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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os três - resposta ao Dexter

para ler o post original é só clicar aqui, e ir ao Confissões de Uma Mente Depravada.

   As três figuras da História recente ou antiga com quem eu gostava de conversar pelo menos uma hora são:

1 - Adolf Hitler: Não me lembro se já o referi aqui mas sou uma grande fascinada pela segunda guerra mundial. Hitler é, sem dúvida, uma grande figura desse tempo e daria tudo para lhe perguntar qualquer coisa como "Oh sócio, mas como é que te passou pela cabeça chacinar judeus basicamente porque sim?". Claro que sei as motivações que o levaram a tal, as crenças que ele tinha, mas queria que ele me explicasse que raio de ideia lhe passou pela moleirinha. É preciso ser-se genial para arquitectar um plano daquela envergadura, com os detalhes de execução que ele tinha. Não sou psicóloga nem estou a estudar para tal, mas gostava imenso de estudar este senhor. Afinal de contas, ele conseguiu mover massas a pô-las a alinhar em todas as barbaridades que pudesse dizer, sem sequer pestanejarem.

2 - José Saramago: Com a leitura obrigatória do Memorial do Convento a coisa podia ter dado para o torto porque tenho uma incapacidade natural para reagir bem quando sou obrigada a fazer seja o que for, mas a verdade é que já tinha lido As Pequenas Memórias e fiquei fascinada pelo percurso de vida do senhor. Era arrojado no que dizia, deixou textos brilhantes e aquela escrita dele sem a pontuação comum e organizada de uma forma muito pessoal é tudo aquilo que eu gosto - é diferente. Gostava de ter um debate com o Saramago sobre religião.

3 - Kurt Cobain: Gostava de perceber como é que se pode ser tão bom no que se faz e ter-se uma vida tão miserável assim como a auto-estima. Quem diz o Kurt diz Fernando Pessoa. Se pudesse, tinha uma conversinha com estes sujeitos para perceber o fenómeno do artista deprimido.


Não referi o Johnny Depp porque esse é um dado base. 

Egoísmos

         Somos todos movidos por interesses egoístas – uns mais que outros. Não fazemos isto ou aquilo com base no bem estar geral, deixemo-nos de hipocrisias sociais. Procuramos o nosso momento de bem-estar, a nossa zona de conforto. Claro que uns podem abdicar de uma cota parte disto em prol  dos outros (atitude louvável, diga-se. Digna de um mártir)  mas, regra geral, todos nós temos um fundo nada altruísta que se debate por encontrar a melhor saída para o que almejamos.
        Somos tão egoístas que escolhemos uma pessoa porque ela tem parte de nós, - um pedaço que nos falta e foi escondido noutro indivíduo qualquer para que a nossa existência se prenda nessa procura, nesse jogo -  e não porque ela, em si, é a nossa pessoa. É tudo uma vontade individual de nos sentirmos completos e não um desejo desmedido de tornar outro feliz. Nós queremos que a outra pessoa esteja bem porque ganhamos com isso, a verdade é esta e a prova disso é que tudo se faz na espera de poder cobrar o feito mais tarde: ou bolos que se oferecem para depois receber flores, ou uma massagem que se dá porque se sabe que acaba numa espécie de sinfonia sexual ou até mesmo a mensagem que se manda  na espera de receber uma resposta. Se assim não fosse, não se fazia nada. Se não quiséssemos receber resposta, não mandávamos mensagem. Se não quiséssemos flores, não oferecíamos outras prendas – ou oferecemo-las para pagar as flores já recebidas. É tudo um contrato social, um negocio entre dois sujeitos que se comprometem  a conjugar interesses de forma harmoniosa e a dar & receber (nunca apenas um destes) equitativamente.  Subimos um degrau sempre a contar que o próximo seja o outro a subi-lo e por aí em diante. Forma-se uma equipa constituída por dois elementos que têm um interesse egoísta , que por sinal é comum ao  de toda a gente – ser feliz.
        Bem, isto ou é egoísmo ou então sempre há amor, Não sei. 

de volta


   Depois de uma longa ausência, voltei.
   Não ganhei à FDUC levando-a a zeros, mas ganhei. Levo dois recuerdos do primeiro semestre para depois.  No fundo era este o objectivo, não fazer tudo para não ficar com saudades (not).
      E, sem férias algumas, começou o segundo semestre que é composto pelas seguintes cadeiras: Direito Constitucional II, Economia Politica II, Introdução ao Direito II, História do Direito Português e Inglês Jurídico. Estou em pulgas em relação a esta última porque gosto quase tanto de tal idioma como da minha língua materna, pelo que ter aulas com um senhor british é um momento – de quatro horas - de relaxamento durante a semana.
       E para começar o novo semestre em grande arranjei um belíssimo entorse. A culpa é de um estranhíssimo fenómeno da noite coimbrã: à noite chove azeite nas ruas. Ora, com isto, é óbvio que às três e tal da manhã eu ia torcer o raio do tornozelo. Enfim, uma semana de cama, talas, canadianas, gel anti-inflamatório, analgésicos e gelo.
        As praxes – tema sobre o qual não me posso alongar porque tudo o que eu disse pode e será usado contra mim quando for altura de ser praxada – hão-de recomeçar algures nas próximas semanas. Que venha a queima das fitas bem depressa.

