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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Unas passou aqui no blog

       O título do post podia ser o início de uma história gira. Mas é maioritariamente surreal. 
       A semana passada, sem que eu imagine como é que o Loooord veio parar a este estaminé cibernético, vi-me no meio de um frenesim no facebook.
       Tinha acabado de chegar a casa e o meu irmão começou a gritar "o Rui Unas está a falar de ti!" - corri para o telemóvel para encontrar isto:

       Esta foi a forma final do post do Rui Unas. A formulação é meio estranha: "Não conheço a Maria Eduarda..." - era suposto conhecer? Não conhecer interfere com o valor da minha opinião (seja ele qual for)? Fiquei com algumas dúvidas se haveria algum tom jocoso na forma como fui "apresentada". 

          Depois espreitei o histórico de edições:

       Não entendi aquele gosta entre aspas. Pretende-se sugerir que não gosto dos intervenientes na série e por isso é que emiti a minha opinião? Ou é só uma "constatação" mais generalista? 
       Seja como for, parece-me claro que se eu não gostasse das pessoas em questão nem teria visto a série. Sigo o trabalho do Rui Unas há anos, o do Manzarra desde o início no CC e o do César desde que começou a fazer sketches cómicos no programa da Fátima Lopes, na Sic. 
       É talvez por gostar tanto do trabalho das pessoas em questão que esperava muito mais da série (ressalvo que ainda só vi o primeiro episódio).

      Em todo o caso, creio que o Rui Unas terá lido uma série de opiniões, algumas concordantes com a minha, que foi a "escolhida", por alguma razão, para ser destacada. Só por isso, agradeço já ao Lord. 

      A parte mais divertida foi ler os comentários ao post. Há pessoal fanático - gente que é incapaz de ter um espírito crítico quando se trata de um "ídolo". Ficam tão cegos, com tanta sede de agradar, que não conseguem apontar um defeito sequer, mesmo quando este pareça óbvio. Para os fanboys e fangirls do Unas, a série estava perfeita, é o melhor feito em Portugal, e choraram a rir do início ao fim do primeiro episódio. 
    
   Enumero então as opiniões e ataques de pessoas cegas pela fome de agradar de quem discorda de mim:

      1 - "Unas, eu li, é falta de sexo!"
       Exacto, parece-me uma conclusão natural. Se alguém consegue olhar para um produto televisivo, pensar e apontar pontos fracos e fortes do mesmo é, obviamente, porque se mete em poucas cóboiadas.

      2 - "Só sabem é criticar mas nem sequer pensam "será que eu fazia". Criticar e mandar abaixo é mais fixe"
      A pessoa que escreveu isso teceu alguns comentários sobre mim, mais que uma vez. Criticar e mandar abaixo é mais fixe, não é? Será que você pensou se faria melhor que eu?
      Além disso: exactamente onde é que eu mando abaixo seja o que for? Ter opinião, pensar, é mandar abaixo? Não fiquei fã do episódio que vi, destaquei os pontos onde achei que funcionou e outros que achei que não resultaram - isso é mandar abaixo?

     3 - "Demasiado grande, não vou ler"
     Pois, é o problema da maioria dos ataques de que fui alvo (sem que soubessem sequer de quem estavam a falar) - ninguém leu! Perceberam que não seria uma opinião unicamente positiva sobre a série e então toca a defender o ídolo, como se eu o tivesse atacado e não o admirasse tanto como eles.

      4 - "É um blog ou uma peça jornalística? É que se for jornalismo tem falta de sal..."
     Agradeço a comparação a um trabalho jornalístico. Em todo o caso, não releio quase nada do que escrevo pelo que muitas gralhas me escapam, peço desculpa. 

      5 - "É um humor inteligente, não está ao alcance de todos"
      Esta é sempre aquela tirada que está na manga. Se algum produto humorístico funciona menos bem (ou fica, simplesmente, aquém das expectativas) é porque alguém é menos iluminado e não o consegue entender. 
      Eu fico sempre com a ideia de que quem usa este argumento para se defender é porque não arranja mais nenhuma maneira de bajular o humorista dizendo que tudo o que faz é soberbo.

      6 - 

      Este foi o melhor comentário que li. Segue daqui, desde já, um abraço ao Johnny, que é de uma perspicácia impar - e para as duas pessoas que concordam com ele.
      Estava-se mesmo a ver que eu, no meu blog com uma audiência louca de 40 visitas, mais coisa menos coisa, por dia, sabia perfeitamente que o Rui Unas vinha aqui parar se eu falasse da série Sal. Era óbvio que o que eu procurava era tempo de antena e "evidência". 


