da melhor. Não me deixa dormir, não me deixa concentrar-me, não me deixa ser livre. Invade-me o sono, perturba-me a concentração, prende-me de uma maneira mais forte do que eu alguma vez esperei. Não há risco de overdose.
Os dedos percorrem as teclas do telemóvel e digitam a mensagem que nunca é enviada. Os olhos vagueiam no horizonte à espera do impossível (ou então focam o retrato que torna belo o monstruoso). Os ouvidos, bem, esses, não se cansam da mais bela melodia.
Tudo seria fácil se a droga não viciasse como vicia. Tudo seria fácil se as palavras tivessem mais sentido e a presença fosse total.

Se estivesse por aí, nunca mais te largava vício. Se pudesse, saía do mar directa para a areia para que esta ficasse colada a mim, para que o vicio ficasse colado a mim.


Grito alto e ninguém me ouve. Acho que falo uma língua diferente. Mas sempre assim o foi, agora não muda.
Vício mais agradável... vício mais saudável.

domingo, 16 de novembro de 2008

Pensamento profundo

Sim, dei por mim a ter um pensamento profundo [coisa rara].
Bem, não me vou alongar muito. O pensamento é o seguinte:

A maior parte das pessoas, são outras pessoas. Os seus pensamentos são as opiniões de outros, as suas vidas não passam de mímica e as suas paixões um quotidiano.

sábado, 15 de novembro de 2008

Ilusão

Sinto saudades do que não tenho, o que pode ser ridículo em toda a sua simbologia exterior mas não é. Se outrora pensei conseguir, hoje sei que era pura ignorância.
Já me tinha habituado à minha certeza de ter aquilo que pelos vistos sempre foi inatingível. Por isso, agora estou aqui sentada, em frente da minha janela a olhar o céu estrelado e com esperança de que, algures neste mundo, a outra parte que quis esteja a ver exactamente a mesma estrela que eu.

Compara-se a um criancinha a ver os reclames na altura do natal. Vimos, mas sabemos que não vamos ter. Vê-se, ouve-se mas não se sente. É triste, mas real.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Corda Bamba

Como se andase de monociclo na minha corda bamba. De qualquer das maneiras, conformei-me com o posto final. Já acelerei, parei e até recuei para evitar o abismo. A ambiguidade de sentidos bombardeia-me e faz-me perder a estabilidade, o esquilíbrio. Que se danem os sofismos lógicos ou até mesmo o meio de duas linhas rectas (que na verdade não existem).
Como se de um plafond se tratasse, tenho tempo limite para elevar a minha mente em relação aos outros que por sua vez se esforçam por destruir qualquer ideia flutuante partindo as muralhas que construí. pois agora, já sem muralhas ou qualquer barreira entre mim e o mundo, sigo caminho nz corda bamba e só me resta ter fé bo que posso encontrar na paragem final. Sou grande crente na sorte, e com o percorrer da corda descobri que quanto mais me esforço, mais a tenho.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Trocadilhos com os nomes

  1. O pai da Malu Mader é o Malu Fader.
  2. Você não tem, mas o Frankstein
  3. Fulano afirma, mas o Arnold Schuaznega
  4. Eu não vou furar, o Juca Kfouri.
  5. Aquilo todo mundo viu, até o Clodovil.
  6. Todo mundo só morre uma vez, mas a Alanis Morrissette.
  7. Eu pulo do barranco, o Luciano do Valle.
  8. Você já morou nos EUA? Não? A Marylin Monroe.
  9. Ao ver uma modelo você fala que ela é bonita. O Miguel Falabella.
  10. Meu pai gosta de fusca, a Rita Cadilac.
  11. Eu gosto de sopa. O Carlos Massa.
  12. A Maria é da cidade, o Martinho da Vila.
  13. Você faria papel de trouxa? A Betty Faria.
  14. Eu acordo mais tarde do que deveria e o Edir Macedo.
  15. Ninguém queria pagar a conta mas a Cassia Kiss.
  16. Eu pinto paredes, o Janio Quadros.
  17. Eu estou perto de casa. O Silvester Stalonge.
  18. O Pateta usa o teclado e o Mickey Mouse.
  19. Eu moro em Copacabana. O Tony, Ramos
  20. Eu escovo os dentes 3 vezes ao dia. O Joãozinho Trinta.
  21. Você já esteve na Europa? A Adriana Esteves.
  22. Eu fumo e o Celso Pitta.
  23. Eu gosto de chá gelado. O Clark Kent.
  24. Eu como pão Seven Boys. O Bill Pullman.
  25. As vezes eu corto o cabelo. O Jose Serra.
  26. Eu uso telefone convencional. O Edson Cellulari.
  27. Eu como um pouco, a Marisa Monte.
  28. Ele cria galinha. O Paulo Coelho
  29. Eu torço pro São Paulo. O Silvio Santos
  30. Eu tentava pescar atum. A Cláudia Raia
  31. Eu não escapo dela. O Chiquinho Scarpa
  32. Eu aposto na quina. O Airton Senna
  33. A minha campainha faz bip. A de Bill, Clinton.
  34. Eu uso jaqueta. O Al Capone.
  35. Você planta, o Phill Collins.
  36. Você riu com estes trocadilhos? Não? O Damon Hill.

Significado de Eduarda

Nome: EDUARDA

Significado 1: Inteligente e comunicativa, você tem uma necessidade incrível de falar, mas nem sempre diz tudo o que se passa pela sua cabeça. Movida pela razão, só fica chateada quando é desmentida ou contrariada. E como pensa muito, também tem dificuldade de se concentrar no que está fazendo. Poderia se tornar uma óptima escritora, advogada ou professora. Mas precisa de controlar o seu nervosismo e ter cuidado para não ser uma tagarela.

Significado 2: Significa guarda das riquezas e indica uma pessoa talentosa e dinâmica, que se realiza em trabalhos que a estimulem a pensar, pesquisar e aprender mais. Quem tem esse nome é também muito comunicativo. (Anglo-saxão)

Significado 3: A pessoa que tem este nome é determinada e com grande senso de organização. É leal e a ousadia é a marca do seu sucesso.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sobredotada (parte 2)

