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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aventuras com o puto

         As idas ao supermercado aqui em Coimbra são bem mais interessantes que em Abrantes, diga-se. Aqui nunca se sabe bem que imagem icónica é que se pode encontrar ao passo que na outra cidade era confrontada sempre com as mesmas caras.

        Há umas semanas fui então à superfície comercial que mais me convinha com os meus pais e com o meu irmão - que é dotado de um sentido de humor muito... peculiar, chamar-lhe-emos assim.
         Ora, estamos nós na fila para pagar naquela caixa mais junto à entrada do supermercado quando entram, em grupo, um conjunto de pessoas com visíveis atrasos mentais e físicos. Um dos sujeitos ia numa cadeira de rodas eléctrica e, que me lembre, havia mais outro senhor que uma numa daquelas cadeiras comuns, que precisa da impulsão humana para se movimentar e, por sua vez, uma senhora coxa e com graves dificuldades em andar que empurrava a cadeira deste último. E estas três pessoas estavam efectivamente a deslocar-se em grupo e a uma velocidade inferior à de um caracol, obviamente devido às deficiências de que todos eram portadores.
          Perante esta imagem surreal - visto que na cidade onde vive a maior parte do meu tempo via as mesmas pessoas todos os dias por não ser uma terra tão grande como a onde actualmente vivo - só consegui soltar um "mãe, o que é isto?" ao que o meu irmão respondeu - e preparem-se - "é uma corrida".

         Impagável. É por isto que eu e ele, se existir inferno, temos bilhete para lá bem depressinha...

Toques de telemóvel

      É certo e sabido que odeio andar de transportes públicos. Gosto menos ainda de falar ao telemóvel dentro dum autocarro. Pior do que falar ou ter de ouvir as conversas alheias é descobrir, inevitavelmente, o toque escolhido pelo portador do instrumento de comunicação fácil.

     Regra geral - ou seja, cerca de noventa e nove por cento das vezes - tenho o meu telemóvel em modo silêncio para não me chatear. Em parte porque me irritam toques sejam eles de telemóvel ou campainhas ou o que quer que o valha. Não gosto, pronto, embirração minha. Mas constato que a maioria dos indivíduos que se sujeitam, tal como eu, às andanças de autocarros e coisas que tais que nutrem muito apreço às musiquinhas que põem naquela maquineta para serem avisados que estão a receber uma chamada.

     Chamem-me preconceituosa, mas faz-me confusão ver um senhor já com as suas quatro décadas de vida a ouvir o pequeno Saúl no seu telemóvel. E isto tudo num autocarro onde pequenos acontecimentos tomam proporções desmedidas por serem poucas pessoas (nos dias em que tenho sorte) fechadas num espaço pequeno. E constatar que há pessoas - leia-se senhoras com idades entre os trinta e os cinquenta anos - que têm o Melão, a Shakira, o Tony Carreira, ..., como música de eleição para ter como toque é medonho.

       Se calhar, antes de se proceder à escolha do tom preferido, convém pensar em todas as possibilidades em que aquilo pode tocar. Ainda me lembro de uma aula qualquer do ensino básico em que o meu telemóvel começou a tocar e qual era o toque? Uma gravação feita por mim e pelo petiz do meu irmão a dizer qualquer coisa como "Vá, atende o telemóvel. De que estás à espera? Atendee" mas assim com aquele sotaque Africano. Enfim. Vergonha total. A minha ingenuidade na altura era uma coisa terrível. Mas ao menos serviu-me de lição. Já lá vão uns anos e desde aí, até em férias o meu telemóvel não pia. Nada. Silêncio absoluto. E como eu devia haver mais gente a pensar assim...

Post no blog do Dexter

   Foi-me concedida a honra - não é graxa, eu gosto mesmo do blog. Mas podia ser, claro - de ter um texto meu no Confissões de Uma Mente Depravada.
   Para ler a minha opinião sobre o Facebook e no impacto social que isso trouxe, basta clicar aqui.