      Este episódio engraçado serviu para eu perceber que a estupidez tem efeito bola de neve. Basta que um idiota diga uma parvoíce qualquer que o idiota seguinte vai repetir a ideia acrescentando a sua colherada. E passado uns minutos já estou a ser insultada por coisas que nem sequer disse, mas que o idiota 24 acrescentou. 
      Ser conhecido deve ser terrível. Não conheço o Rui Unas, mas agradeço que tenha destacado a minha crítica e fiquei com uma ideia do que é ver as palavras completamente deturpadas e pessoal a pegar em títulos e preencher a história a seu gosto.



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

25 dias para ir e...

       ... já comprei o bilhete de avião e já tratei do quarto. Ainda assim, pouco me soa a real. Parece-me que só quando aterrar em Roma é que vou perceber que o que está a acontecer.

       Para já comecei a tratar de algumas coisas.
       Consulta no oftalmologista: check. A graduação mantém-se e é um bom sinal - é a primeira vez que a miopia estagnou. 
       Consulta no dentista: para a semana. O pânico já começou a parar os meus órgãos. Até à data da consulta temo falecer.
       Malas: já debaixo de olho, mas nada comprado. Posso levar duas no porão com 23kg e 10kg. Não faço a menor ideia da tradução deste peso em quantidade de roupa e tamanhos de mala.
       Arranjar o computador: processo que está a ser adiado há um ano. É rezar que já não seja tarde demais.
       Comprar um disco externo: por fazer.
       Encontrar uma máquina fotográfica e comprar cartões: por fazer.

      Entretanto li que o aeroporto onde vou aterrar tem uma elevada taxa de roubo às malas depois de despachadas. Já estou a ver chegar lá com a mala vazia. O pânico.

      Vou só comprar Xanax e já volto.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ainda há Dia da Defesa Nacional?

       O meu irmão recebeu ontem a carta com a convocatória para ir ao Dia da Defesa Nacional e eu pensava que isso já nem existia. Afinal, que sentido faz manter essa palhaçada formalidade?

       Há uns anos também eu tive de comparecer em Santa Margarida para cumprir o meu dever (?) e passar um dia profundamente entediante e inútil. Tudo soou a campanha do género "isto é tudo tão giro, juntem-se a nós". Se aquilo fosse, efectivamente, assim tão giro, nem precisavam de obrigar o pessoal a perder um dia inteiro a ver vídeos, ouvir palestras e ver armas para tentar convencer alguém a alistar-se na marinha ou no exército. 
      Mesmo que a vida militar seja espectacular, por que carga de água tem essa profissão direito a um dia dedicado a si, com comparência obrigatória que, não sendo respeitada, dá lugar a multa e proibição de exercer funções públicas? É um dia com um propósito absolutamente obsoleto. 

    Ainda convém frisar que o almoço servido foi uma espécie de mixórdia que se assemelhava, muito vagamente, a uma jardineira - e que quase toda a gente deixou ficar no prato. Além disso, para o lanche deram-nos, simpaticamente, um nougat. E já temos um dia chato e marcado pela fome.

     Quando fui chamada, em finais de 2010, o transporte para o campo militar era oferecido. Isto parece-me lógico - se eu sou obrigada a ir, então que me seja dado um meio de transporte. Não faz sentido ter custos com uma coisa que, apesar de obrigatória, é inútil.
       Ás seis da manhã lá fui eu para perto da Câmara Municipal de Coimbra, apanhei o autocarro e rumamos todos para Santa Margarida.

       Na carta que o meu irmão recebeu vêm anexados mais dois papeizinhos. E o que são? Requerimentos para pedir transporte, de ida e/ou de volta. Portanto, o procedimento base já não é oferecer transporte a toda a gente mas pedir que seja apresentado um requerimento. 
        Ainda constatei que há casos em que a data que vem na carta é diferente da que aparece no edital da junta de freguesia. Portanto, isto está tudo num estado de bandalheira total. 

       Portugal é o país onde só se perde tempo com coisas que não interessam para rigorosamente nada e onde os assuntos fulcrais são chutados para debaixo do tapete.

domingo, 10 de agosto de 2014

Sal, uma série a que ainda falta... sal.

