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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Roma aos olhos de uma Erasmus #1 - Os transportes

          Já a conseguir cheirar o fim da minha aventura Erasmus (lá para Janeiro hei-de estar de volta definitivamente a Portugal), decidi começar uma pequena série de textos sobre Roma e a minha opinião enquanto estudante aqui. Começo pelo tópico que acho que choca qualquer pessoa que chegue aqui sem alguma ideia do que esperar - os transportes.


       Generalizando, em Roma tudo funciona mal. O sistema de transportes públicos assim como o trânsito não são excepção - assemelham-se aos de um país terceiro-mundista. 
       Lembro-me de chegar aqui, no início de Setembro, e ter ficado parada uma quantidade estúpida de tempo à beira da estrada, carregada com as malas, à espera de oportunidade para atravessar. Ingénua, está claro. Devia ter percebido de imediato que se avizinhavam meses complicados porque os romanos fazem tudo de maneira diferente.
      Aqui a regra é não haver regras. Semáforos? São meros indicadores luminosos cuja sugestão pode ou não ser seguida. Mesmo quando a luzinha fica verde para os peões e eu, na minha boa fé, meto o pé à estrada, levo logo com mil buzinadelas porque o trânsito quer seguir (mesmo estando sinal vermelho para eles). De duas faixas marcadas na estrada fazem-se, na realidade, três de transito absolutamente compacto. Os carros são maioritariamente pequenos e/ou velhos e estão quase sempre esmurrados, característica que não me parece que os donos dos veículos tenham planos em alterar. Uma vez que é tão complicado conduzir nesta cidade, a maioria das pessoas opta por andar de mota e tornar-se ainda mais selvagem - assim que se apanham livres de uma carapaça de metal gigante acham que cabem em todas as frechas livres e é ver motas a surgir de todo o lado.

        Á semelhança do que já acontecia em Coimbra, utilizo autocarros para ir para a faculdade todos os dias. E como começar a descrever a sensação de andar num transporte público em Roma...? Já viram aquelas fotos da Índia, penso eu, em que há pessoas em cima dos comboios porque estes estão tão cheios que só sobra espaço do lado de fora? É mais ou menos isso, com a diferença que os italianos se põe a gritar que tem de haver espaço e o pessoal comprime mais e mais e mais. Já duas ou três vezes achei que ia desmaiar. Sem exageros. Há ali um limite de "compactação" em que respirar se torna uma missão dificílima. E ninguém faz nada! Nem o motorista nem os passageiros. É encher até o autocarro rebentar. 
          E alguém controla se têm bilhete ou não? Não. Ninguém pica bilhete em lado nenhum nem há qualquer tipo de controlo. Apenas no metro há a obrigatoriedade de ter um título válido uma vez que sem ele as cancelas não abrem. 
       E horários? Também não há. Pode passar um autocarro agora, outro daqui a 10 minutos e o próximo 40 minutos depois. O máximo que esperei até hoje foi um lindo record de 48 minutos. Já era de noite. Espectáculo, digo eu. 
         E greves? Muitas! Pelo menos uma por mês - na última sexta feira de cada mês. Mas a estas greves "base" vão acrescendo outras. 
        
       Seja louvada a paciência de quem consegue conduzir um carro nesta cidade.

       Fica aqui um curtíssimo vídeo daquilo que podem esperar se decidirem visitar a cidade do Coliseu.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A minha vida é uma anedota

          Ainda no rescaldo do meu dia não, ontem saí de casa as nove e pouco para ter aulas às onze. Tinha decidido que ia aproveitar para parar no McCaffé, beber o meu cappuccino, comer um cornetto alla marmallata e rever a matéria que tinha sido dada no dia anterior enquanto degustava aquele manjar dos deuses.

         Depois de servida, levo o tabuleiro para a mesa escolhida e sento-me. Ás dez da manhã, estávamos três pessoas naquele estabelecimento que tem várias dezenas de lugares sentado.
         Sentadinha e deliciada com a opção alimentar extremamente saudável, saco o livro da mala para ir lendo enquanto comia. Pois é aqui que começa a mais um capítulo da minha autobiografia, intitulada "A minha vida é uma anedota".

          Estava a tentar concentrar-me na pacatez do espaço quando atrás de mim, sem que nada o fizesse antever, começo a sentir muito burburinho. Tinha optado por uma mesa junto a uma espécie de divisória constituída por uma série de tábuazinhas na horizontal, espaçadas e paralelas. Ao que parece, aquela divisória era o que o empregado queria limpar naquele preciso momento, a dez centímetros de mim. E que empregado? Um moço com uns vinte anos, com Síndrome de Down.
         E lá continuou ele, emitindo sons estranhos, passando um pano do pó à minha volta repetidamente. E eu, que queria ser mais teimosa que ele, deixei-me ficar na minha vida, fui comendo e lendo.
         Depois de uns dez minutos - que pareceram trinta - ali à minha volta, o rapaz sai de trás de mim e vem, com um borrifador numa mão e o pano na outra, limpar a mesa ao lado da minha. Uma mesa vazia, inocupada desde que tinha chegado, que não tinha qualquer necessidade de ser limpa.
       
         Ingénua que sou, achei que o moço seria chamado à atenção por algum superior por me estar a incomodar. Eu, uma cliente. Ingénua.
         "Mmmmbbllhhrmm?" ... "Scusi?"... Depois de muito balbuciar e esguichar a minha mesa e o meu livro com desinfectante, o rapaz lá se fez entender - queria que eu saísse dali porque queria limpar a minha mesa. A minha! Estávamos ali três pessoas, caraças! Havia mais umas dezenas delas em que o rapaz se podia ter entretido, mas não. O tipo com trissomia tinha de ter pontaria e meter na cabeça que a minha mesa estava um pandemónio bacteriano e precisava de uma acção rápida.

         E pronto, ele venceu. Com medo que o gajo me tentasse esguichar desinfectante para o cappuccino lá o terminei, meti o resto de croassaint à boca, livro na mala, e saí do McCaffé.

         Incrível como por vezes não entendo o que as pessoas me querem dizer, num italiano fluente. Mas um tipo com uma deficiência profunda e notória eu entendi. A minha vida é uma anedota.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Se fosse um Sims, tinha o diamante vermelho

     "Sim, já vi tudo, isto é muito simpático mas já está bom. Vou para casa". Era precisamente isto que hoje me apetecia ir dizer à faculdade daqui, fazer a mala e pôr-me a caminho do aeroporto. Na verdade, se fosse rica já estava de mala pronta para ir para Portugal pelo menos o fim de semana.