Patologias do homem #2

           Baixar a tampa da sanita

     Não conseguem, é escusado. Possivelmente é alergia, sei lá. Que outra razão haverá para não fazerem uma coisa tão simples como baixar o raio da tampa da sanita depois de aliviarem as necessidades fisiológicas? É coisa para tirar 5 ou 10 segundos.
     Vá lá que o meu irmão sempre foi bem educado (mandado) e soube deixar a casa de banho no mesmo estado em que a encontrou, mas isto é uma qualidade louvável que, até hoje, só vi nele. Todos os amigos que levei a casa em determinada situação e quiseram aliviar a bexiga deixaram o belo espectáculo que é a sanita com a tampa para cima. Se, supostamente, essa imagem fosse esteticamente agradável, nem metiam uma tampa em tal peça, não? Se ela lá foi posta, é por alguma razão. Isto digo eu, claro. Mas também há casas-de-banho com bidé e eu ainda hoje não entendo a utilidade daquele objecto. Mas pronto, isso já é outro assunto que não é chamado neste post. Ainda assim se alguém me souber dar uma explicação, agradeço.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Questões pertinentes

Porque é que em vez disto

Não fizeram isto?


Tenho a certeza que esta edição teria imensos compradores. Comigo podiam contar...

"Eu não tenho medo do amor.
Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele.
Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências."
Marla de Queiroz

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A verdade é que...

         ...não tenho intenções de fazer com que todas as pessoas de quem eu gosto gostem de mim. Nem espero ser tão importante para alguns como eles são para mim. Nem que eles sintam tantas saudades minhas como eu deles. Chega-me saber que em algum momento eu fiz a diferença, que eu fui diferente.
        Ainda assim, gostava de saber que quando fecho os olhos e penso em alguém, que esse alguém vai estar também a lembrar-se de mim. E que esse alguém queira que eu me mantenha fiel ao que sou e que abrace os meus defeitos e virtudes.
        Quero saber que mesmo que hoje nem tudo corra bem e eu falhe, que um dia vou ser feliz. Quero nessa altura poder olhar para trás e ver que nada do que fiz e por que passei foi em vão, que teve um significado e marcou-me a mim e a quem a mim esteve ligado.

Eu nunca...

Eu nunca disse "gosto de ti" sem ser profundamente sentido.
Eu nunca fingi.
Eu nunca consegui entender fenómenos como Madona, Tokio Hotel, Hello Kitty, ...
Eu nunca suportei palhaços ou circos.
Eu nunca esqueço, mesmo que diga que perdoo.
Eu nunca descriminei.
Eu nunca me vou acomodar ao que tenho, vou querer sempre mais e melhor.
Eu nunca aguento despedidas.
Eu nunca luto por causas perdidas.
Eu nunca fumei.
Eu nunca acreditei plenamente no amor.
Eu nunca achei que houvesse alguém capaz de me entender.

#2

    - Mas porquê eu, se me esforço tanto para ser uma muralha?
    - Porque consigo ver para além dos muros. Porque consigo ver-te. No fundo sei aquilo que escondes e pensas já não existir. Desatei o cordel que prendia a caixa que te empacotou a alma. E tu nem deste conta. Minto, deste. Tanto deste conta disso que te desligaste de mim. E eu tenho pena disso, assim como saudades. A verdade, e devo admitir, é que contigo não tenho medo de ser quem sou. Não tenho medo de errar, de te mostrar aquilo que de mais precioso tenho e entregar-me, por completo. E juro-te que isso nunca aconteceu antes. Nem eu entendo porque raio tinha de ser agora, logo nesta altura estúpida e absolutamente louca. Nenhum de nós quer isto agora. Tu ainda queres menos que eu. Mas eu nunca tive pressa de chegar à ultima página até porque rezo muito para que ela nem exista, para que o último capítulo nada mais seja que um deixar em aberto para o segundo volume, para a continuação do que seremos.
      - Tenho medo. E pouca paciência também. E pouco tempo. Pronto, admito que possam ser desculpas para te baralhar com palavras até entenderes que o que me demove é só o pânico da dor.
     - Todos temos medo. Eu tenho medo da morte, de aranhas, da solidão, de não ser boa o suficiente. Mas não tenho medo de ti. Nenhum mesmo. És o meu porto seguro, a âncora que me mantém fixa num lugar: a ti. Não te exigi nada que não quisesses dar. Não te chamei, não te agarrei, não disse nem fiz. Fiquei até tu queres chegar. E chegaste. Fizeste, agarraste, chamaste e disseste (pouco). E nunca me imaginei tão tolerante. É por isso que és tu. És tu que, mesmo escondido atrás do que queres ser, me entendes. Pelos gostos em comum, pelo ritmo, por seres e por eu ser. Porque no fundo, somos.
      - Sim, somos."