Tudo era diferente. As pessoas, os hábitos, os cheiros. Mas os que de facto gostavam dela acompanharam-na. Na verdade, o seu mais-que-tudo (nome carinhoso por que ela tratava o seu melhor amigo) ficou na turma dela.
Quando há mais que um a diferenciar-se, a diferença deixa de ser diferente. Estranho, hã? Mas foi o que aconteceu. Na universidade dela havia tantos estilos diferentes, tantos sotaques, tantos génios, que ela quase passava por normal. Não que ficasse contente com esse rótulo, mas era melhor que ser esmurrada. O tempo passou e tudo parecia correr bem, até ao dia em que descobriram o pequeno segredo dela. Na verdade, ela tinha pontos de vistas diferentes e gostos fora do comum. Não lhe interessava o Orlando Bloom ou o Johnny Depp. Preferia olhar mulheres. São escolhas, e ela tinha feito a dela uns anos atrás. Agora que tudo lhe corria bem uma vez na vida, algo acontece e traz de volta gente parva que mais se parece com um salta-pocinhas. Andam sempre á procura da próxima vítima.
A essência de tudo isto é o facto da sociedade não estar preparada para a mudança. Fogem desta como o diabo da cruz. Ela é diferente, e depois? Transmite sida pelo pestanejar? Deixa um rasto de genialidade por onde pisa? Se a sociedade não acolhe, também não são os “diferentes” que se vão colar ao resto do mundo. Para estes, valem-lhe a família e os amigos. Ela nem com a família pôde contar.
De volta aos tempos de estudo, ela não esteve em bailes, não bebeu até cair para o lado, não pertenceu às praxes. Bastava-lhe não ser humilhada para ser feliz (pelo menos, em parte). Chorou, berrou, gritou, desesperou. E por mais que repetisse estes, nunca se sentia aliviada. Acabou por se afastar dos amigos, das aulas, do mundo. Fechou-se no mundo dela, onde era feliz de verdade. A certa altura decidiu mudar de país e foi viver para o Canadá onde comprou uma singela casa que decorou de raiz. Quarto laranja, cozinha verde alface, sala azul do mar e hall de entrada rosa choque. Pode parecer estranho, mas estas cores berrantes ajudaram-na a sonhar, e mais que tudo, a escrever. Ela leu tanto que deixou de fazer sentido decifrar as histórias alheias e dedicou-se a registar numa espécie de diário o que havia imaginado em cada dia. Numa semana já tinha seiscentas páginas. Daí a mandar os seus rascunhos de sonhos e muita imaginação, foi um pequeníssimo paço.
Hoje é uma escritora de sucesso. Esqueci-me de referir que também se formou nos Estados Unidos e que hoje também é a melhor bióloga da América? E já disse que reatou amizade com o melhor amigo e que hoje têm cinco lindos filhos que falam a língua de Shakespeare? E já vos pus a par do que aconteceu ontem? Ela foi reconhecida na América como escritora do século.
Às vezes o ser-se diferente não é o problema. A questão é a sociedade onde nascemos. Ainda haverá de chegar o dia em que juntamos uns GPS’s às cegonhas e escolhemos onde queremos ser germinados.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sobredotada

Uma pessoa como outra qualquer. A única diferença era ser diferente. Parvoíce? Não, uma vencedora.

Nasceu sobredotada e tinha seis irmãos. Obviamente não se lembra dos primeiros anos de vida. Mas também, quem lembra? Pequenina, leu mais que muitos adultos e nem precisou de completar todos os anos do ensino básico (que para ela, era em todos os sentidos, básico). Não foi propriamente uma infância fácil.

Ainda lembra o primeiro dia de aulas em que ficou sozinha numa mesa no canto da sala e inutilmente tentou chamar alguém para perto dela. É o mau hábito da sociedade. Nós chamamos mas ninguém nos ouve. Ela, coitada, ainda pequena percebeu isso. Chorou tanto que podia ter criado um novo oceano, mas em vez de desanimar, limpou as lágrimas e seguiu a sua vida agora com mais umas gotas de experiência. Teve então a sua recompensa merecida. Algures no seu quinto ou sexto ano viu de relance pela primeira vez aqueles que viriam a ser os seus melhores amigos. Os tempos fechada em casa a estudar ou a falar sozinha para qualquer objecto computorizado haviam acabado. Ela lembra tão bem esse dia que o consegue recriar ao pormenor, hoje, passados setenta e três anos. Transcrevendo do diário dela:

“16 de Setembro de 2002: Fui ao meu primeiro dia de aulas. Tinha tanto medo que sentia as minhas pernas a oscilar sobre o meu próprio peso. Andei carregada com 40Kg às costas, eram os meus 40Kg de amizade. Aquele friozinho na barriga não me largou o dia inteiro. Mal comi. Ao final do dia reparei em quem estava à minha volta. Acho que o costume de só olhar para o próprio umbigo já me afectou. Tive oito horas rodeada de gente e só antes de vir embora me apercebi que não tinha sido gozada, maltratada ou violentada. Comecei a perceber que talvez possa ter amigos”. E de facto, podia. Não demorou muito tempo até que ela entendesse que o mundo é cruel, mas é ainda mais cruel tentar vence-lo sozinha. Por isso uniu-se a quatro pessoas que hoje gaba serem os seus verdadeiros amigos. Os irmãos? Esses nunca a aceitaram e ela acabou por sair de casa com sete anos para ir viver com uns primos afastados. Como é possível construir melhores laços fora da família que entre aqueles que compartilham o mesmo sangue? Ela não sabe, mas a verdade é que foi o que acabou por suceder.

Depois dos anos de liceu onde já se distinguia pela sua inconfundível inteligência e perícia, seguiu-se a universidade.



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continuação para breve

domingo, 28 de setembro de 2008

Dedicatória

E é assim. Continuo sentada à espera que a ideia surja para a poder agarrar e prender no papel. Como que por um acto de malandrice, ela anda à minha volta mas foge. Começo a correr atrás dela pela casa até que a encontro recostada na cadeira verde de madeira que está na minha varanda. Por pura sacanagem, ela começa a falar comigo só para fazer pirraça mostrando-me que sabia o que eu queria escrever. Fi-la sentir-se confortável e lá consegui falar com ela. Começámos a divagar alto sobre os mil e um trilhos da existência. Concordámos que a vida se revela ao mundo como uma alegria. Há alegria no jogo eternamente dominado pelas suas matrizes, na música das suas vozes, na dança dos seus movimentos. A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano. Se me sentir cansada, sento-me a descansar à beira do caminho, mas sempre virada para a frente para ver o que me falta andar, e de costas viradas para o que já andei. Afinal, trata-se tudo de atingir a meta. Ser Homem significa escolher um objectivo dirigir-se para ele com toda a conduta, pois não ordenar a vida a um fim é sinal de grande estupidez.

A ideia ali sentada vai debitando pensamentos soltos que tento apanhar a todo o custo. Alguns mais difíceis que outros, mas todos possíveis. Até o vento me distrai, e perco-me no vago. Estar perdida implica errar. Metade dos nossos erros na vida nascem do facto de sentirmos quando devíamos pensar e pensarmos quando devíamos sentir. Orgulho-me de pensar e sentir. A vida ensinou-me a fazer as duas coisas na altura certa.

As rugas não trazem só o meu ar de mulher vivida. Trazem-me aquilo que muitos querem e poucos alcançam, experiência. Não basta existir para se ganhar experiência. É preciso viver. Aprendi que não são precisos nove meses para fazer um Homem, são precisos sessenta anos. Sessenta anos de ideias, de sonhos, de realidades. Sessenta anos de amores, desamores e desilusões. Nunca confundi amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. Assim, sei reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é aquele que não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa onde não se espera nada em troca.

Sempre lutei na vida. (Ainda há pouco lutei com a maldita ideia que não queria assentar no papel.) A minha maior guerra sempre foi e sempre será a tal travada com a imbatível inteligência. O génio consiste em um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração. Talvez ainda não tenha transpirado o suficiente. Mas sei que não sou burra. Há marcadores naturais de burrice. Ninguém experimenta a profundidade de um rio com ambos os pés. Quem o faz ou tem um atraso, ou demasiada fé. Acredito que a fé possa trazer felicidade, mas há que saber equilibrar a fé e a racionalidade. Juntas garantem sucesso. O importante numa religião não é saber se Deus existe ou não, é acreditar em alguma coisa. Acreditar em alguma coisa, faz-me feliz. Se não encontrar a felicidade em mim mesma, é inútil procurá-la noutro lugar.

Esta varanda é o lugar que me faz feliz. E a minha companhia, a ideia, está determinada a resumir em poucas palavras aquilo que senti ao longo do meu percurso. “Mesmo que tenhas dez mil plantações, só podes comer uma tigela de arroz por dia; ainda que a tua casa tenha mil quartos, nem de dois metros quadrados precisas para passar a noite.”- disse ela sabiamente julgando que não compreenderia. Mas compreendi. Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre.