          Acordei com o desperator às sete. Quer dizer, pseudo-acordei. Tive uma noite de cão não só porque as melgas romanas vêem em mim um repasto de luxo como porque todo e qualquer barulhinho serviu para me trazer de volta da espécie de sono maricas que fui tendo. O mau estar com que abri os olhos foi agravado pelo sono. 

          Sem vontade nenhuma lá me arrastei da cama, vesti e fui para a aula de italiano que piorou o meu humor - o meu italiano continua, e não consigo arranjar um eufemismo para o adjectivar, uma merda. Assim mesmo. Cada vez compreendo mais do que ouço mas falar, nada. Não sai. Não sei se tenho algum bloqueio mental, se um défice de qualquer coisa, mas pareço uma pessoa com deficiências profundas quando tento expressar-me na língua de Leonardo da Vinci. E ali fico, empancada, sem conseguir pensar.
          Depois de várias tentativas falhadas de construir frases, e quatro horas depois do início da aula, a professora atribui os trabalhos de casa: muito mais matéria do que a dada na manhã. Para ser tudo feito esta tarde e apresentado amanhã. Mas como?! Se com uma italiana a explicar-me as coisas preciso de uma manhã inteiro, como vou eu aprender muito mais numa tarde, sozinha? 

          Este é o meu décimo sétimo dia em Roma. Sinto-me super desconfortável, no geral, assim como um pinguim no Sahara. Não tenho o meu material de estudo, o meu sofá de leitura nem a minha gata sob os livros. Tenho antes um porta minas só com uma mina, uma caneta preta e uma azul; uma secretária com uma tábua por baixo que só permite uma posição confortável se eu mandar amputar as pernas e uma almofada insuflável para apoiar o material quando estudo na cama (porque não tenho outro sítio).
           Não tenho a minha máquina de café, as bolachas marias e os chá Marooco da Lipton. Tenho chá preto do Lidl que deixa a caneca cheia de pelezinhas esquisitas e bolachas que ficam muito aquém das minhas Maria.
          Não tenho a família à distancia de umas estações de comboio, chamadas telefónicas quando me apetece dizer disparates nem café ao fim de semana com os pais. Uso o skype parcamente, o Viber quando chego a casa e tenho tempo, e o Whatsapp quando apanho wi-fi.
          Não tenho a minha roupa, os meus sapatos e acessórios. Tenho antes uma única mala, um colar, duas sombras e eyeliner e pouca roupa que trouxe.

          Estou totalmente sem rede. E hoje, por alguma razão, isso sentiu-se desde que abri os olhos. Não acredito que vou escrever isto mas fazer Erasmus é mais difícil do que eu estava à espera. Porque quando se anda em passeio tudo está bem, a vista anda ocupada e a cabeça também. Mas quando há um dia não, quando chega o tempo morto, não há para onde ir. Não há casa. 

          Roma também não tem muito para oferecer. O que eu quero ver é caro e o resto é à base de noites e copos - e eu não gosto muito de sair à noite nem bebo álcool. 
          Ver-me assim, a sentir-me "deslocada" deixa-me frustrada porque sinto que há coisas que devia estar a viver e não estou. Ora porque não me apetece, ora porque estou cansada e tenho de acordar às sete. Queria que fosse tudo fácil, queria que eu fosse mais fácil. Gostava de ter chegado e ter sentido esta cidade como minha.

          Os dias "não" são estupidamente mais difíceis longe de casa. Mas se eu não me tivesse afastado, nunca ia entender o que isso era - casa. Ao fim de dezassete dias aqui já sei que casa não é um lugar. São pessoas. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Aprender italiano não é assim tão fácil

          Quando, numa conversa, se falava do facto de eu vir para Roma, invariavelmente surgia um comentário do género "ah, aprender italiano é muito fácil, percebe-se bem". Pois bem, isso criou no meu inconsciente uma almofada moral para não estudar a língua até chegar (vá, fiz duas das trinta lições do livro que comprei em Agosto).
          Assim que cheguei ao aeroporto, só para perguntar onde podia apanhar um comboio, percebi que os italianos não falam outra língua que não a sua, excepto uns toques leves no espanhol. Apercebi-me ainda que ninguém está com cuidados por ser estrangeira e que mesmo que eu fale em inglês respondem-me sempre num italiano rapidíssimo como se eu entendesse tudo o que dizem. O "no capisco" é interpretado como "podes repetir outra vez o que disseste, exactamente à mesma velocidade para eu continuar sem perceber nada".

          Segunda-feira comecei as aulas de italiano e vi que teria de superar vários obstáculos.
          Esta língua é, na verdade, muito parecida com o espanhol. Como boa portuguesa que sou, sei falar portunhol. Assim sendo, numa reacção em cadeia, quando quero falar italiano o meu cérebro constrói frases em portunholiano. 
          Há várias palavras que são exactamente iguais em português e na língua dos romanos. Isto seria óptimo se as palavras não tivessem significados completamente distintos. 
          Apesar da fonetica portuguesa e italiana ser identica, a forma como os sons se escrevem, como conjugamos as letras para obter essa sonoridade, é bastante diversa.
          Ironicamente, as parecenças entre as línguas são a causa porque não consigo desligar o que sei para absorver a informação nova. 

          Perceber, se falarem comigo devagarinho, até percebo. Falar é que ainda é uma tarefa complexa porque tenho um vocabulário muito escasso. 

          Para já continuo a ter aulas das 9h as 13h, em dois blocos de duas horas com um intervalo de dez ou quinze minutos entre eles. Preciso de explicar aos italianos que é difícil ser-se produtivo com duas horas seguidinhas de aulas. Ao fim de uma hora já só penso em dormir (ainda não consegui ter uma noite verdadeiramente descansada aqui. É normal?).

          Espero, daqui a quinze dias, já conseguir manter uma conversa básica.

          

domingo, 14 de setembro de 2014

"Vi" o Papa

          Esta manhã venci a preguiça para me levantar cedo e fui com a minha room mate ao Vaticano. Horas depois ainda não consegui encontrar um adjectivo que consiga transmitir a grandiosidade de tudo.

         

          Ainda antes de chegar ao Vaticano, lá para as nove da manhã, já se via a multidão a caminhar toda no mesmo sentido. Mesmo que eu não soubesse o caminho não teria dificuldades em chegar ao destino.
           Depois de ignorar uma dezena de marroquinos e afins que me queriam vender bandeirinhas com a cara do papa (para que serve isso? Para mostar ao papa que tenho uma foto dele ao sabor do vento?) lá passámos os muros e eu fiquei embasbacada com tudo. 
          No Vaticano tudo é colossal. Senti-me sempre uma formiguinha perante aqueles edifícios. Só falta alguém ter a ideia iluminada de meter uma espécie de toldo gigante na praça porque estar ali horas a torrar ao sol não é assim tão espectacular. 