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fa Kin Su Pah



O que eu me ri sozinha a ler isto. O que tenho a dizer sobre este curso de chinês em cinco minutos? É Fa Kin Su Pah!

Tourada - tortura


Se andar a espetar estes instrumentos em lombo alheio não dói, que os toureiros pratiquem uns nos outros. Há coisas que me vão revoltar sempre. 

pseudo-férias

      E pronto. Isto de andar na faculdade é tudo muito bonito porque, depois de 12 anos a gramar com coisas que não interessam a ninguém chegamos ao curso que queremos mas, se tiverem o azar de escolher Direito ou outro que, à semelhança deste, vos dê água p'la barba, férias, viste-las. Inexistentes.
       Tenho exame dia 3, dia 7, dia 9 e dia 19. E isto é a época normal e a contar com uma nota minimamente agradável naquela segunda frequência de Direito Constitucional. Se deu para o torto, lá haverá mais um exame para fazer.
       De momento devo ter seis ou sete neurónios em funcionamento visto que os restantes já queimaram. Estou cansada de Economia Política. Cansada. Tanta coisa, tanta pessoa. Já nem sei por onde mais pegar naquilo. A verdade é que não é desinteressante de todo, mas é chato, tem muito conceito, muito nome, muito pensamento de X e Y. E o pior é que para além desta cadeira tenho mais 4 semelhantes. Nem quero pensar como será para o ano.

       Enfim, que eu ao menos não me sinta sozinha nesta luta por saber que há mais alminhas que, tal como eu, não têm férias até Agosto.

Patologias do homem #1

     Alergia a compromissos.

     Ok, neste tópico é possível que muito homem (na verdadeira acepção da palavra, ou seja, um sujeito maduro) não se encaixe no perfil que vou traçar em seguida. Mas em bom abono da verdade, convém admitir que muita alminha vai encaixar na perfeição na ideia que vou explanar a seguir.

       Há qualquer coisa na natureza masculina que os faz ter mais medo de um compromisso, de uma relação, de um namoro, que o diabo da cruz. Não encontro explicação lógica para isto para além do facto dos homens serem portadores de um cérebro muito pequenino e não entenderem que um namoro mais não é do que admitir o seguinte:
        "O mundo tem 6,890,100.000 pessoas. E no meio destas todas, a minha preferida és tu e é contigo que eu quero estar."
        Um compromisso não é mais que isso. Não é um casamento, não é um por de anilha no dedo que prive os elementos do casal seja do que for. É um passo base de assumir que no meio de milhões e milhões de pessoas, só se quer uma.
      
         É óbvio que o sujeito pode encontrar uma daquelas psicopatas que os proíbe de sair com os amigos, que os obriga a estar horas num shopping a ver roupa quando sabe bem que ele odeia, que lhe exija tempo livre que ele não tem, que lhe pergunte "em que estás a pensar?", que controle o que ele faz and so on... Mas isto eu nem conto como um compromisso. É só um par de gente estúpida que se submete a tortura de livre vontade. Quem está mal, muda-se. Simples.
         Quando me refiro a compromisso é a alguma coisa com bases, com alicerces e futuro. É uma união de mentes e almas que corre bem, que não encontra muitos solavancos no caminho e que não precisa de esforço para acontecer. Refiro-me a duas pessoas que se gostam naturalmente e que têm pontos de vista iguais sobre os tópicos fundamentais tais como o que é mais importante num namoro, quais são os limites do espaço de cada um, os gostos mais importantes de cada um - que não podem, de todo, chocar embora possam ser ligeiramente distintos, evitando a monotonia -, a opinião sobre temas do dia a dia...
        É que o "ir andando" não é nada. Quando alguém não quer passar do "ir andando" é estar admitir que a outra pessoa não lhe diz rigorosamente nada. E nisto, os homens são mestres. Para eles a ideia de ter de assumir perante toda a gente que já escolheu uma pessoa (que, em idade jovem, nunca se conta que seja já para marcar o casamento, um passo de cada vez...) e que é com ela que quer estar. Se eles forem certos um para o outro, ambos vão respeitar a necessidade de ficar em casa, de respirar, de não falarem, de estarem no momento deles. Não há que temer invasão de espaço se o que os une é respeito.
         Em suma, o homem tem medo não só de se sentir esmagado pela mulher como de se apegar a ela e depois sofrer uma desilusão e/ou perder aquilo em que investiu tempo.
        Pelo menos, com base no que tenho visto por aí e por aqui, é a opinião que tenho de muito rapaz que anda neste mundo.