Viver e aprender conduz ao sucesso. Vencer não é nada, se não se teve muito trabalho; fracassar não é nada se se fez o melhor possível. Na maioria das vezes, “o melhor possível” é sinónimo de ascensão na vida. O difícil não é subir, mas, ao subir, continuarmos a ser quem somos. Muitos sobem e vencem, mas poucos continuam felizes. Não importa o simples facto de se ter sucesso, mas sim o facto de se ter sucesso e amigos. Nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha. No entanto, nem todos sabem o que é ser-se amigo. Alguns pensam que para se ser amigo basta querê-lo, como se para se estar são bastasse desejar a saúde... É por isto que há tanta gente a queixar-se por ter caminhos demasiado longos e penosos pela frente. Sentam-se a olhar para trás e recusam ajuda para se erguerem de novo, apenas por uma questão de orgulho. Sempre foi o maior erro do ser humano, o querer parecer.

As pessoas andam envoltas numa névoa de fumo que não deixa transparecer o verdadeiro. Tornou-se moda fumar, especialmente fumar a falsidade. É por isso que há tanta lei anti-tabaco, é para as pessoas finalmente se conhecerem. Acredito que nem pais e filhos se conheçam. Nada é como antes, nem vai voltar a ser.

-Estou cansada – digo na esperança de ouvir resposta – e tu? Ideia? Estás-me a ouvir?

Também ela se cansou e foi embora. Vivo num mundo cheio de pressa. Pode ser que um dia, demasiada pressa colida e desmascare a lentidão camuflada nesta sociedade de fingimento.




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Este texto foi dedicado à Alexandra Pereira no seu livro de dedicatórias.


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Enrolado.


Depois de desligar o telefone sentei-me no meu sofá de pele. Vi a sala rodar sobre mim como se eu fosse um eixo mas já nem tinha a certeza para que lado roda o mundo. O meu parece rodar no sentido oposto dos outros.
Parei para pensar e acendi o cigarro. Ele mata-me aos poucos e dá-me vida. Cada pedaço de mim que esmorece, é um pedaço salvo da vida que tenho de levar. Se as imagens não fossem distorcidas, haveria mais gente a lutar e menos a fraquejar, perdendo-se pelo caminho e acabando junto de pedras.
Abri os olhos e quis ver o que me rodeava pelo menos mais uma vez. A única coisa que vi foi um nevoeiro denso que me ofuscou da realidade pura onde cirando aos tombos desesperando ajuda. Esfreguei os olhos. Continuei a ver o mesmo. Talvez o erro não seja meu, ou então já estraguei demais e os vícios não me deixam voltar atrás.
Como se de uma linha se tratasse puxei os tempos passados da minha vida para junto de mim e assim quis acabar enrolado nos nós da existência e nas subtilezas do não haver.

sábado, 9 de agosto de 2008

Mais propostas para o novo acordo ortográfico.

DATE
Vocábulo usado para mandar deitar.
Exemplo: Date-se aí!

DAY
Vocábulo usado para dar.
Exemplo: Day-lhe um presente.

LAY
Norma a ser seguida.
Exemplo: Roubar é contra a lay.

SAD
Quando se precisa de água.
Exemplo: No deserto as pessoas sentem sad.

SHOW
Verbo que indica afirmação.
Exemplo: Eu show eu!

VAIN
Do verbo vir.
Exemplo: Eles vain hoje?

YEAR
Deixar, partir.
Exemplo: Ele teve que year?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Propostas para o novo acordo ortográfico

PART
Lugar para onde mandamos as pessoas
Exemplo: Vá para o raio que o part!

PACKER
Prefixo que indica bastante
Exemplo: Eu gosto dela packer-amba!

PAINT
Artefacto para pentear o cabelo
Exemplo: Empresta-me o paint !

RIVER
Pior que feio
Exemplo: Ele é o river.

ICE
Expressão de desejo
Exemplo: Ice ela me beijasse!

MAY GO
Pessoa dócil, afável
Exemplo: Ele é muito may go!

MONDAY
Vocábulo usado para ordenar
Exemplo: Ontem monday lavar o carro.

MUST GO
Significa mastigar
Exemplo: Ele colocou a pastilha na boca e must go.

NEW
Sem roupa
Exemplo: ele saíu de casa new.

CAN'T
Significa que não está frio
Exemplo: O café está can't.

CAN
Usado por quem sofre de amnésia
Exemplo: Can sou eu?

TO SEE
Onomatopeia que representa tosse
Exemplo: Eu nunca to see tanto na vida.

CREAM
Significa roubar, matar
Exemplo: Ele cometeu um cream.

DARK
Significa generosidade, dar
Exemplo: É melhor dark receber

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Ardentemente Frágil

A minha vida é como uma chama. Temo o vento.

Tanto sou forte e domino quem me tenta apagar e temo o mais natural, como as massas de ar que se deslocam sobre o mundo onde vivo. Creio no poder da alma que me ilumina e na ignorância que me apaga. Há ainda muito para aprender, mas poucos para lutar pelo conhecimento.

Aqueles que bebem da mesma fonte que eu ambicionam que a poeira assente e que as raízes molhadas das árvores me abracem para proteger do vento. Também temo a água. Talvez seja melhor lutar sozinha em vez de me aliar às raízes, sofro antecipadamente por que elas me apaguem.

Tenho luz própria e sei que sozinha posso iluminar outros. Desejo-lhes sempre o dobro do que me desejam a mim. É o meu lema, é o meu combustível.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Gostamos sempre de alguém.

Gostamos de alguém, desde sempre. Desde o momento que a vemos pela primeira vez, até morrermos. Aquela pessoa que te marca, desde o princípio, desde o momento crucial. Aquela pessoa, que por muito que tentes evitar, recai sempre no teu pensamento quando te deitas numa cama sozinha, no escuro de um quarto, e que aparece sempre nos teus sonhos. Não é uma obsessão, e por muitas vezes nem sequer te apercebes disso, mas é aquele sentimento que está lá sempre. Apaixonas-te por outra pessoa, és feliz com ela, mas há lá sempre aquela coisa que te deixa imaginar como seria se a vida não tivesse corrido assim, se não tivesses tomado a decisão de virar as costas a esse alguém, como teria sido tudo. Mas não voltas atrás, nem tomas isso como hipótese. É sempre aquela dor de barriga quando o vês, há sempre aquela tensão de uma história mal resolvida. Mas ficas feliz por ser assim, por teres conservado aquele sentimento, e no entanto teres encontrado a felicidade de outra maneira.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Comptine d'un autre été

[Aconselho a leitura desta espécie de coisa com esta música de fundo: http://www.youtube.com/watch?v=xNEWyy4Qhg4 ]



E naquele momento vi passar toda a minha vida perante mim. Enquanto tocava “Comptine d’un autre été” no meu piano senti a minha longa vida de setenta e oito anos resumida em dois minutos e vinte e dois segundos. A certa altura senti as mãos da minha falecida esposa a acompanharem-me e ela a dar-me um beijo doce na cara. Lembrei-me das nossas discussões estúpidas nos tempos de juventude que acabavam em noites quentes de amor. O dia do nosso casamento foi o mais feliz e nesse dia encontrei sentido para a minha vida. És a mais bela, Laura. Sinto a ta falta… Amo-te. Reconheço os teus traços da cara mesmo hoje. Lembro-me de todas as tua rugas da idade que tinhas e que eram (e continuam a ser) as mais bonitas que alguma vez vi. O teu cheiro não sai dos lençóis e sinto a tua presença a aconchegar-me todas as noites. As tuas mãos quentes que me tocavam o rosto todos os dias de manhã, vão agora sendo esquecidas aos poucos... Mas depois de dez anos não acho estranho. Há uma coisa que é constante na minha memória: o nosso jogo da verdade. Todas as noites, tu e eu, dizíamos o que sentíamos sinceramente sobre alguma coisa. Muitas foram as noites em que se dizia “adoro-te” e a noite era longa. Sinto a falta de tudo isso.