          Depois de acompanhar parte da cerimónia dos casamentos que o Papa estava a celebrar, e porque a fila para ver a igreja era descomunal, optámos por ir ao Castelo de Santo Ângelo (ou Mausoléu de Adriano) que funciona como museu. 


          Em todos os cantos há um detalhe qualquer que vale a pena apreciar. Há passagens "secretas" como nos filmes e foi interessante reconhecer alguns locais dos filmes Anjos e Demónios e Código Da Vinci.
            Para qualquer apreciador de arte, história, arquitectura, ou simplesmente para alguém curioso, o Vaticano - assim como Roma - é uma viagem no tempo. Tudo é mantido o mais intocado possível e, desta forma, é fácil fazer o processo mental de recuar várias centenas de anos.

           Foi do cimo do castelo que, ao olhar para a paisagem, me apercebi da quantidade de cúpulas que sobressaem, dos infinitos pontos religiosos da cidade e de como Roma é feita de detalhes. Esta cidade é feita para ser andada, para ser explorada a pé, com os olhos bem abertos. 

          Aquilo que estranhei no início - o ar velho e sujo de tudo - é hoje o que admiro. Roma é uma pérola da história. Uma cidade que é mais do que "se isto falasse..." porque efectivamente fala. Está tudo tão "puro" que a história ficou preservada. 
          Tenho pena que não haja uma reconstrução das coisas, nem que fosse uma maqueta perto da ruína. Tinha mais impacto ver como eram os edifícios e como estão agora, maioritariamente no chão, do que olhar só para pedaços de pedra e afins perdidos em terrenos vastos e ter de imaginar como seria. Mas, como bons romanos, o pessoal não está para ter muito trabalho e, quem quiser, que pesquise em casa a forma original das edificações agora em pedaços.

          Hei-de voltar ao Vaticano para assistir a uma missa e à benção papal e para ver o papa directamente e não através de um ecrã. 


sábado, 13 de setembro de 2014

Roma dos detalhes #1






Devagarinho, deixo de ser alien

          Ao contrário daquilo que imaginei, Roma não se infiltrou em mim à primeira vista. A coisa está a entranhar-se muito devagarinho. Pensava que ia chegar e, tal como aconteceu quando fui a Londres, iria sentir que esta cidade podia ser casa, que era tão minha como de quem cá nasceu. A verdade é que o sentimento de não pertença foi enorme e hoje, ao quinto dia passado na capital italiana, este encolheu para dar espaço a uma vontade de explorar.

          Não senti propriamente vontade de voltar para casa, mas a total inexistência de pilares para além da minha companheira de viagem que, graças a Deus, foi uma surpresa e um bombom neste processo, fez com que me sentisse totalmente desamparada - sobretudo anteontem e ontem. Talvez porque tenham sido dias em que o ritmo de passeio foi ligeiramente abrandado, tive tempo a mais para pensar e percebi finalmente no que me meti.
          Vou estar a morar um total de seis meses longe de casa, numa cidade que não me fez morrer de amor por ela assim que aterrei e onde, para total surpresa minha, há uma série de hábitos totalmente diferentes dos portugueses. Pela primeira vez na vida, não tenho rede de segurança.
           Hoje, sem aviso, a ideia de estar "sozinha" não gerou ansiedade mas sim o desejo de alargar barreiras, de me dar às coisas e de absorver tudo o que conseguir.

          Acordei, sem despertador nem obrigações, às 9h. Tinha-me deitado tarde mas, mesmo assim, o meu cérebro determinou que seria hora de aconchegar a pancinha. Ainda sem pão, lá fui eu comer o que tem sido o pequeno-almoço: um iogurte, uma peça de fruta, duas tostas integrais e uma fatia de fiambre. 
          Estes últimos dias têm permitido passar a manhã por casa até porque o tempo tem estado incerto. Assim dá para ir descansando e perder-me pelo youtube enquanto adio uma série de coisas de que deveria tratar.

          Depois de almoçar e limpar a cozinha, foi altura de decidir o que fazer à tarde. Optámos por um passeio light, na medida em que não implicaria um número estúpido de quilómetros a pé. E, sem que eu soubesse bem para onde estava a ir, apaixonei-me. A arquitectura romana começa a entranhar-se, o caos das estradas deixa de o parecer, a beleza de alguns edifícios deixa-me incapaz de percepcionar a magnitude da obra, e Roma passa a ser um ferrero rocher por desembrulhar. 
        
        O plano era: ir ver o resultado dos testes de italiano e ver o meu horário, apanhar o metro e sair junto do Colosseu e seguir para a Piazza Navona. Pelo meio, perdemo-nos com pequenos grandes detalhes.


        Ainda a caminho do edifício onde estariam afixados os resultados do exame e as turmas, passámos pela Basilica de San Paolo que é de uma magnitude inimaginável. Eu, que não sou religiosa, ficaria, sem qualquer problema, horas naquela basílica perdida por entre detalhes infinitos.



        Depois de limpar a baba fui então ver os resultados: fiquei na turma mais básica de italiano, a A1. Disse ao meu examinador que não sabia falar apesar de entender muito do que lia e me diziam. Disse que nunca estudei a língua e ele considerou que o mais apropriado seria, então, começar de raiz, aprender tudo do início. E eu concordo com a avaliação dele. 
          Vi hoje os horários e nas próximas semanas terei as manhãs ocupadas com o curso intensivo de italiano.


          Seguimos então para o Colosseu. Hoje estava mais bonito. Não sei se era eu que estava diferente, se era ele. Mas hoje pareceu-me grandioso. 
          Continuando pela avenida fora, fomos ter ao Vittoriano, um monumento em homenagem a Victor Emmanuel II. Daqui vêem-se muitos dos pontos mais célebres da cidade. Também hoje, o cimo do Vittoriano, Roma estava de babar.





          Continuando a caminhar avenida acima, conversa para aqui, conversa para ali, fomos para a uma loja Tiger. Como duas crianças namorámos todo o tipo de bugigangas. E quando demos por ela eram sete e tal e Piazza Navona, nem vê-la. 
          Graças às distracções que fomos encontrando pelo caminho chegámos à praça por volta das oito. A esta hora, com o sol a pôr-se, a praça e a Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos quatro rios) ganharam uma luz especial que tornou tudo ainda mais poderoso.




          E daqui partimos de volta para o metro, já com o céu escuro, para depois apanhar o autocarro e chegar a casa. Casa. 
             Não sei porquê, mas hoje à tarde Roma foi Amor.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Roma prendou-me com trovoada e muita chuva

          O Google Maps diz que o percurso mais rápido para ver tudo o que vi hoje são 9km. Eu e a minha companheira de viagem espreitámos tudo o que pudemos e enfiamo-nos em várias ruelas. Escrevo isto enquanto tenho os pés a latejar. 