       A modos que é isto a minha vida. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Avó,

         escrevo isto aqui porque acredito piamente que aí há internet. Afinal, em pleno século XXI onde é que não há internet? Pronto, está bem, há para aí um país ou outro que não tem acesso a este mundo, mas tu tens, sei disso. Não me perguntes como, mas sei. Da mesma maneira que soube que quando me despedi de ti de manhã na quinta-feira que era a última vez que o fazia. Coisas que não se explicam mas sentem-se.


      
        As tuas mãos geladas, gélidas mesmo!, a tocarem-me na cara enquanto me falavas, lembro-me disso. E de roubares moedinhas - pensavas tu que 5€ era quanto custava, aproximadamente, um café - e de mas dares para eu ir para a faculdade com o meu, chamar-lhe-emos, subsídio de alimentação garantido. É que é uma coisa muito tua, sei lá, essa fixação com o comer. Já devo ter engordado uns vinte quilos, sei lá, e tu sempre com a piada habitual perante o meu comentário em relação à minha alteração fisionómica, algo que era sempre do tipo "pois, eu e o teu avô bem notámos que hoje havia muita sombra, foste tu que passaste em frente ao sol", e dizias isto com a tua ironia seguida de uma gargalhada bem saboreada. E eu irritava-me!
        Ou então dizeres coisas como "não estudes mais, que isso faz-te mal" ou "vais ler isso tudo? não é preciso! lês só um bocadinho, metes lá umas coisinhas certas e eles dão-te pontos". Estas filosofias só tuas, coisas absolutamente deliciosas, que dão para rir quando o cansaço já é muito.
        Sabes o que ia agora? Um pratalhão daquele leite creme que só tu sabes saber. É que nunca mais vou encontrar um igual, sei disso. E os pastéis de bacalhau, e o arroz doce, e a aleteria! E os filhós! E o arroz de forno... que arroz de forno! És uma cozinheira do caraças, sabes disso, não sabes? Por isso é que me deste cabo da linha! Estava eu a trabalhar para ser a próxima Kate Moss e pronto, arruinaste-me os planos! :)

        E agora, recentemente, quando me ameaçaste ao explicarem-te que ao ser advogada, vou, muito provavelmente, ter de defender coisas que não são propriamente morais, e tu disseste algo do género "ai de ti que eu saiba que vais andar aí a mentir!"? Lembras-te? És demais. Só tu mesmo. E disseste mais coisas tolas como esta e esta. Coisas que fazem de ti a minha avó, a que conheci assim, a mulher com quem vivi todos os dias durante cinco meses.

       Sabes o que me orgulha? Saber que me viste entrar em Direito aqui em Coimbra. Saberes que consegui entrar aqui na nossa cidade, no curso que queria, com uma boa média, e gostar do que estava a estudar - pelo menos na maior parte do tempo. Gostei tanto que me pudesses ver fazer a primeira cadeira! A primeira! Lá me viste tu a dar baile em Direito Constitucional I. Feitíssima, vês? E o exame que fiz hoje também me correu muito bem, para que saibas. Mas correu bem porque estavas comigo, a torcer por mim. :)   Sei que lutaste muito para me ver fazer isto. Não me viste ter uma criança, mas eu avisei-te que isso era coisa para ainda demorar. Daqui a dez anos, sei lá! Mas vais andar por aqui, que eu sei.
       E sabes do que me lembro sempre, que tu ficas porque a minha mãe está, e ela tem o teu sangue, e eu o dela. Eu tenho o teu sangue. Sou tu. E ai da biologia que venha para aqui opinar e contrariar o que eu estou a dizer. Se digo que é assim, é e pronto.

      Isto de andar por cá oitenta anos não é pêra doce. Viste tanto, andaste tanto, aprendeste tanto... E eu não consegui ouvir metade das histórias que tinhas para contar, metade das gargalhadas, dos risos, dos ralhetes, das ordens para encher o bandulho... Mas o que ouvi e vi foi suficiente para saber que mereces descansar, mereces ter paz depois da luta e do cansaço que foi andar por cá e seres feliz.

       Gosto muito de ti. E tu sabes disso, tenho a certeza. Põe o pessoal aí desse lado na linha, mostra-lhes o "gordo" lá da televisão que tu adoravas isso. Junta aí uma maralha jeitosa e façam o serão em frente a um televisor qualquer. Divirtam-se e não esperes que eu te largue assim do pé p'rá mão. Eu falo contigo, e tu ficas encarregue de ouvir e mexer aí uns cordelinhos :)  Beijinhos Avó Idalina, já tenho saudades tuas.


P.S.-  Foi desagradável isto de vires desviar atenções do meu aniversário. Agora anda tudo triste. Não achas que bastava ter de partilhar o protagonismo com o Cristiano Ronaldo? Pronto, admito que não me custe assim tanto dividir esta época com a tua memória :)  És linda!

[1930-2011]

sábado, 5 de fevereiro de 2011


Última vez que faço anos e que a minha idade consiste em dois dígitos cujo primeiro algarismo é o 1