#1

        Ela pegou nos papeis todos e rasgo-os com tanta violência como o embate de um corpo com o chão depois de largado a cem metros de altura, desamparado. Aquela merda toda deixou de fazer sentido. Memórias soltas deixadas em forma de palavras escolhidas meticulosamente para que ele percebesse. Ele nunca foi bom com palavras e a Princess não queria ficar com letras presas na garganta. Ou deverei dizer caneta? Bem, seja como for, ela queria fazer-se entender. Deixar que ele lhe vasculhasse a alma através de frases escritas que haviam sido despregadas do coração. Sim, porque ao contrário dele, ela tinha-o.
        Mas, decidiu ela, há causas que se têm de dar por perdidas. Partilharam ideias, sorrisos, piadas tão estúpidas que só os dois podiam entender no meio daquela orquestra de lenços perfumados que soavam a prazer, discutiram temas sérios, temas menos sérios e coisas banais. Ligaram-se por quantos fios tinham e ela estava surpreendida com isso. A Princess nunca se havia imaginado tão tolerante e tão segura de si perto de um quase estranho. E era essa segurança que a fazia viver num turbilhão de ideias que tinham de ser presas por tinta num qualquer pedaço de folha em branco. Não que a folha tivesse de ser branca. O que conta é a mensagem, não o embrulho. É como as pessoas: o que conta é o que está por dentro, não aquilo com que se mascaram. E ele estava nu. Despido de ideias feitas. Continua assim, completamente vazio de tudo o que ela detesta, um mar de virtudes, portanto.
         O que aconteceu? Ele sabe. Eu sei que ele sabe. Mas a verdade é que aquelas jardineiras nunca mentiram. Já elas gritavam o futuro que agora é um presente difuso. Se não se conhecesse, a Princess diria que tinha fumado uma ganza num qualquer beco húmido e frio, embrulhada numa manta xadrez preta e vermelha encontrada no contentor de lixo mais próximo. Daqueles de metal, que fazem uma barulheira tremenda mesmo quando se quer ser discreto. A mesma barulheira que as palavras dele, ou ausência delas, criou na cabeça dela e ainda hoje a deixa sem entender onde se meteu. Se calhar ela quis demais. Não é boa o suficiente. Não pode pedir, ou esperar, aquilo que nunca teve. Ele avisou vezes e vezes sem conta. Até eu, eu mesma, a avisei infinitas vezes. Ainda hoje a relembro de ideias, de feridas que tem, de marcas da vida, que apesar de tudo, convenhamos, é curta. Mais curta que a dele.
          Não devias ter visto logo que ia ser assim? Eu disse-te over and over again. Primeiro foi o Luigi. Estavas à espera que as coisas mudassem? Porque não mantiveste em mente a conversa que tivemos? Eu expliquei-te que o que tu mereces, o que vales. Nem o das jardineiras, nem ele é diferente. Eu canso-me de repetir-te isso. Lembras-te daquela tarde em que nos sentámos na tua cama, recostadas na almofada e tu de caneta na mão? Usaste-me para escrever exactamente o que te ditei, que ia ser sempre assim por mais que quisesses pensar o contrário. Nem todos têm o direito a completar o puzzle, a ser completos. Mentaliza-te do que te digo. Não caias na asneira de novo...
          Mas a verdade é que a Princess já tinha quase um livro para editar. Uma quantidade de folhas bruta que agora estavam temperadas com o sal dos olhos dela. Poderia dizer "pobre ela..." mas a verdade é que ela sabia o que a esperava. Ela pegou na balança e tentou contrapor o que passaria com ele mas sem o ter, e sem ele, de forma nenhuma. Pronto, admito que estou a mentir. Ela nunca pesou isso. Não conseguiu. Queria-o. Por que raio haveria de pesar uma coisa cujo valor lhe desinteressava por completo? Lutou, caiu e vai-se levantar já amanhã.
         Arredei agora a cortina da minha janela e vejo que já se põe de pé. É. Ela é forte. E também nunca se entregou, nunca lhe deu a chave para ele ver o que ela é. Um bocado como aquelas free samples que nos dão nas perfumarias, ela deixou que ele constatasse que a essência dela era a melhor, mas nunca lhe deu o frasco para a mão. Ele, se quisesse, que o viesse buscar, pensava ela. Continuo a achar que a culpa é das jardineiras. E daquela pirosa camisola vermelha que ele enverga. Arruinaram tudo.