         Voltei a acordar bem cedo para estar às 9h num edifício cuja localização em concreto eu desconhecia. Á italiana, isso quer dizer que tinha de estar lá as 9h30 ou 10h. Em todo o caso, porque gosto de ser pontual, uns minutos antes das nove já andava a perguntar onde era o edifício que procurava e lá cheguei. 
         Aí fiz um exame de italiano. Pretendia-se perceber o conhecimento da língua por parte dos Erasmus interessados em aprendê-la e, assim, dividir-nos em turmas consoante o conhecimento que já temos. 
        Teste escrito e de compreensão oral, razoável. Teste oral, para esquecer. Expliquei logo ao examinador que não sabia dizer nada, que entendia grande parte do que me diziam mas porque nunca estudei italiano não conseguia construir frases. Colocaram-me então numa turma de um nível básico para que eu aprenda tudo de raiz. Resta-me aguardar por sexta para saber o horário do curso de italiano para poder compreender as aulas do curso, lá para Outubro. 

          Do teste vim para casa para ir com a minha companheira de viagem arranjar o Codice Fiscale - número que nos permite ter descontos na cantina da faculdade.
          Com as burocracias previstas para o dia todas tratadas, avançámos em direcção a Trastevere. Deu para explorar a área e conhecer o Bairro Alto cá da zona.
         Infelizmente, por volta das sete e pouco da tarde, Roma abençoou-me com um temporal terrível, com direito a muita chuva e trovoada. Haveremos de voltar para jantar por ali.

          Acordei com sono e com sono continuo. Amanhã de manhã não tenho nada agendado por isso, que seja esta noite que descanso, finalmente!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Os italianos são tipos estranhos

         O dia começou cedo para eu ir à faculdade tratar do documento que prova que cheguei a Roma e, assim, desbloquear o acesso (ou não) à bolsa de Erasmus. Portanto, desde as oito e tal da manhã que estou a cimentar a ideia de que os italianos são estranhos.

        Não falo italiano. Ainda. Entendo grande parte do que me dizem mas só consigo responder-lhes em inglês. Ora, isto tudo seria tranquilo se o italiano não fosse um indivíduo que tem um amor profundo à sua língua. Inglês, 'tá quieto. Assim, o início da manhã foi passado num discurso totalmente bilingue - da universidade falavam-me em italiano e eu respondia sempre em inglês. Mal eu imaginava que ia ser assim até ao fim do dia.

         Da minha faculdade (que é linda de morte) segui para a faculdade da minha colega de quarto, a pé, aproveitando então para explorar a área. Não imagino quantos quilómetros já tinha andado ao meio dia sendo que foram encontrados mais seis portugueses pelo caminho e dois italianos super prestáveis que tinham feito Erasmus em Portugal e por isso ajudaram o mais que puderam.

          O almoço foi comprado no Mercato di Testaccio. Aqui não há a cultura de comer refeições pré-feitas (razão pela qual o microondas não é um objecto comum). Por esta razão, porque queríamos alguma coisa rápida e barata passamos no mercado com a ideia de comprar o recheio de uma futura sandes. Qual não foi o espanto quando, depois de pedir presunto e queijo, o senhor nos pergunta se queríamos que ele metesse aquilo num pão. Depois de alguma supressa percebemos que, aparentemente, estas bancas com queijos, produtos de fumeiro e similares são uma espécie de loja de baguetes cá do sítio - chegamos, escolhemos o recheio e pedimos para ser posto num pão, ali à nossa frente.
           
          Ainda não encontrei pão fresco à venda. Não sei se também é uma questão cultural, mas parece-me que eles não sabem a maravilha que é pão quentinho com manteiga. Desconhecem a essência da vida, portanto.
          A única coisa que vi à venda foi uma espécie de pão de forma ensacado e pão duro. Mas mesmo duro, assim quase em modo tosta. Vi disso vendido às metades, embrulhado em película aderente. Por que raio alguém compraria pão que, de aspecto é fresco, mas que basta tocar para perceber que só de picareta é que se degusta uma eventual sandes? Mesmo que fosse para ser tosta há... tostas! 

         Depois do estômago bem forrado e passe de transportes públicos comprado, seguimos para o Colosseo e Foro Romano. 7,5€ de entrada para cada um que ficaram por gastar, uma vez que vimos tudo de fora. Hoje esteve tanto calor que acho que mesmo que entrasse nem ia ver nada. 
      Como sou uma pessoa de sorte, o Colosseo está em obras e portanto metade da construção está tapada com andaimes.

          Porque tenho até muita sorte, segui para a Fontana de Trevi e também esta estava tapada com arsenal de obras e manutenção. O espaço que mais queria ver na cidade ali, à minha frente sem que eu o pudesse ver. 

Afoguei então as minhas mágoas num gelato com dois sabores: Tiramissu e Caramelo. Acho que descobri o sentido da vida.

         Por esta altura só não tinha os pés a chorar porque nosso senhor não os prendou com olhos. 

          Eram quatro e tal e decidimos que estávamos estupidamente cansadas e doridas, a desesperar com tanto calor. Optámos por vir para casa tomar um duche e descansar. Chegamos as cinco. Ora, começámos a andar as 8h e muito e parámos oito horas depois. Não me lembro de andar tantas horas seguidas, apenas com curtíssimas paragens. Que isso surta efeito, que os gelati têm um lugar especial no meu coração.

          O saldo final do dia é: 
       - Ainda vou ser atropelada em Roma. Como é que alguém consegue conduzir nesta cidade? Tudo é caótico. Haver passadeiras ou não é quase indiferente - os carros param em cima delas sem problema algum.
        - Porque há bilhetes individuais de autocarro se ninguém paga para andar neste transporte público? As pessoas entram e acomodam-se como se o estranho fosse passar o bilhete. Nunca tinha visto isto em lado algum. 
          - Regra geral, não me parece que horários sejam uma coisa com grande importância para os italianos. Quem diz que alguma coisa começa as 9h, pode querer dizer que é as 9h30.
        - Por que é que ninguém me avisou que isto é um calor dos diabos? Trouxe pouquíssima roupa que suporte esta temperatura (vim na mala com cinco camisas de manga comprida e apenas com três ou quatro coisas mais frescas. Porquê, senhores, porquê?! Padeço de underpacking)
          - Dores de pés infinitas e cansaço daqui até Marte. 

        

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A aventura Roma começou hoje

          São 22h44 no momento em que começo a escrever isto - mais uma hora que em Portugal. Hoje tive um dos dias mais estafantes de que tenho memória.