Quando introduzi a mão direita na música, e consequentemente as notas mais agudas, recordei os meus tempos da guerra. O meu melhor amigo morreu-me nos braços… Tínhamos vinte e seis anos. És o mais forte de todos, José! Sinto a tua falta, a falta daqueles discursos sobre o certo e sobre o errado. Só tu sabias sempre o que dizer. Não havia tema que eu não te apresentasse e que tu não tivesses já opinião formada e discurso pronto para mim. Morreste de uma maneira tão estúpida! Porque nos obrigaram a ir para ali? Porque tiveram os inocentes de partir?! Nunca encontrámos a resposta e o resultado é este: eu não te tenho aqui comigo. Ainda me recordo daquela tarde em que nos sentámos nas escadas a ver as raparigas a passar. Acabámos por casar com as meninas dos nossos olhos e sermos felizes. Nós atirávamos pedras para que elas olhassem para nós. Ahh… Éramos tão tolinhos. Mas foram momentos tão felizes passados contigo. Juntos aprendemos que os homens também choram. Até sempre meu Amigo!… Sinto que em breve nos encontraremos.

Mais á frente lembrei-me dos meus tempos de juventude. Era tão ingénuo. Lembro-me do dia em que recebi o relógio de bolso do meu avô. Eu tinha apenas dez anos e jamais me esquecerei disso! Amo-te tanto avô! Sim, homem que é homem também ama a família e não tem vergonha de o fazer. O meu avô foi a pessoa mais importante da minha vida. Foi com ele que aprendi o que sei hoje e aliás, foi ele com as suas mão gastas pelo tempo que me ensinou a tocar piano. Foste tu, avô, que me deste as dicas para ensinar a conquistar a mulher que ainda hoje amo. Foste tu que me limpaste as lágrimas quando a avó morreu no acidente de carro com os meus pais. Eu tinha doze anos e já sabia o que a vida guardava às pessoas. Sabia que tinha de lutar pelo que queria e que nada se conseguia sem esforço. Ensinaste-me que a avó e os meus pais iam estar sempre no relógio e quando precisasse de falar com eles apenas tinha de o agarrar e olhar a estrela mais brilhante do céu. Muitas foram as vezes que o fiz mas mais ainda as que corri para ti para te abraçar e deixar-te ver-me chorar. Deixaste-me dois dias antes de casar e entendi isso como um sinal. Sinal de que a minha mulher viria oferecer-me aquilo que outrora me deste. Obrigado por teres passado fome para me alimentar, por teres rasgado as tuas roupas para me aquecer. Obrigado por me teres apoiado nos momentos mais difíceis da minha vida, mas principalmente Obrigado por teres sido a minha família. Em breve falaremos.

Quase no fim da melodia recordei os tempos do ciclo em que corria pela casa com o meu amigo que já na altura era o José e brincávamos aos soldados. Ah, ingénuos! Não sabíamos o que nos esperava. Tempos alegres foram esses da nossa meninice. Éramos leves. Mais que tudo, eu era feliz. Nunca tinha reparado como a vida passa tão depressa mas agora que aqui estou e toco esta última música sinto a vida a escapar-me pelos dedos. Doença estúpida! Coração fraco! Guardei estas últimas forças para tocar no piano do meu avô e foi das escolhas mais acertadas da minha vida.

Agora percebo quando me diziam que não valia a pena discutir nem lutar por causas perdidas. A vida é só uma e eu orgulho-me de dizer que a vivi da melhor maneira. Evitei aborrecer-me e aborrecer. Sim, sofri muito nesta vida e sei que não vou voltar a ter companhia. É a lei da vida. Os velhos acabam sozinhos e não são levados a sério pelos mais novos. Ah…. Tantas foram as vezes que tentei evitar que a rapaziada se metesse em problemas porque não valia a pena, inúmeras foram as vezes que pedi para que estudassem e pudessem ser alguém nesta complicada e dura vida, incontáveis foram as vezes que mostrei que sofrer por antecipação não vale a pena porque a vida encarrega-se de nos magoar para nos chamar à razão e provar que sonhar é bom mas fazê-lo em demasia causa desilusões. O filme da vossa vida é pintado com as cores que vocês criam. Escolham bem o que querem fazer e nunca pensem que terão tempo para fazer tudo. Fui feliz mas muita coisa ficou por fazer. Aquela viagem à Áustria com o José ficou por fazer e a boda de ouro com a Laura nunca teve tempo para acontecer. Arrependo-me e tento ensinar quem ainda não apreendeu. Fico sempre de fora porque sou só mais um velho pobre e sozinho esta vida. Não me levam a sério e perdem com isso. Muito teria para ensinar.

Vejo o meu reflexo no piano cuidadosamente limpo. A minha cara está estragada pelo vento, tenho as lágrimas a caírem-me pelo rosto e poucos são os cabelos cor da cal que ainda me restam. Queria tanto que a Laura, o José e o avô me vissem agora! A Laura dizia sempre que os cabelos brancos eram sabedoria. E o José dizia que nunca haveria de ter sinas de velhice no rosto e que viveria até aos cem anos. O meu avô sempre me ensinou que nem todos eram capazes de chegar à idade dos cabelos brancos porque muitos ficavam pelo caminho derrotados pela miséria.

Sinto-me realizado e feliz. Amo-te vida!

Soou o último acorde da melodia e o pobre velho deixou-se cair sobre o piano com o antigo relógio no bolso. As pessoas importantes da sua vida aguardavam-no lá em cima. Agora ele está ainda mais feliz.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Banco.

Não sei o exactamente porquê mas desde que aquele banco dali saiu nada voltou ao normal. Os teus olhos não têm brilho e são frios. A alegria que noutros tempos tinhas desapareceu tão rápido como aquele banco de jardim dali saiu.

Tudo o que sonhaste, o banco derrubado matou. Agora a vida está sem cor e distante. As palavras que usas são cruas e de prepotência, magoando aquela que outrora amaste e desejaste mais que a tua própria vida. É ela que te faz ver o sentido da vida e te enche de cor o filme da existência. Ela é esbelta e culta matando os tempos mortos que te relembram o que noutros tempos viveste, na altura em que o banco ainda existia.

Como pode um simples banco mudar tanta coisa? Talvez não haja uma resposta racional mas o facto é que muda e destrói esperanças. Todo o futuro que tinhas imaginado (e ela também, sem saberes) derruba como se nunca tivesse tido suportes para a sua sustentabilidade e jamais fosse possível existir tal maravilha criada no imaginário. Tu não sabes, mas ela também sofreu com o derrube do banco. Porque não falas com ela? Porque não lhe perguntas como se sente? Ela não está feliz.

Ainda te lembras da primeira tarde no banco? Aquela em que tu lhe puseste o braço direito por cima dos ombros e ela te deu a mão. Foi uma tarde tão feliz e que causou tanta inveja. Tu estavas feliz e isso notava-se, mas ela também estava.

Ela apenas tenta esconder o que sente porque tem medo de seguir em frente! Ela tem medo que a magoes e tem medo de acreditar numa coisa que pode nunca vir a ser verdade. Ajuda-a, ela precisa.

Tu finges que não te afecta e até já mudaste de banco e arranjas-te outra “ela”. Não prestas. És frio, egoísta e tens o rei na barriga. Tu gostaste tanto do banco como ela e não podes negar. Todos repararam no sorriso parvo esboçado na tua cara quando falavas dela e a tocavas como se soubesses que era tua para sempre. Podes ser feliz.