         Porque é que ele se veste tão mal? Porque não quer ser bonito, simples. Quer ser feio e mau. É um escudo como outro qualquer. Válido, certamente. Tão válido e eficaz como um colete à prova de bala. Uma espécie de ideia estúpida que ele criou depois de se ter metido com uma puta qualquer. Ou então ela não o era. Não sei. Nem dá para entender. O escudo é tão denso que só se vê nevoeiro dentro dele. Uma espécie de manto a proteger a semente do que é. Não gosta, não ama, não adora, não é dependente de nada. A não ser da família, que no fundo, é o alicerce dos fracos. Não por ter menos valor, claro que não! Nenhum forte se levantou sem tal pilar. Mas os fortes não se prendem só a isso, porque no fundo a família é a única coisa garantida que temos. Por mais batalhas que percamos, vai estar sempre lá. Sempre. E ele prendeu-se a isso. Para que amar se tem pais? Para quê adorar se tem primos e irmãos? Para quê? E por estarem em família, todos comem cogumelos. Dão vida, diz-se.
        Ela achava que ia passar isso, rasgar o véu, deslindar o código, encontrar a chave e tirar-lhe o cadeado do coração. Ele afinal nem o tem. Quer dizer, não o quer ter. Para ela. Não o quer ter para ela, não lho quer dar. Não quer que ela seja mais do que ela nem sequer é. É isso. Ela para ele é um nada vazio. A pequena Princess não passa de um ínfimo ponto naquilo que ele nem quer ver. Mas se o carinho que ela tem por ele fosse areia, muito mais desertos teriam de ser inventados para que ele entendesse o que lhe vai na alma. Nem é só carinho. É respeito. É admiração por aquilo que ele é, pelos valores que tem. Até aquele jeito estúpido de estar sempre a afastá-la, mesmo que não note, ela gosta. Aquelas palavras sem sentido, os vídeos estúpidos, os canos percorridos para colher estrelas, os pedaços de alma que ele deixava escapar por entre sorrisos e que ela captava como ninguém, tudo isto era o mundo dela. Um mundo tão extenso e tão rico em sensações que não só as palavras que ela lhe dizia eram suficientes para vazar o sentimento do corpo. Ela nunca disse "gosto muito de ti", por exemplo. E ela sentia-o! A sério que sim! Com as mãos geladas do frio gélido que está na rua, limpou as lágrimas muitas vezes do rosto jovem e bem tratado depois de se ter visto obrigada a cortar palavras duma mensagem qualquer a enviar. Doía ter de controlar o pensamento. Doía por a barreira na alma.
        Mas ela tem um coração tão grande que tanta palavra lhe entupia o sistema. Foi por isso que apareceram todas estas folhas que ela agora rasga cruelmente. Quase como se fossem o corpo dele. O corpo e o sonho porque o que magoa destruir é o sonho, e não a relação com ele. O coração dela está tão diminuto no meio daquelas vestes cor de rosa. Tão pequenino que creio já nem existir. E é melhor assim. Se este das jardineiras e da t-shirt vermelha não quer mandar o muro a baixo, mais ninguém vai querer. Ela sente isso. Se calhar é melhor mentalizar-se já. Assim daqui a uns vinte anos isto já nem vai custar. É tudo o hábito. Ele vai ser infeliz assim. Vai, é óbvio. Vai perder pessoas que gostam tanto dele como ela. Aliás, menos, porque o que ela sente por ele não é passível de ter cópias por esse mundo. É respeito. É carinho e bem estar. É aquela sensação de ele nem ter de dizer as palavras para ela se sentir bem. Não há silêncios incómodos entre eles. Até há espaço para o candeeiro.
      E é com a cabeça feita em água (e a cara, claro), que ela se dirige à janela que tem a vista para toda a cidade, e larga os milhares de pedacinhos de papel que resultaram daquela chacina de palavras sentidas. Os pequenos papeizinhos propagam-se no ar levados pelo vento frio que corta o rosto e beijam a cidade em todos os locais que para eles podiam, um dia, ter feito sentido.
     E o que lhe está a doer é a ideia de um dia, depois de já ter decidido cortar os fios, ele poder pensar "merda, era aquela!".