       Sal prometia muito. Um projecto que me parecia ambicioso, capaz de explorar novos caminhos do humor português e que reunia três pessoas cujo trabalho eu sigo: César Mourão, Rui Unas e João Manzarra. A ideia de ver estes três nomes na mesma série deixou-me com expectativas altíssimas.

       A série começou devagar e com desilusões e surpresas. O Manzarra é menos actor do que eu imaginei. O Salvador Martinha (humorista num género que não aprecio) tem muito mais piada do que eu pensava. O César, mesmo num boneco com tudo para ser irritante, é uma aposta segura e ganha, com graça em tudo o que faz. O Unas também correspondeu ao que eu esperava.

      Em Sal tudo acontece devagar. Não sei se é porque quiseram dar um ar cinematográfico à coisa, mas ali tudo é lento e isso quebra (pelo menos, para mim) o ritmo de muitas das graças.
      Ainda sobre as piadas há a ressalvar o facto de os guionistas não terem sido capazes de descortinar quais as piadas que só funcionam escritas e as que também funcionam ditas - infelizmente, muitas das primeiras foram escolhidas para entrar na série e, sem surpresas, não resultaram bem. 

        Houve momentos em que me ri muito.
       A cena inicial com o Camané e a busca pelo Salvador é hilariante. A expressão da cara dele, os tempos de resposta, tudo ali funciona. Ri-me. 
       As primeiras vezes que aparece o Mourão também me fizeram gargalhar. O Vitor Norte também esteve bem.
       A sequência da entrada dos quatro protagonistas no aeroporto é muito cómica: o Salvador a oferecer autógrafos, a filmar a multidão que idolatra os outros três e o desconhece; o César em modo vedeta e o Unas a idolatrá-lo. 
       O momento em que o sujeito que vem do mar de cadeira de rodas também foi engraçado.

       Mas houve pontos muito baixos.
       A cena da decisão do guião do filme, em que o Salvador está a mandar ideias sobre a introdução de extraterrestres na história não resulta. As piadas não o são, a cena é demasiado longa e não acrescenta nada de útil à história. É uma daquelas que tem piadas que resultariam escritas.  
       O momento em que surge o Lorenzo também está estranha, lenta e fez-me querer mudar de canal.
       A piada sobre a miúda McCann pareceu-me super forçada.

       Estranhamente, o melhor do episódio foi o teaser com as cenas a ver nos próximos.

       Se tivesse de qualificar este episódio numa escala até cinco, seria um três
       Sal marcou, já com o primeiro episódio, pela inovação, por um género que nunca vi feito em português. O conceito promete e acho que ontem foi só um "cheirinho" daquilo que virá nas próximas semanas. Foi isso que ficou: uma vontade de ver o próximo episódio porque o primeiro só me soube a uma leve introdução com muito pouco... sal.
       
       

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Como se prepara uma mala para seis meses?

      Reuno duas características que formam uma parelha de satanás quando é preciso tratar de alguma coisa importante: sou a mestre da procrastinação e tenho dificuldades em organizar as coisas essenciais. Se regra geral isto leva a que eu encontre caminhos mais rápidos, fáceis e eficazes de resolver qualquer questão, quando o assunto implica que eu passe por várias etapas, tudo se torna caótico.
       Como referi ontem, estou a um mês de ir para Roma. E, adivinhem... Ainda nem sequer comprei a mala. Até poderia começar a organizar roupa, mas nem tenho onde a pôr.

       Nem tudo é negro: com o processo de trazer tudo de Coimbra para casa dos pais concluí que tinha demasiada roupa que não vestia há anos (ou que nunca vesti!) e que mantinha no guarda-roupa por alguma razão idiota. Assim, fiz uma limpeza profunda a todos os meus pertences - um processo quase terapêutico - e tenho agora um quarto com mais espaço livre. 

       Voltando ao assunto da mala, eu não sei sequer por onde começar a organizar-me. Levo roupa de verão? De inverno? Levo lençóis, toalhas? Não tenho balança - como sei que a mala tem o peso permitido pela companhia aérea?
       Se não levo roupa de inverno vou ter frio. Se a levo, a mala fica cheia só com casacos, camisolões e botas. Para piorar a situação, não há Primark em Itália. Se me faltar alguma coisa não tenho ali uma solução fácil e barata à mão - e o mais provável é eu esquecer-me de alguma coisa essencial.

       Alguém devia apostar num ramo de negócio que consistisse em vender malas de viagem já prontas, adaptadas ao estilo, medida e necessidades do cliente. 