Tens saudades do banco que não passava de um bocado de madeira velha e húmida, mas as coisas simples têm muito encanto. O vosso perfume permanece naquele espaço e quando lá vais ainda a consegues ver à tua espera com os olhos verdes e o cabelo cor de amêndoa. Tudo era mais fácil se não quisesses mostrar esse teu lado de homem forte e que não sofre. Muda. Sê feliz. Fá-la feliz.

domingo, 25 de maio de 2008

Fotografia (acróstico)

Filmes não me deixam sonhar;
Oprimem a minha imaginação,
Tatuam os limites da minha criatividade.
Outrora preferi-os à fotografia.
Grande erro!
Reparo agora que a fotografia
Aviva memórias e me trás recordações
Felizes que me deixam
Imaginar o final que quero para a história.
Ah, fotografia! Deixa-me continuar a sonhar…

Sentimento (acróstico)

Sprays e tintas foram usados para pintar a cidade agora deserta.

Em todo a parte continuo a ler o teu nome escrito

Nas ruas, nos carros, nas casas, nas pontes…

Todos os lugares gritam a palavra e repentem-na vezes sem conta.

Imagino como seria se ouvisses quando te chamo.

Mesmo eu não querendo, este sentimento persegue-me

E mesmo que tente fugir de ti, ele relembra-me o quanto me fazes falta.

Não aguento mais, estou cansada.

Tanto esforço será sempre em vão porque este sentimento

Ouve o grito da cidade e leva-me sempre até ti.


sábado, 24 de maio de 2008

Fim.

Depois de tudo fica um olhar vazio
com que escondes a dor, o desalento e o desamor.

Outrora nos teus olhos tristes
o sol brilhou e mostrou-me o caminho.

Quem te roubou a alegria?
Com quantas cores pintaste o dia?
Tudo a vida matou.

Ficou esse olhar distante
e sem cor sempre frio.

Quem te viu partir antes de chegares?
Quem te chamou antes de chegares perto?
Quem te põe em verso como uma pintura?
Quem te vê ganhar e perder?
Quem fica com frio por não chegares?
Sou eu.

Sou uma voz perdida dentro de ti.

A falta que me fazes...

sábado, 10 de maio de 2008

Ela

Ela parecia estar bem. Ela sorria e deixava transparecer felicidade pela sua pele. Sempre que alguém tinha um problema corria para os seus braços e chorava contando no facto da felicidade ser contagiosa. Todos confiam cegamente nela sem saber o que ela pode fazer. Julgam-na inocente e ingénua sem sequer se darem ao trabalho de conhecer a pessoa despida da sua máscara social.

A sua aparência não é a que ela quer nem a que os outros procuram ver. Tudo à sua volta desabara tempos atrás.

Ela na verdade não é feliz. Sim, ela ri, mas não é verdadeira mente feliz. Ela é demasiado ambiciosa e exigente com a vida. Ela quer sempre mais. Ela quere-o. Ela gostava de ter aquilo que não pode. Ela fica feliz de os ver felizes e deixa-se ficar em segundo plano. Ela tem o defeito de não esconder as expressões faciais que dizem muito nos silêncios. Ela sabe que está a viver uma mentira em que quer acreditar para ser feliz. Ela precisa dessa mentira.

Ela é teimosa, sonhadora, ambiciosa, simpática, antipática, bruta, nunca admite o erro, orgulhosa, perdoa mas nunca esquece, extremamente vingativa, odeia toda a gente, faladora, reservada, extrovertida, envergonhada, contraditória. Sim, nem todos se conseguem dar com ela. Ela tem um dos feitios mais lixados que alguma vez podem ter visto. Pode quase ser classificada como insuportável. Quando ela diz que gosta, gosta mesmo. E se deixa de gostar, não há volta a dar. Ela sonha em um dia poder mudar o mundo e acha que vai consegui-lo junto dos que ama, e de quem ame.

No seu mundo ela aparenta ser feliz mesmo que não o seja e pensa ser o melhor a fazer. Ela não vive bem com ela mesma e não gosta do que vê. Ela passou a gostar do seu corpo parcialmente. Ela é estranha. Ela é complicada e demasiado racional. Ela tem medo que os que ela ama não gostem dela. Ela teme a infelicidade e a solidão. Ela não se dá por interesses e é demasiado honesta. Ela sofre e não quer fazer sofrer.

Eu reconheço-me nessa ela…

O Meu Piano.

Neste mundo escuro são poucas as vezes que consigo fugir da realidade que vivo que na verdade não é a minha. Vivo aquilo que a sociedade dita e permite.

Ai!... Se não fosse o meu piano.

Cada passo no mundo é uma encruzilhada de problemas que surgem não sei bem de onde mas não me deixam de perseguir. As ruas estão cada vez mais escuras e se queres atravessar não há passadeiras e são escassas as vezes que o trânsito te deixa passar. Tens de arriscar e saltar em frente no momento oportuno. (Há sempre momento e lugar oportunos, só tens de procurar os teus.)

Nesta escuridão imensa tudo me deixa à beira da loucura.

Ai!... Se não fosse o meu piano.

Com o piano compilo melodias leves que me permitem sonhar e imaginar o inimaginável, alcançar o inalcançável e conquistar o inconquistável.

Mesmo no meio do fumo negro que provém dos passos acelerados das pessoas que não estão interessadas em interagir, eu consigo encontrar paz junto do meu instrumento de muitas teclas onde as minhas mãos voam sem custo.

Na minha face esboça-se um sorriso parvo e inocente de quem está apaixonado. De facto estou. O piano é o meu amor. Quero um dia ser como os grandes…

A fuga ao mundo real está naquele piano que está só no meu sótão. Aí não há movimentos bruscos, antipatia ou escuridão. A serenidade e plenitude estão à distância de um pressionar ordenado e compassado das teclas que deixam que a minha mente voe.

Deixa-me sonhar piano!

Mundo

O mundo vira as páginas mais rápido que eu. Não consigo saborear cada palavra porque o mundo pede-me para passar à frente. A velocidade a que ele funciona é muito superior à minha e não consigo viver.

Este mundo está cada vez mais negro e encruzilhado. Os caminhos feitos pelas pessoas são paralelos para evitarem interacções. Acabaram os toques, os cheiros, as conversas. Agora tudo é coberto de fumo e barulho que não sei bem de onde vem mas que incomoda e impede a vida quotidiana, pelo menos a minha, de funcionar como antes pudera funcionar.

Antes podia andar pelas ruas e cruzar-me com pessoas, rir e esperar um dia sempre melhor. Agora isso não passa de uma ideia remota que nem os meninos pequeninos têm. Aliás, eles nunca pensaram nisso.

As pessoas são como fotocópias umas das outras e têm como modelo a seguir uma criatura demoníaca chamada moda. Todos são iguais, pensam da mesma maneira e vestem igual, como se tivessem sido criados em série numa fábrica. Onde está a diferença e a liberdade? Preciso disso.

Olho nos olhos das pessoas e já não me vêm como antes. Estão diferentes, mais distantes e frias, mais escuras e desligadas do mundo.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O Barco

Não tenho de traduzir. Os meus olhos dizem aquilo que a boca não consegue, e há tanto para dizer…

Frases intermináveis que poderiam ser ditas pelo nosso olhar durante dias. Tudo poderia ser diferente com apenas parte do rastilho que temos para queimar. Aos poucos construiríamos tudo aquilo que há e aquilo que inventaríamos. Seríamos a dupla mais perfeita! Cada palavra, daquelas nossas, que não se ouve, mas que se sente. Tudo faria sentido para nós. Desde a mais pura e estúpida gargalhada à crítica trocada com a finalidade de te abrir ao mundo. Por mais que divague, o assunto está sempre claro: nós.