domingo, 26 de dezembro de 2010

Não gosto de Natal

         Se calhar é birra minha nesta mania de ser diferente, mas não gosto do Natal, pronto. Para começar, não sou religiosa ou crente, ou o que lhe quiserem chamar. Logo aqui, esta data perde um terço do seu significado. E depois há esta espécie de hipocrisia que me incomoda. Ao que parece, durante o mês de dezembro, mesmo pessoas cuja ligação é fraca ou inexistente têm de se adorar profundamente e trocar presentes que na maioria das vezes em nada se adequam com o gosto do receptor.
         Detesto prendas com data marcada. Para mim, o gostar não tem hora nem lugar e quando se dá, tem de ser de coração, uma coisa espontânea. É por isso é que a espontaneidade é tão ou mais importante que o amor. Não tem de se esperar pelo dia X ou Y para se mimar alguém. E este conceito de trocar prendas dia 25 só porque sim não encaixa comigo. Ainda mais absurdo, do meu ponto de vista, é ver a pergunta da praxe "o que vou oferecer a X?" ser repetida vezes e vezes sem conta. Se não se tem ideia sequer do que oferecer é porque, talvez, a vontade de o fazer não seja tão grande assim.
        Também não gosto da solidariedadezinha que se despoleta nos corações de forma súbita neste mês. Quem vê o fenómeno de fora até fica a pensar que só há fome e sem abrigos durante o Natal. O resto do ano vemos alguém a pedir moedas e se for possível ainda lhes cospem para cima, mas na época natalícia há um virus qualquer que afecta a população mundial (ou pelo menos a Portuguesa, pronto) e faz com que toda a gente viva numa névoa qualquer de hipocrisia e falsa boa vontade. É coisa para me fazer confusão.
        Os encontros familiares só porque sim também não são coisa a que ache particular piada. As pessoas quando se querem ver, marcam encontro e pronto. Se ficam à espera do Natal para se poderem ver uma vez por ano*, afinal de contas, os laços familiares não são assim tão fortes quanto isso. A minha opinião em relação ao gostar-se de alguém por ser da família já ficou bem expressa aqui. Se não vejo elementos da minha família (sejam eles mais próximos ou afastados) é porque não há vontade para isso - seja ela do meu lado ou do outro. Há milhentas maneiras de estabelecer contacto com quem quer que seja ao longo do ano, tais como a internet ou telemóveis, e se se passam 364 dias sem trocar um minutinho que seja de conversa, por que raio surge uma vontade danada de fazer almoços e jantares com quem, vai-se a ver, mal conhecemos?
        Partilhar genes não é razão para haver amor. Ele surge com dedicação, com tempo, com investimento, com cedências. E para mim, o Natal só pode ser amor, mais nada. Para mim o Natal funciona um bocado nos moldes dos aniversários (cuja opinião sobre prendas é a mesma e extensível a qualquer outra data que sirva de pretexto para oferecer só porque sim, sem vontade): é um dia em que podemos agradecer à vida por termos connosco quem gostamos. Já que tem tanto misticismo, que aproveitemos para pensar no que já conseguimos, no que temos, no que podemos dar a quem não tem, ... Sei lá, dar valor aos momentos. Mas esta reflexão pode ser feita em qualquer dia do ano. Não precisa de um dia pré-definido no calendário.
        Não gosto do Natal, pronto.

_______
*E antes que alguém argumente já "ah e tal mas há gente que está fora do país e só pode regressar nesta altura para ver a família e mi mi mi": como é obvio, estes são excepção. Refiro-me a quem mora a poucos metros ou quilómetros de distância e nem sente vontade de se ver ao longo do ano inteiro. Pronto, esclarecimento feito

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

100 verdades

QUAL FOI A TUA:
 1. Ultima bebida: chá
 2. Ultima chamada telefónica: Pai
 3. Ultima sms:  M.A.
 4. Ultima musica que ouviste:  Beautiful People - Marilyn Manson
 5. Ultima vez que choraste: não me lembro

ALGUMA VEZ:

6. Namoraste com alguém duas vezes: sim
7. Foste traído:  sim
8. Beijaste alguém e arrependeste-te:  não
9. Perdeste alguém especial:  não