          O dia começou lá para as duas e tal da manhã, hora em que acordei (de um sono curto de duas horas) para terminar a mala de porão e a de cabine, certificar-me que não excediam os pesos limite e que não me esquecia de nada fundamental. 
          Uma hora depois estava a rumar ao Porto, onde esperei até as 7h20 para descolar - e omite-se aqui o episódio melodramático de uma despedida que não o é uma vez que daqui a um mês tenho de regressar uns dias curtos a Coimbra.

           O voo com a TAP foi muito tranquilo e o pequeno almoço foi muito mais do que eu esperava. Consolou-me o estômago que só tinha visto água e umas bolachas Maria lá para as quatro da manhã.


          Durante a aterragem comecei a ter umas dores de ouvidos horríveis e fiquei "surda" - estado que ainda se mantém, ainda que ligeiramente mais atenuado. Se alguma alminha souber como solucionar este problema, que se acuse porque ter de entender estrangeiros e não conseguir ouvir são coisas incompatíveis.

          Assim que pisei solo romano foi saudada com um calor que não vi este ano em Portugal. Um abafado tal que até o vento era quente. Ás onze da manhã já os termómetros marcavam 28ºC o que, para ter de andar a carregar quase 30kg em malas foi uma recepção demasiado calorosa. 

          Sempre que precisámos de ajuda (eu e a rapariga que veio comigo) alguém se prontificou a ajudar, a explicar, a encaminhar - mesmo quando o único dialecto em que falávamos era um portulianoglês. Nesse ponto, os italianos já ganharam um lugar no meu coração. Mas depois têm um trânsito absolutamente caótico - pelo que já compreendi, a regra é a inexistência de regras. E também têm ruas sujas sujas sujas.

          Marcámos encontro com o dono da casa para onde viemos morar às 13h. Em italianês isso quer dizer que ele apareceu às 14h, como se fosse normal ter-nos deixado plantadas uma hora, sem ter como sair dali porque as dores de costas já não permitiam carregar mais as malas. 
          Assim que entrámos no apartamento ficámos agradavelmente surpreendidas com o tamanho do quarto. É enorme e tem imensa arrumação (à excepção de cabides). Eu, ao desfazer a mala, fiquei imediatamente preocupada com a quantidade de camisas de manga comprida que trouxe e que de nada me vão servir até Outubro e com a falta de roupa fresca. 
          Depois de uma análise mais cuidada percebemos que a cozinha, adjectivada como "kitchen and living room" pelo dono do apartamento mas que na verdade é minúscula e apenas lá cabem duas pessoas, precisava de uma limpeza a sério. A loiça e afins estava peganhenta, assim como os móveis. 

          Depois de desfazer malas e de ver bem a casa fomos conhecer a área e ver onde eram os supermercados para comprar comida e produtos de limpeza. Percebemos então que os italianos têm lojas por categorias. A mesma cadeia tem uma loja onde só vende detergentes e cremes e outra onde só vende comida e bebida. O choque é acompanhado pelo embate com os preços de tudo. Regra geral, tudo custa o dobro. Ou pelo menos mais um terço do que em Portugal (comprei bananas a 1,89€/kg).
           
          Como só temos quatro braços e tivemos de comprar várias coisas, optámos por vir a casa, comer qualquer coisa e voltar a sair para comprar o que faltava. O nível de energia já estava no menos um.

          Mais uma volta ao quarteirão, adaptador de corrente comprado, lojas dos chineses identificadas, supermercados visitados e compras feitas, regressámos a casa de vez e iniciámos a limpeza. 
          Chão, paredes, armários, todos os talheres, pratos, copos, tachos, louça de servir o comer, louças de casa de banho, tudo! Foi tudo corrido a pente fino com desinfectantes e afins e, apesar do dono do apartamento ter dito que tinham sido feitas limpezas profundas à casa, a água e os esfregões saíram sempre pretos. Tornámos o quarto, a casa de banho e a cozinha num verdadeiro lar. 

          Agora, depois de horas à guerra com o router (e do abençoado do meu irmão, via skype, ter conseguido solucionar o problema), estou com o computador ao colo a lutar por ficar acordada enquanto escrevo isto, sem conseguir manter um raciocínio lógico e uma sequência razoável das ideias de tão cansada que estou. Sinto os meus pés a chorar de tantas dores e amanha as 9h estarei, espero!, a matricular-me. 
          
          

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Unas passou aqui no blog

       O título do post podia ser o início de uma história gira. Mas é maioritariamente surreal. 
       A semana passada, sem que eu imagine como é que o Loooord veio parar a este estaminé cibernético, vi-me no meio de um frenesim no facebook.
       Tinha acabado de chegar a casa e o meu irmão começou a gritar "o Rui Unas está a falar de ti!" - corri para o telemóvel para encontrar isto:

       Esta foi a forma final do post do Rui Unas. A formulação é meio estranha: "Não conheço a Maria Eduarda..." - era suposto conhecer? Não conhecer interfere com o valor da minha opinião (seja ele qual for)? Fiquei com algumas dúvidas se haveria algum tom jocoso na forma como fui "apresentada". 

          Depois espreitei o histórico de edições:

       Não entendi aquele gosta entre aspas. Pretende-se sugerir que não gosto dos intervenientes na série e por isso é que emiti a minha opinião? Ou é só uma "constatação" mais generalista? 
       Seja como for, parece-me claro que se eu não gostasse das pessoas em questão nem teria visto a série. Sigo o trabalho do Rui Unas há anos, o do Manzarra desde o início no CC e o do César desde que começou a fazer sketches cómicos no programa da Fátima Lopes, na Sic. 
       É talvez por gostar tanto do trabalho das pessoas em questão que esperava muito mais da série (ressalvo que ainda só vi o primeiro episódio).

      Em todo o caso, creio que o Rui Unas terá lido uma série de opiniões, algumas concordantes com a minha, que foi a "escolhida", por alguma razão, para ser destacada. Só por isso, agradeço já ao Lord. 

      A parte mais divertida foi ler os comentários ao post. Há pessoal fanático - gente que é incapaz de ter um espírito crítico quando se trata de um "ídolo". Ficam tão cegos, com tanta sede de agradar, que não conseguem apontar um defeito sequer, mesmo quando este pareça óbvio. Para os fanboys e fangirls do Unas, a série estava perfeita, é o melhor feito em Portugal, e choraram a rir do início ao fim do primeiro episódio. 
    