Sobre mim

Coimbra viu-me nascer em Fevereiro de 1992. Uns anos depois fui parar a uma cidade no Ribatejo onde muito pouco se passa. Cresci com os Simpsons, o Scooby Doo, Dragon Ball, Pokemon e o Doeraemon (ainda no tempo em que os bonecos falavam castelhano). Os fins de semana até à adolescência eram quase todos passados em casa dos avós em Coimbra, cidade que sempre senti como casa.
Nos tempos livres tive aulas de piano, de natação e de inglês.

Aos quatorze anos decidi juntar-me ao Grupo de Teatro Palha de Abrantes onde fiz algumas peças, leituras e afins, e onde fiquei até acabar o secundário. 

Terminei o secundário na área de ciencias e tecnologias com a certeza absoluta que tinha errado na escolha da área de estudos. Ser escritora, jornalista e advogada parecia-me uma vida de sonho. Optei então por concorrer à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e lá estou a terminar a licenciatura em Direito.

Comecei a morar sozinha e adoptei de imediato a Maria Amélia (Mia para os amigos), a minha gata de estimação que também funciona como meu despertador.

A paixão pela escrita e pelo mundo da comunicação levou a que criasse blogs desde que soube da existência deles, algures com doze ou treze anos. Depois de vários projectos deixados pelo caminho, este blog, criado aos quinze, foi o que se manteve e onde fui crescendo através das ideias escritas partilhadas com o mundo. 

Sonhadora, justa e incapaz de gostar de regras e imposições.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Porquê ir de Erasmus?

      Várias pessoas me têm perguntado a razão pela qual optei por ir de Erasmus para Roma. E a verdade é que não tenho uma resposta para dar. Foi tudo intuitivo. Não fiz pesquisas algumas (que talvez devesse ter feito) sobre as melhores hipóteses para fazer Erasmus de Direito, melhores faculdades, nível/custo de vida, língua em que são leccionadas as aulas, ... Não fiz trabalho de casa nenhum. Tive vontade de ir, sempre adorei a ideia de ir para Itália e mandei-me à candidatura mais ou menos às cegas.
       A verdade é que o que procuro na minha experiência Erasmus é muito mais do que uma mais valia académica - se é que o é. Aquilo que realmente pretendo conseguir com esta mudança na minha vida é crescer. Quero sair da minha zona de segurança, conhecer pessoas novas, dominar a arte do "desenrascanço" sozinha, sair de casa e sentir-me posta à prova. 
       Nos últimos anos tornei-me demasiado caseira. Sinto-me bem a ver filmes ou séries, a ouvir música, a ler, a escrever e a fazer uma série de outras coisas que não envolvam sair de casa e ter de lidar com muita gente. E isso precisa de mudar. Não me parece que haja melhor e mais radical maneira de resolver esta questão do que sair do país durante seis meses e precisar de sair para não enlouquecer. 
       
       Agora cheguei à fase das perguntas todas: será que vou conseguir adaptar-me ao italiano e fazer as cadeiras todas? Onde vou morar? Como vai ser ter de tratar da minha roupa toda sozinha? Quando vou decidir comprar mala de viagem? Que roupa levar? Como raio devo fazer por causa do telemóvel - compro um cartão italiano? O que vou comer - vou ficar um cachalote? Como vai ser ter de partilhar quarto com uma pessoa que não conheço durante seis meses? 
      Sou a mestre da procrastinação pelo que ainda tenho tudo por tratar. O tempo começa a escassear e eu, com tanta coisa por fazer, nem sei por onde começar.

      Em todo o caso, sinto-me pronta para a aventura mais louca da minha vida até à data.

Estou a um mês de ir de Erasmus para Roma

       Algures no primeiro semestre, de um dia para o outro decidi concorrer a Erasmus. Não houve grande pensamento na tomada de decisão - tive vontade de explorar mais mundo e iniciei o processo de candidatura. Depois de muito papel para lá e para cá, muita espera, já só estou a um mês de ir embora. 
       Ainda não tenho quase pronto e, apesar de ainda estar entusiasmadíssima, começam a surgir pequenas preocupações que julgo serem normais neste processo.

       Serve então este post para avisar que, daqui em diante, tenciono usar este espaço cibernético como uma espécie de diário para manter os interessados actualizados sobre esta aventura. 
       Pode ser que seja desta que retorno ao blog com a devida assiduidade.