A minha cabeça impede-me de dizer tudo o que sinto. À partida sei que é errado, e sou racional. Os meus olhos impedem-me de adormecer no mundo em que entro naqueles momentos… Mas esse mundo é tão perfeito!.. Porque não pode ser real?

Não tenho nada a provar a ninguém. Sou como sou, e sinto o que sinto.

É demasiado para esquecer e para deixar ir. Pouco para morrer por isso. O suficiente para saber o que quero e como sou feliz.

Existes tu, e eu, e o barco onde pudemos entrar e não voltar. Uma viagem daquelas de conhecimento eterno. Viagem plácida e interminável sem terra à vista. O tempo não passa no mar e nós passamos sobre ele, no nosso barco simples mas que tem o que precisamos para viver: nós.

Eu tenho tanto para dar, e tu tens tanto ou mais. Como duas metades de uma melancia. Escolho a melancia porque é dura por fora e difícil de partir mantendo-se firme em todas as situações sendo precisa muita força para a partir, mas vermelha e quente por dentro suscitando algo fogoso e intenso, como nós.

Mas eu sou a metade estragada. Sou a metade podre, suja e vergonhosa. Não sou a metade que é desejada para completar a tua.

Diz-me o que és e não o que queres ser. Diz-me aquilo que gostas e não aquilo de que queres gostar. Conta-me aquilo que viveste e não aquilo que gostavas de ter vivido. Diz-me quem são os teus amigos, e não com quem convives e quem conheces. Diz-me aquilo que sentes, e não aquilo que te mandam e que gostarias de sentir. Conta-me coisas sobre quem és. Ajuda-me a entrar no teu mundo onde tu estás perdido. Ajuda-me a encontrar-me dentro de ti. Posso ser a metade estragada, mas o que sinto é de verdade e não é por ser estragada que valho menos.

Se não sobes tu à minha torre, tenho eu de descer até ti. Será errado ser a movemaker? Geralmente é a outra metade que o faz.

Será errado eu perguntar how do you do? É que não entendo como vives num mundo que não é o teu.

Todos têm direito à outra parte. Sim, porque creio que cada um de nós é uma metade e a outra está algures neste mundo. Mas o certo é que todos têm essa metade. Todos querem alguém para agarrar e sentir presente em todos os momentos. Mesmo sem dizer, sei o que sinto e sei o que quero.

How do I find the perfect fit? Como?

Se há uma metade para todos, porque nem todos a encontram?

No meio de tantas relações, consigo relativizá-las comparando com a nossa. O barco…

Todos sabem navegar nesse mar sem serem ensinados. Os remos somos nós mesmos, e o coração é a nossa bússola. As gaivotas vêm como mensageiras e trazem-nos as novidades do outro mundo de que pudemos fugir.

Aos poucos, o coração acaba sempre por tomar controlo do cérebro. Acontece a todos, mesmo aos que se julgam fortes. É como se perdêssemos o total juízo e desaprendêssemos a escrever, falar e andar. É preciso aprender a fazer tudo de novo. Quando se sente a perda do controlo, é tarde demais. O barco não volta atrás. Estás no alto mar sujeito a tudo, tu e a outra metade. O desejável é a outra metade estar fisicamente presente no barco, se não, as coisas complicam.

Cada onda traz recordações que não se querem esquecer.

Também não sei como alguém descobre se está pronto ou não para a viagem. De partida, tu puseste logo essa ideia de parte. Dizes não estar pronto e não ser a altura certa. Who Knows if I am ready or not? Quem? Quem me ajuda a descobrir?

A viagem apenas é fácil a dois. Se não estás pronto, eu também não. Se estás, embarquemos os dois por aí numa viagem de preferência sem regresso. Podemos ficar no Pacífico, no Atlântico, no Mediterrâneo… onde quiseres! Desde que o barco tenha dois tripulantes, por mim é tudo perfeito.

Can you hold on a bit? Stop before we go. Quero que antes tenhas a certeza do que estás a fazer para mais tarde não dizeres que foi um erro. Quero que tenhas a coragem para enfrentar as tempestades vindas de fora. As correntes que nos impedem de ir para onde queremos e os ventos que nos influenciam para os caminhos difíceis.

Não há assim tantos barcos neste mundo. As chances de embarcar são poucas, o que torna a probabilidade de entrares na embarcação certa uma coisa monstruosamente elevada. Arrisca. Deixa-te levar. Mesmo que afundes, aprendes a não voltar a fazê-lo. Navega como se nunca ninguém te tivesse feito sofrer.

Não sei o que isto é, aliás, acho que ninguém sabe. Há quem chame amor e há quem diga que isso não existe. Nunca prestei satisfações a esse monstro, mas o certo é que ele anda a ver se me mete numa embarcação (e também me invade o pensamento).

O meu pensamento é claro e escuro, é suave e profundo, é fácil e complicado, é preceptivel e confuso. Tudo se passa à velocidade da luz. Todas as outras metades do planeta passam por mim com o ar confuso que tentam esconder. Há por aí tantas metades com sorrisos falsos… As desilusões vêm de metades honestas, pois das desonestas já esperamos a desonestidade.

Descobri agora as embarcações, mas pelo que as gaivotas me disseram, sempre existiram, e muitas já foram ao fundo. Ainda mais foram as que aguentaram a agora jazem em algum oceano deste planeta… ou de outro. Eu gostaria de ir para outro. Gostaria de ir para aquele planeta que idealizei. É tão perfeito! Tão perfeito como nós. Lá só há oceano e assim sendo, só há felicidade. As águas verdes, tal e qual como os nossos corações de leão, são plácidas e poderíamos permanecer o resto da viagem tranquilos.

Have you already imagined? You and me in a boat without destiny! Could it get any more perfect? I don’t think so. Mas a viagem não é do mundo do impossível! Está tudo à distância de uma parte do rastilho. Teríamos rastilho eterno se queimado com controlo. Uma labareda de cada vez. Cada sorriso saboreado como se fosse o último.

Não tenho mesmo nada a provar. Pela embarcação damos a alma, o humor, o riso descontrolado, as piadas sem sentido, enfim, o sumo das nossas metades… E que cocktail dali saía.

Sabes que estou viva, mas não dás valor a isso. Essa tinha de ser a parte trabalhada antes de embarcar. Nada é garantido e é no arriscar que está o ganho. Não sei como fazes para negar a existência da tua parte interior da melancia. Mas venero essa tua capacidade. Vives apenas mostrando a tua casca e negando existência de uma parte soft. É nessa parte soft que está a vontade de embarcar contigo. Mostra-a! Não tenhas medo. Tens sempre dez milhões de metades na nossa parte do planeta tão confusas como tu. Who doesn’t long for someone to hold? Todos esperam isso. No dia em que estiveres perdido, eu estou aqui. Eu sou uma das metades em que podes confiar. Podes conhecer biliões de metades, mas garanto-te (a ti e a todos) que não terás mais de cinco ou seis verdadeiras metades... Tudo o resto serão conhecidos e metades por conveniência. Óbvio que apenas embarcarás com uma.

Quando perto de um abismo queremos avançar, a solução acertada é dar um passo atrás. Eu fiz isso, e o abismo disse-me que é no embarcar que está o meu ganho.

I can’t fall too fast for you. É na racionalidade que está a minha sobrevivência como metade. Quero ser um todo.

No barco somos um todo. No barco vivemos em vez de sobreviver. No barco pode-se desfrutar de coisas que ninguém imagina.