   Enumero então as opiniões e ataques de pessoas cegas pela fome de agradar de quem discorda de mim:

      1 - "Unas, eu li, é falta de sexo!"
       Exacto, parece-me uma conclusão natural. Se alguém consegue olhar para um produto televisivo, pensar e apontar pontos fracos e fortes do mesmo é, obviamente, porque se mete em poucas cóboiadas.

      2 - "Só sabem é criticar mas nem sequer pensam "será que eu fazia". Criticar e mandar abaixo é mais fixe"
      A pessoa que escreveu isso teceu alguns comentários sobre mim, mais que uma vez. Criticar e mandar abaixo é mais fixe, não é? Será que você pensou se faria melhor que eu?
      Além disso: exactamente onde é que eu mando abaixo seja o que for? Ter opinião, pensar, é mandar abaixo? Não fiquei fã do episódio que vi, destaquei os pontos onde achei que funcionou e outros que achei que não resultaram - isso é mandar abaixo?

     3 - "Demasiado grande, não vou ler"
     Pois, é o problema da maioria dos ataques de que fui alvo (sem que soubessem sequer de quem estavam a falar) - ninguém leu! Perceberam que não seria uma opinião unicamente positiva sobre a série e então toca a defender o ídolo, como se eu o tivesse atacado e não o admirasse tanto como eles.

      4 - "É um blog ou uma peça jornalística? É que se for jornalismo tem falta de sal..."
     Agradeço a comparação a um trabalho jornalístico. Em todo o caso, não releio quase nada do que escrevo pelo que muitas gralhas me escapam, peço desculpa. 

      5 - "É um humor inteligente, não está ao alcance de todos"
      Esta é sempre aquela tirada que está na manga. Se algum produto humorístico funciona menos bem (ou fica, simplesmente, aquém das expectativas) é porque alguém é menos iluminado e não o consegue entender. 
      Eu fico sempre com a ideia de que quem usa este argumento para se defender é porque não arranja mais nenhuma maneira de bajular o humorista dizendo que tudo o que faz é soberbo.

      6 - 

      Este foi o melhor comentário que li. Segue daqui, desde já, um abraço ao Johnny, que é de uma perspicácia impar - e para as duas pessoas que concordam com ele.
      Estava-se mesmo a ver que eu, no meu blog com uma audiência louca de 40 visitas, mais coisa menos coisa, por dia, sabia perfeitamente que o Rui Unas vinha aqui parar se eu falasse da série Sal. Era óbvio que o que eu procurava era tempo de antena e "evidência". 


      Este episódio engraçado serviu para eu perceber que a estupidez tem efeito bola de neve. Basta que um idiota diga uma parvoíce qualquer que o idiota seguinte vai repetir a ideia acrescentando a sua colherada. E passado uns minutos já estou a ser insultada por coisas que nem sequer disse, mas que o idiota 24 acrescentou. 
      Ser conhecido deve ser terrível. Não conheço o Rui Unas, mas agradeço que tenha destacado a minha crítica e fiquei com uma ideia do que é ver as palavras completamente deturpadas e pessoal a pegar em títulos e preencher a história a seu gosto.



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

25 dias para ir e...

       ... já comprei o bilhete de avião e já tratei do quarto. Ainda assim, pouco me soa a real. Parece-me que só quando aterrar em Roma é que vou perceber que o que está a acontecer.

       Para já comecei a tratar de algumas coisas.
       Consulta no oftalmologista: check. A graduação mantém-se e é um bom sinal - é a primeira vez que a miopia estagnou. 
       Consulta no dentista: para a semana. O pânico já começou a parar os meus órgãos. Até à data da consulta temo falecer.
       Malas: já debaixo de olho, mas nada comprado. Posso levar duas no porão com 23kg e 10kg. Não faço a menor ideia da tradução deste peso em quantidade de roupa e tamanhos de mala.
       Arranjar o computador: processo que está a ser adiado há um ano. É rezar que já não seja tarde demais.
       Comprar um disco externo: por fazer.
       Encontrar uma máquina fotográfica e comprar cartões: por fazer.

      Entretanto li que o aeroporto onde vou aterrar tem uma elevada taxa de roubo às malas depois de despachadas. Já estou a ver chegar lá com a mala vazia. O pânico.

      Vou só comprar Xanax e já volto.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Ainda há Dia da Defesa Nacional?

       O meu irmão recebeu ontem a carta com a convocatória para ir ao Dia da Defesa Nacional e eu pensava que isso já nem existia. Afinal, que sentido faz manter essa palhaçada formalidade?

       Há uns anos também eu tive de comparecer em Santa Margarida para cumprir o meu dever (?) e passar um dia profundamente entediante e inútil. Tudo soou a campanha do género "isto é tudo tão giro, juntem-se a nós". Se aquilo fosse, efectivamente, assim tão giro, nem precisavam de obrigar o pessoal a perder um dia inteiro a ver vídeos, ouvir palestras e ver armas para tentar convencer alguém a alistar-se na marinha ou no exército. 
      Mesmo que a vida militar seja espectacular, por que carga de água tem essa profissão direito a um dia dedicado a si, com comparência obrigatória que, não sendo respeitada, dá lugar a multa e proibição de exercer funções públicas? É um dia com um propósito absolutamente obsoleto. 

    Ainda convém frisar que o almoço servido foi uma espécie de mixórdia que se assemelhava, muito vagamente, a uma jardineira - e que quase toda a gente deixou ficar no prato. Além disso, para o lanche deram-nos, simpaticamente, um nougat. E já temos um dia chato e marcado pela fome.

     Quando fui chamada, em finais de 2010, o transporte para o campo militar era oferecido. Isto parece-me lógico - se eu sou obrigada a ir, então que me seja dado um meio de transporte. Não faz sentido ter custos com uma coisa que, apesar de obrigatória, é inútil.
       Ás seis da manhã lá fui eu para perto da Câmara Municipal de Coimbra, apanhei o autocarro e rumamos todos para Santa Margarida.

       Na carta que o meu irmão recebeu vêm anexados mais dois papeizinhos. E o que são? Requerimentos para pedir transporte, de ida e/ou de volta. Portanto, o procedimento base já não é oferecer transporte a toda a gente mas pedir que seja apresentado um requerimento. 
        Ainda constatei que há casos em que a data que vem na carta é diferente da que aparece no edital da junta de freguesia. Portanto, isto está tudo num estado de bandalheira total. 

       Portugal é o país onde só se perde tempo com coisas que não interessam para rigorosamente nada e onde os assuntos fulcrais são chutados para debaixo do tapete.

domingo, 10 de agosto de 2014

Sal, uma série a que ainda falta... sal.

       Sal prometia muito. Um projecto que me parecia ambicioso, capaz de explorar novos caminhos do humor português e que reunia três pessoas cujo trabalho eu sigo: César Mourão, Rui Unas e João Manzarra. A ideia de ver estes três nomes na mesma série deixou-me com expectativas altíssimas.