10. Estiveste deprimido(a): sim
11. Estiveste bêbado e vomitaste: não

LISTA TRÊS CORES FAVORITAS:
 12. Laranja
 13. Castanho
 14. Rosa

 ESTE ANO TU:
15. Fizeste um novo amigo: vários
16. Ficaste caído de amor (apaixonaste-te):  sim
17. Riste até chorar:  SIM, várias vezes.
18. Conheceste alguém que te mudou: não
19. Descobriste quem eram os teus verdadeiros amigos: não descobri nada de novo
20. Descobriste que alguém andava a falar de ti:  sim
21. Beijaste alguém da tua lista de amigos: sim
22. Quantas pessoas da tua lista de amigos conheces na vida real: todas
23. Quantos filhos queres: quatro
24. Tens algum animal de estimação: três cadelas, um gato, uma codorniz, um coelho e peixes.
25. Queres mudar o teu nome: Sim, quero acrescentar-lhe o De que falta.
26. O que é que fizeste no teu ultimo aniversário: jantei fora e estive com amigos

27. A que horas acordaste hoje: uma e tal
28. O que estavas a fazer à meia-noite da noite passada: a estudar Direito Constitucional
29. Diz algo pelo qual NAO consegues esperar mais: Por viajar, por fugir sem destino com uma boa companhia. Por desaparecer dos lugares e das pessoas. Por quebrar esta rotina que me mata. Por conhecer a Polónia, a Turquia, Nova Iorque, a Rússia, Marrocos. Por ter a carta de condução. Por ter casa própria. Por ter um gatinho aqui em casa.
30. A ultima vez que viste a tua mãe: domingo passado
31. Qual é a coisa que desejas mudar na tua vida: Desejo conseguir mais do que tenho.
32. O que estás a ouvir neste momento: Nenhuma.
33. Alguma vez falaste com uma pessoa chamada Tom:  não
34. Quem é que te está a irritar neste preciso momento: eu. tenho a capacidade de me irritar.
35. Web page mais visitada: blogger, youtube, facebook, visao.pt, ...
36.Qual é o teu verdadeiro nome: Maria Eduarda
37. Nicknames: Duda e Dadinha.
38. Estado de Relação: Relação muito íntima com os apontamentos de Direito Constitucional
39. Signo do Zodíaco: Aquário
40. Masculino ou Feminino?: Prefiro masculino, obrigada.
41. Escola Primária: Escola EB1 nº2 de Abrantes
42. Escola Secundária: Escola Secundária Dr. Solano de Abreu
43.Universidade/Colégio: Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
44.Escreve o quer que seja aqui(o que te apetecer): Apetece-me fazer uma mochila, po-la as costas, pegar nele - ou não - e ir para a polónia. e depois ir para onde o vento me levasse.
45. Longo ou Curto: Longo
46. Altura: 1,69m
47. Tens uma atracção por alguém: confere
48. O que gostas em relação a ti: de ser teimosa, orgulhosa e ambiciosa.
49. Piercings: não, de todo.
50. Tattoos: vou ter de certeza absoluta.
51. Destra ou esquerdina: Destra


 PRIMEIROS:
52. Primeira cirurgia: não fiz nenhuma até à data.
53. Primeiro piercing: não há nem vai haver.
54. Melhor Amigos: Os de cá e os de lá. Gosto muito deles.
55. Primeiro desporto a que te juntaste: Natação
56. Primeiras férias: Altura
57. Primeiro par de ténis: que raio de pergunta é esta? Lembro-me lá eu...

 NESTE MOMENTO:
58. A comer: nada
59. A beber: chá
60. Estou prestes a: prosseguir o estudo
61. A ouvir: nadinha de nada
62. À espera de: conseguir safar-me amanhã na frequência

63. Queres filhos: Sim, quatro.

 O TEU FUTURO:
64. Casar: Pela igreja, NÃO.
65. Carreira: Política, Jornalista, Advogada e Escritora. Pelo menos para já são estes os planos.

O QUE É MELHOR:
66. Lábios ou olhos:  olhos
67. Abraços ou beijos: Depende de quem os dá.
68. Maior ou mais pequeno:  Maior.
69. Mais velho ou mais novo: Mais velho
70. Romântico ou Espontâneo: Romântico e Espontâneo. Mas é mais importante o segundo que o primeiro
71. Boa barriga ou bons braços: Boa pessoa
72. Sensível ou espalhafatoso: Nem sensível nem espalhafatoso.
73. Nada sério ou Relações: Relações por serem mais estáveis. Não por ter de andar de anilha já pronta a casar.