Se eu analisar o teu lixo, está cheio de coisas de valor real, e o teu mundo cheio de coisas supérfluas. What is the point in preferring a social life in spite of an emotional one? I can’t get it, but I respect it. Cada um é como cada qual. Não vou mostrar o que não tenho, não vou dizer o que não sinto, não te vou contar o que não vivi. Sou uma metade pura e clara. Tenho uma casca do tamanho de meio mundo e nem todos podem entrar, mas tu conseguiste e fizeste-me querer embarcar contigo. Achas que é possível?

Embarcas comigo?

Sei que sonho muito alto. Mas como qualquer outra metade ambiciono a felicidade completa, isto é, se ela existe. Não posso ser mais transparente que isto. Tenho a consciência que estou a pedir-te aquilo que não podes (ou não queres) dar. O melhor é consultar o horário das embarcações, quem sabe se uma embarcação não me aguarda. Sei que não estará agendada para breve, mas eu não quero sonhar com um barco contigo, e depois saber que nem remar queres. Vou esperar: ou que o meu barco receba a outra parte da melancia, ou que um melhor apareça.






Um especial obrigada ao meu revisor do texto, Pimpas a.k.a. Purple Teen Wizard que me releu o texto antes de ser publicado para evitar erros ortográficos. =)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Mudança

Uma tarde como as outras.
Tudo igual excepto o vento que vinha de norte e era fresco.
Mal eles sabiam o que o vento trouxera.


[Em Construção]

sábado, 5 de abril de 2008

Assuntos derivados da questão

Já há muito tempo que tenciono escrever algo minimamente inteligente. Meditei, pensei e poderei determinados assuntos derivados da questão resultante do problema.
Depois de toda a actividade cerebral descobri que não tinha capacidade para escrever fosse o que fosse. Mas mesmo assim ateimei e aqui estou a clicar nas teclas (o que, diga-se de passagem, é bastante divertido).

Entretanto aqui fica um pensamento efectuado:
Se estalar os dedos de segundo a segundo, por cada vez que o faça, morrem três crianças em África.
Solução: Pare de estalar os dedos.

Também houve outra coisa que me pôs a pensar. Sim, eu sei que não é nada novo nem interessante, mas não entendo porque pomos para lavar a toalha com que nos limpamos depois do banho! Se já estamos lavados, para quê lavar a toalha que na prática também está limpa?..

Não me ocorre mais nada para encher esta coisa.
Boa Noite. (Sim, isto foi escrito de noite.)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ouvi Dizer 2ªParte

Por mais que fuja,
Por mais que corra para longe,
Por mais que me tente afastar de tudo e desaparecer,
Essa palavra não me deixa esquecer.

Tudo o que quero deixar para trás persegue-me,
Persegue-me como se nunca mais pudesse esquecer.
Esquecer tudo o que se passou na cidade e nas ruas.
Esquecer tudo o que houve de bom e de mau.
Esquecer como se a minha vida começasse de novo.

Saber que ninguém na cidade me pode ajudar,
Saber que isto tem de ser feito por mim.

Não tive a noção que tinha acabado
E pensei que tudo estava bem.
Pelos vistos nada significou para ti.
Pelos vistos apenas foi uma canção estúpida que só eu ouvi.
Pelos vistos, é um verso solto sem qualquer lógica.

Fiz planos para um futuro,
Que deixa de ser futuro e passa a imaginação.
Afinal, já não há amanhã.

Fiquei com muito para dar,
Mas agora vou dar tudo em raiva.
E sei que não vais gostar.
Mas isso também não me importa.

Fui eu que virei as páginas com pressa,
Pressa de chegar até nós,
Mas com o cuidado de não tirar o sentido às palavras,
às palavras doces e às que custam.

Agora resta-me apenas uma razão.
Um dia vais ser tu e outra igual a ti,
uma como eu não fui,
ou como eu não soube ser.

Um dia vais ser tu a sentir isto.
Um dia vais arrepender-te
e vais pensar como tudo poderia ser diferente.

Um dia vais pedir para o tempo voltar atrás,
e esse dia não está longe...

Ouvi Dizer


A cidade esta deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doenca
Quando nele julgamos ver a nossa cura...

domingo, 23 de março de 2008

Recordar

Recordar? Esquecer?
Indiferente ...
Prender ou desprender?
É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!


Florbela Espanca

sexta-feira, 21 de março de 2008

Palha de Abrantes

Aqui fica o convite para passarem pelo teatro de S.Pedro em Abrantes.

Dia 27 de Março de 2008 às 21h30m será estreada a peça "Olhares e Impulsos" de Ana Jael.
Dia 1 de Maio de 2008 às 21h30m estará em cena "A Caixa" de Prista Monteiro.
Ambas as peças são representadas pelo grupo de teatro Palha de Abrantes.

Contamos convosco!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Tempo


Tempo... volta para trás...

Era bom, não era?
Não, não mudava as coisas. Mas gostava de as viver outra vez. Só isso, reviver. Não peço mais.

"O tempo é muito lento para os que esperam,
Muito rápido para os que têm medo,
Muito longo para os que lamentam,
Muito curto para os que festejam.
Mas para os que amam, o tempo é eternidade..."
(william Shakespeare)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Traduções

Posso estar em erro, mas "traduzir à letra" não me parece uma expressão correcta a cem por cento. Mas que raio de palavra só tem uma letra?.. ok, em inglês temos o "I".. mas de resto nao me ocorre nada excepto os determinantes defenidos singulares em português. Pouco mais que isso haverá.

É mesmo tema de quem não tem nada para fazer.
Inté.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cão

Bem, cá estou eu numa tentativa de cominucar com a vasta população qe lê este blog. (vocês têm milhares de bactérias no vosso corpo, caso nao tenham esse conhecimento).
Neste momento as bactérias que estão no teu teclado, são mais do que as de 300 000 tampos de sanita, e isto não é inventado.
Trago-vos um assunto muito interessante. Já repararam que há pessoas que falam muito alto só quando dominam o assunto que está a ser debatido? ha ha ha! muito engraçado nao é?
E aquelas que se metem no meio da conversa e não percebem nada do assunto, e acabam a fazer figuras ridículas?... ha ha ha! E aquelas que usam palavras caras para esconder que não têm rigorosamente nada de que falar? bem, nao critiquemos essas, ok?

O que se passa é o seguinte: para variar, não tenho qualquer tipo de ideias para escrever. E então achei que escrever sobre o nada ia ser interessantíssimo! Sempre vos digo que estou aqui a passar os melhores momentos da minha vida! Que minutos tão bem aproveitados. Ai que maravilha!.. Melhor que o lusco-fusco.

Basicamente é isto que tenho a relatar por agora. Poderia vir aqui usufruir do vasto vocabulário português e da sua linda gramática, mas não o utilizo e expresso-me por vocábulos simples e não complexos, de assimilação isenta de problemas.
Docemente,
nome de cão.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Quiz

Bem, este é um teste de Q.I. muito conceituado (pelo menos por mim) e com muitos adeptos por todo o mundo (sim, eu valho por muitos, em questão de espaço, claro).

O problema é o seguinte:

Uma senhora com 98 anos está no seu banhinho a relaxar e engasga-se com uma bolha de sabão e dá-lhe o fanico. A sua filha tinha 47 anos e vive com o marido de 37 que é gerente bancário do banco de jardim que eles puseram no jardim, que por sinal é bem bonitinho. Eles têm uma filha muito espertinha que até teve positiva a tudo. Vivem muito felizes numa linda casita perto de quem vai para mais ou menos longe e têm uma garagem muito grande. O seu cão chama-se pili e é um pitbull feroz. O cão já chegou a comer três periquitos.
Numa bela tarde a Carlinha, a linda filhititinha do casaleco, come 3 maçãs, e na fruteira haviam 2. Quantas lá ficaram?