       A série começou devagar e com desilusões e surpresas. O Manzarra é menos actor do que eu imaginei. O Salvador Martinha (humorista num género que não aprecio) tem muito mais piada do que eu pensava. O César, mesmo num boneco com tudo para ser irritante, é uma aposta segura e ganha, com graça em tudo o que faz. O Unas também correspondeu ao que eu esperava.

      Em Sal tudo acontece devagar. Não sei se é porque quiseram dar um ar cinematográfico à coisa, mas ali tudo é lento e isso quebra (pelo menos, para mim) o ritmo de muitas das graças.
      Ainda sobre as piadas há a ressalvar o facto de os guionistas não terem sido capazes de descortinar quais as piadas que só funcionam escritas e as que também funcionam ditas - infelizmente, muitas das primeiras foram escolhidas para entrar na série e, sem surpresas, não resultaram bem. 

        Houve momentos em que me ri muito.
       A cena inicial com o Camané e a busca pelo Salvador é hilariante. A expressão da cara dele, os tempos de resposta, tudo ali funciona. Ri-me. 
       As primeiras vezes que aparece o Mourão também me fizeram gargalhar. O Vitor Norte também esteve bem.
       A sequência da entrada dos quatro protagonistas no aeroporto é muito cómica: o Salvador a oferecer autógrafos, a filmar a multidão que idolatra os outros três e o desconhece; o César em modo vedeta e o Unas a idolatrá-lo. 
       O momento em que o sujeito que vem do mar de cadeira de rodas também foi engraçado.

       Mas houve pontos muito baixos.
       A cena da decisão do guião do filme, em que o Salvador está a mandar ideias sobre a introdução de extraterrestres na história não resulta. As piadas não o são, a cena é demasiado longa e não acrescenta nada de útil à história. É uma daquelas que tem piadas que resultariam escritas.  
       O momento em que surge o Lorenzo também está estranha, lenta e fez-me querer mudar de canal.
       A piada sobre a miúda McCann pareceu-me super forçada.

       Estranhamente, o melhor do episódio foi o teaser com as cenas a ver nos próximos.

       Se tivesse de qualificar este episódio numa escala até cinco, seria um três
       Sal marcou, já com o primeiro episódio, pela inovação, por um género que nunca vi feito em português. O conceito promete e acho que ontem foi só um "cheirinho" daquilo que virá nas próximas semanas. Foi isso que ficou: uma vontade de ver o próximo episódio porque o primeiro só me soube a uma leve introdução com muito pouco... sal.
       
       

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Como se prepara uma mala para seis meses?

      Reuno duas características que formam uma parelha de satanás quando é preciso tratar de alguma coisa importante: sou a mestre da procrastinação e tenho dificuldades em organizar as coisas essenciais. Se regra geral isto leva a que eu encontre caminhos mais rápidos, fáceis e eficazes de resolver qualquer questão, quando o assunto implica que eu passe por várias etapas, tudo se torna caótico.
       Como referi ontem, estou a um mês de ir para Roma. E, adivinhem... Ainda nem sequer comprei a mala. Até poderia começar a organizar roupa, mas nem tenho onde a pôr.

       Nem tudo é negro: com o processo de trazer tudo de Coimbra para casa dos pais concluí que tinha demasiada roupa que não vestia há anos (ou que nunca vesti!) e que mantinha no guarda-roupa por alguma razão idiota. Assim, fiz uma limpeza profunda a todos os meus pertences - um processo quase terapêutico - e tenho agora um quarto com mais espaço livre. 

       Voltando ao assunto da mala, eu não sei sequer por onde começar a organizar-me. Levo roupa de verão? De inverno? Levo lençóis, toalhas? Não tenho balança - como sei que a mala tem o peso permitido pela companhia aérea?
       Se não levo roupa de inverno vou ter frio. Se a levo, a mala fica cheia só com casacos, camisolões e botas. Para piorar a situação, não há Primark em Itália. Se me faltar alguma coisa não tenho ali uma solução fácil e barata à mão - e o mais provável é eu esquecer-me de alguma coisa essencial.

       Alguém devia apostar num ramo de negócio que consistisse em vender malas de viagem já prontas, adaptadas ao estilo, medida e necessidades do cliente. 

Sobre mim

Coimbra viu-me nascer em Fevereiro de 1992. Uns anos depois fui parar a uma cidade no Ribatejo onde muito pouco se passa. Cresci com os Simpsons, o Scooby Doo, Dragon Ball, Pokemon e o Doeraemon (ainda no tempo em que os bonecos falavam castelhano). Os fins de semana até à adolescência eram quase todos passados em casa dos avós em Coimbra, cidade que sempre senti como casa.
Nos tempos livres tive aulas de piano, de natação e de inglês.

Aos quatorze anos decidi juntar-me ao Grupo de Teatro Palha de Abrantes onde fiz algumas peças, leituras e afins, e onde fiquei até acabar o secundário. 

Terminei o secundário na área de ciencias e tecnologias com a certeza absoluta que tinha errado na escolha da área de estudos. Ser escritora, jornalista e advogada parecia-me uma vida de sonho. Optei então por concorrer à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e lá estou a terminar a licenciatura em Direito.

Comecei a morar sozinha e adoptei de imediato a Maria Amélia (Mia para os amigos), a minha gata de estimação que também funciona como meu despertador.

A paixão pela escrita e pelo mundo da comunicação levou a que criasse blogs desde que soube da existência deles, algures com doze ou treze anos. Depois de vários projectos deixados pelo caminho, este blog, criado aos quinze, foi o que se manteve e onde fui crescendo através das ideias escritas partilhadas com o mundo. 

Sonhadora, justa e incapaz de gostar de regras e imposições.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Porquê ir de Erasmus?

      Várias pessoas me têm perguntado a razão pela qual optei por ir de Erasmus para Roma. E a verdade é que não tenho uma resposta para dar. Foi tudo intuitivo. Não fiz pesquisas algumas (que talvez devesse ter feito) sobre as melhores hipóteses para fazer Erasmus de Direito, melhores faculdades, nível/custo de vida, língua em que são leccionadas as aulas, ... Não fiz trabalho de casa nenhum. Tive vontade de ir, sempre adorei a ideia de ir para Itália e mandei-me à candidatura mais ou menos às cegas.
       A verdade é que o que procuro na minha experiência Erasmus é muito mais do que uma mais valia académica - se é que o é. Aquilo que realmente pretendo conseguir com esta mudança na minha vida é crescer. Quero sair da minha zona de segurança, conhecer pessoas novas, dominar a arte do "desenrascanço" sozinha, sair de casa e sentir-me posta à prova. 
       Nos últimos anos tornei-me demasiado caseira. Sinto-me bem a ver filmes ou séries, a ouvir música, a ler, a escrever e a fazer uma série de outras coisas que não envolvam sair de casa e ter de lidar com muita gente. E isso precisa de mudar. Não me parece que haja melhor e mais radical maneira de resolver esta questão do que sair do país durante seis meses e precisar de sair para não enlouquecer. 
       