74. Criador de problemas ou hesitante: Simples e decidido

 ALGUMA VEZ:
75. Beijaste um estranho: não

76. Bebeste um licor forte: sim
77. Perdeste os óculos/lentes: não
78. Sexo no primeiro encontro: não
79. Partiste o coração de alguém: sim

80. Tiveste o teu coração partido: sim
81. Foste preso: não
82. Deitaste alguém abaixo: já
83. Choraste quando alguém morreu: não
84. Apaixonaste-te por um amigo: não

 ACREDITAS EM:
85. Ti:  sim, sempre.
86. Milagres: não, de todo.
87. Amor à primeira vista: não sei

88. No Paraíso: SIM, tenho lá lugar VIP, de certezinha.
89. Pai Natal: não.
90. Beijo no primeiro encontro: não tenho nada contra
91. Anjos: não

RESPONDE SINCERAMENTE:

92. Tiveste mais que um namorado/a: ... não.
93. Tiveste mais que um namorado/a ao mesmo tempo: credo! não
94. Cantaste hoje: sim

95. Traíste alguém: não. nunca.
96. Se pudesses voltar atrás no tempo, quanto tempo recuarias: Não recuaria tempo algum.
97. O momento em que escolherás reviver: não faço a menor ideia

98. Há alguém com quem quisesses estar agora: sim, muito.
99. Tens medo de te apaixonar: muito
100. Tens medo de postar isto como 100 verdades: não.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

"Certas relações harmoniosas criam-se e duram graças a um sistema complexo de pequenas inverdades, de renúncias, uma espécie de bailado cúmplice de gestos e posturas, tudo resumível no nunca assaz citado provérbio, ou sentença, que muito melhor lhe assenta esta designação, Tu que sabes e eu que sei, cala-te tu, que eu me calarei."


José Saramago

Casal apanhado no metro

      A crise está a levar a população à loucura. É a única justificação que encontro. Quem é que no seu perfeito juízo se submete à vergonha de ter relações sexuais num metro cheio de gente? Como é que se chega a isto? Como? Já não há valores?

      Hoje vemos um desprendimento das pessoas em relação aos valores morais base que até mete medo. Muito sinceramente, depois de ver isso, já não sei onde isto vai parar.

Tudo é o que tem de ser

   Quem quiser prever, pode sair. Em relação a isto não quero saber o amanhã. Muitos vão querer pisar tudo à volta para descobrir, perguntar, esgravatar até chegar à ferida. Mas eu não quero saber. Recuso-me a pensar nisso.
    Se os castiçais de cristal se tocam, deixa-os estar. Não lhes mexas. Deixa que eles imóveis sigam o seu rumo e se fundam.  Repara como a cor prata reflecte a história de quem são, do que viveram. E reflecte o coração. Espelha os sentimentos que não querem ser sentidos, mas que se vêm. Mas eles julgam que naquela sinfonia luminosa ninguém se apercebe das almas. Estão iludidos. A verdade é que as cores gritam aquilo que os poros sentem e calam. A culpa é do vermelho, cor do sangue, do corpo, da vida.
      Torturam os dedos para não escreverem o que não querem que se saiba. Roem-se, perdem as asas e caem na mesa. Reduzidos a nada. A um nada tão vazio e tão profundo que julgam que o melhor é ficar assim, cada um tombado para seu lado. Mas o sentido das coisas dita outra verdade. Cada um tem uma direcção que deve cruzar para descobrir o ponto de ligação. E isto é tão claro como a luz do sol. Queima, cega, embrenha-nos em ideias difusas que se perdem como fumo entre os dedos. O fumo daquele cigarro que nenhum deles alguma vez fumou mas imagina como se sentia a fazê-lo. Ou não, que isso é vício vil. E os castiçais não fumam.
       Não querem ficar. Mas também não querem ir. Não há paciência para eles, não há. Se fossem chuva queriam ser rio. Se fossem rio queriam ser mar. Ou não querem ser nada, já nem sei. Procuram aquele espaço impossível onde tudo flui e não precisa de palavras, justificações nem contas de prazos de validade. Um espaço imortal. E ele existe. Sei que sim. Um dia vão estar lá.