Para responder devem escolher a resposta no lado esquerdo do blog, lá em cima. Está uma data de opçoes para escolher. Boa Sorte!

Sei que é dificil, mas pensem e encontrarão a solução.


Se encontras-te isto aqui de facto és um crânio! Encontras-te o texto secreto! Ou isso ou entao isto apareceu-te no ecrã.. das duas uma..
Só te digo uma coisa:

Se respondes-te ao quiz, tens uma taxa de estupidez elevadíssima!
Como é possivel?! Ai maaae... Interna-te! Vais chumbar a matemáticaaa! PIMBA!


Basicamente é o que tenho a dizer.
Uma boa continuação de vidinha.

Inte.




(bem, para quem continua a responder a isto, que tal sublinhar o espaço que aparentemente nao tem nada escrito? Era uma questão de o terem feito antes. )



Bem, as hipóteses do quiz e os resultados foram:

2 - 4 votos
2,3563 - 1 voto
435x10^1297 - 2 votos
37 - 0 votos
60 - 0 votos


ha ha ha Ouve gente a responder! ah ah ah

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Conhecer-te

"Gostava de conhecer

tu =P"

Mais uma pérola do hi5.


Gostavas mesmo? mesmo qe eu seja um piolhoso que tem a boca a cheirar a chulé e que tenha pulgas no rabo vais querer-me conhecer? Ha pois!
Cambada de mentirosos.. Pff...

Sobre ti

Nunca sentiram aquela vontade enorme de saltar desalmadamente e rir como se o mundo acabasse amanhã? Eu já. Mas isso não interessa para nada.

No hi5 existe um espaço onde cada individuo poderá escrever alguma coisa relativa a si. Pois com uma boa pesquisa encontram-se coisas formidáveis. Desde gente muito modesta que diz "sou simpático e bom aluno", aos que acabam por cair na incoerência. Ora analisemos o seguinte:


"Sou timida, simpática,teimosa, divertida, sincera, calma, romantica. Adoro estar no meu quarto a ouvir música, ou então no estádio a gritar pelo meu clube Académica! Adoro as suas cores e a sua claque a grande Mancha Negra! Gosto de sair com os amigos... Adoro o Cristiano Ronaldo e não me importava nada de o conhecer pessoalmente!! Detesto a falsidade, mentira e injustiça...."

(este sobre mim é verídico, não é inventado. como se quem escreveu esta porcaria tivesse capacidade para inventar o que quer que seja. além do texto transcrito ser real, é de uma pessoa que eu conheço. mais ainda, é da minha familia [vergonhaaa]. Entretanto não sei se repararam mas tive a encher chouriços para o parênteses ficar grande. está giro, nao está?)


Analisando essa pérola do hi5 podemos passar uma boa meia hora.
A pessoa define-se como "tímida" e "divertida".. pronto, e eu sou alta e um pouco baixa.
Depois de se definir, o sujeito enumera dois passatempos preferidos. É fantástico tentar perceber o que vai na cabeça daquela gente. Ora sigamos o raciocínio:
-"Ai não sei o qe fazer hoje. Tenho duas opções:
-> Ou permaneco o dia todo no meu quartito quietinha, sozinha a ouvir a minha musiquinha
-> Ou vou para o estadiozito de futebol cheio de gente euforica a pular e a gritar
Mas que grande dilema tenho eu aqui.. Secalhar vou optar por frequentar umas aulas de ninjitsu. Ouço musica calminha e dou uns gritos."

Ai ai.. Engraçadas as pessoas, não são?.. Que belos textos há nessa grande obra literária chamada hi5!
Mas continuemos com esta viagem fantástica pelo mundo da autodefinição:

(repare-se que a pessoa é tímida mas adora sair com os amigos... E eu sou muito extrovertida e tenho como passatempo estar fechada no quarto.)

Acho as últimas palavras particularmente interessantes: "Detesto a falsidade, mentira e injustiça..." Ora bolas! Eu a pensar que ia entrar em contacto com uma pessoa que defenda que um assassino deve andar à solta, e este ser diz-me que é contra a injustiça?!.. Desmancha prazeres.



Bem, deixo-vos então o convite a visitarem o hi5 e encontrarem estas preciosidades textuais.
(é brilhante a maneira como ocultei ao longo de todas estas palavras que não tenho rigorosamente nada de interessante a dizer)


P.S.- Sim, eu sei que depois de se ler que a pessoa que escreveu aquilo é fanática pelo Sr. Cristiano Ronaldo já era compreênsivel toda a série de danos cerebrais. Mas mesmo assim achei que valia a pena analisar o magnífico texto.

Vai-se

Não tenho nada nem produtivo nem interessante a dizer.. como de costume.

Apenas sugiro, que quem nao tenha uma vida interessante, tal e qual como eu, que se divirta e ler os "sobre mim" dos hi5's.. acreditem que dá para umas boas gargalhadas.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Is back

'

PIMBA!!

mai'nada.



não tenho nada mais a acrescen
tar.







Maria Eduarda is back!
Não é Ni? Nós sabemos..
"Se preparem!"
Muahaha!

sábado, 19 de janeiro de 2008

M.O.

Olá!
Hoje deixo aqui um excerto do "livro" que estou a escrever.
Está no início.. E ainda falta uma looonga caminhada.. Mas este é o início.
Ainda me lembrei dos copiões que podem usar este início.. Mas que se lixe. Gente parva. Haha
Não é o texto difinitivo, pode vir a sofrer alterações. Mas para já é isto qe posso mostrar.. O resto permanece em construção. : ] Também ainda não tenho título para o texto.. mas em princípio é "M.O.".. ainda tenho muito que pensar.
Era porreirinho que gostassem, mas se nao gostarem podem clicar no quadradinho qe está no canto superior direito do vosso computador (isto se tiverem a janela do blog maximizada, se nao têm, bem, sabem a que botão me refiro).
Beijo!



" Mais uma rapariga encontrada morta naquela rua horrenda. Esta encaixava também no M.O. já definido deste serial killer. Morenas, altas, magras e comprometidas, estas eram os requisitos para se ser uma possível vítima do Dark Tea. Este foi o nome de código arranjado para os investigadores se referirem ao matador. “Dark” porque só actuava de noite e “Tea” porque ele deixava na mão de cada vítima um pacote de chá com o bilhete que dizia “Não devias ter quebrado a rotina”. Tudo isto era um mistério para a equipa do Grogan. A equipa era constituída por seis elementos: Grogan, um agente do FBI; Cameron, que ia ao local do crime recolher provas; Kevin, que trabalhava com os ossos do cadáver depois de o resto do corpo já não ser mais útil ou com vestígios de bactérias, fungos ou terra; Cassey que examinava o corpo e as marcas da pele antes de ele ser limpo para passar para o colega Kevin; Steve, que tratava de examinar o Modus Operandi do assassino, e tenta decifrar a sua constituição, preferências, etc..; Ashleey, que era a artista do grupo, era perita em reconstruir rostos através de um crânio decomposto.
Já todos conheciam a rua onde as raparigas eram encontradas sem vida como “A Rua da Morte”. É uma rua infinita aos olhos humanos, muito estreita e tem um cheiro a bafio estranhamente intenso. O musgo nasce naquelas paredes que pouco mais de metro e meio têm de distância. Incrivelmente há um género de algas vermelhas que nascem na fonte que existe nesse rua fazendo parecer uma fonte ensanguentada. Mesmo em pleno dia, aquela rua está constantemente sombria. "