       Agora cheguei à fase das perguntas todas: será que vou conseguir adaptar-me ao italiano e fazer as cadeiras todas? Onde vou morar? Como vai ser ter de tratar da minha roupa toda sozinha? Quando vou decidir comprar mala de viagem? Que roupa levar? Como raio devo fazer por causa do telemóvel - compro um cartão italiano? O que vou comer - vou ficar um cachalote? Como vai ser ter de partilhar quarto com uma pessoa que não conheço durante seis meses? 
      Sou a mestre da procrastinação pelo que ainda tenho tudo por tratar. O tempo começa a escassear e eu, com tanta coisa por fazer, nem sei por onde começar.

      Em todo o caso, sinto-me pronta para a aventura mais louca da minha vida até à data.

Estou a um mês de ir de Erasmus para Roma

       Algures no primeiro semestre, de um dia para o outro decidi concorrer a Erasmus. Não houve grande pensamento na tomada de decisão - tive vontade de explorar mais mundo e iniciei o processo de candidatura. Depois de muito papel para lá e para cá, muita espera, já só estou a um mês de ir embora. 
       Ainda não tenho quase pronto e, apesar de ainda estar entusiasmadíssima, começam a surgir pequenas preocupações que julgo serem normais neste processo.

       Serve então este post para avisar que, daqui em diante, tenciono usar este espaço cibernético como uma espécie de diário para manter os interessados actualizados sobre esta aventura. 
       Pode ser que seja desta que retorno ao blog com a devida assiduidade. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Lista de coisas de que gosto muito... #2


1 - Baton Diva, da Mac 

2 - Porefessional, da Benefit.

3 - Vestido Romwe, aqui.

4 - Relógio Michael Kors, aqui

5 - Paleta Face Form da Sleek

6 - Mala Zara, 49,95€.

segunda-feira, 24 de março de 2014

A co-adopção

      "Sou favorável, como é evidente, à co-adopção por casais do mesmo sexo e por isso gostava que a lei tivesse passado (...). Mas, o que eu proponho, é que da próxima vez (...) que esta matéria for a votação, organizar um auto-de-fé no Terreiro do Paço e os deputados medievais vão assistir e deixam a votação só para as pessoas que vivem mesmo no século XXI." - Ricardo Araújo Pereira, no Governo Sombra de 21 de Março de 2014.     

      O chumbo do diploma da co-adopção diz muito sobre a hipocrisia da sociedade portuguesa. Encontrei, infelizmente, muitas "pessoas" felizes com o resultado alcançado (e, para meu choque, pessoas instruídas) com argumentos tão obsoletos e descabidos que me questionei se teria recuado no tempo sem me aperceber. Passemos então a analisá-los.


  • A co-adopção é um atentado contra a família.
      Afinal, contra que família? Não entendo este argumento. Exactamente em que medida é que a felicidade de duas pessoas, que por acaso são do mesmo sexo, interfere com a minha? Não sei se sou eu que sou de compreensão limitada, mas não consigo chegar ao núcleo deste argumento.
      Falamos de tradições, que devem ser respeitadas e perpetuadas? Se assim é, regressamos ao início: quem é contra a co-adopção só pode ser obsoleto. 
      Basta recuar umas décadas para perceber que a mulher não votava, por exemplo. Era a tradição. O lugar da mulher era em casa, nas lides domésticas, iletrada e limitada nos seus direitos. Até ao dia em que Carolina Beatriz Ângelo desafiou as regras e votou (em 1911!), sendo a primeira mulher a fazê-lo no nosso país. 
       E a escravatura, também é uma tradição. Quebrá-la foi atentar contra o poder das famílias, não?
       Ou até mesmo a naturalidade com que sempre se lidou com a infelicidade masculina. Quem foram os energúmenos que atentaram contra esta tradição que reforçava a virilidade? Pois, o mundo evolui, as pessoas evoluem e os horizontes expandem-se.
       Olhar para a família como uma instituição estática é ser-se estúpido. A família é um núcleo de carinho, de cuidados, de educação e crescimento. E este núcleo constituiu-se independentemente da forma adoptada: filhos com dois pais, duas mãe, um pai e uma mãe ou apenas um destes. O amor não olha a géneros.


  • As crianças crescerão sem uma figura masculina ou feminina
      Parcialmente verdade. Contudo, isso não é precisamente o que acontece nos casos de mães e pais solteiros? Aí, à semelhança de ter dois pais ou duas mães, as crianças são criadas num ambiente onde apenas têm figura paternal ou maternal. 
      Neste ponto, ter dois pais ou duas mães será, certamente, melhor que ter só um deles. Há um completmento: a criança tem dois adultos que, sendo diferentes (que somos todos diferentes), irão fazer o mesmo que um pai e uma mãe - mostrar maneiras diferentes de lidar com o mesmo problema. 
      Ainda convém relembrar que na co-adopção não se constituem, realmente, famílias novas - elas já existem, apenas carecem de reconhecimento jurídico dos seus direitos e deveres. É uma hipocrisia profunda achar que o chumbo do diploma fará desaparecer esta realidade. Isto é o que eu chamo de tapar o sol com a peneira.


  • As crianças co-adoptadas incorrerão numa maior probabilidade de se tornarem homossexuais
        Este argumento é tão estúpido que me custa crer que alguém acredite nele. 
        Afinal, os homossexuais não são fruto e (quase na sua totalidade) educados em ambientes heterossexuais? Como se explica então que uma criança educada por um pai e uma mãe, sem amigos gays nem "incitamento" algum para "escolher" ser gay, o seja? 
        A sexualidade não se escolhe. Eu não escolhi ser heterossexual - sou-o porque os homens me atraem ao contrário das mulheres. É um factor que eu não controlo, em momento algum decidi gostar de homens. Nasci assim. Para os homossexuais vale precisamente o mesmo.
       É preciso desmontar o preconceito de que a homossexualidade é uma opção, uma escolha que se pode impingir aos outros. 
       Existem hoje uma infinidade de adultos heterossexuais que foram crianças educadas por um casal gay. Repito-me: estas famílias existem, e não é uma "coisa recente". Sempre existiram, sempre existirão. 


  • Os homossexuais não possuem estabilidade nem maturidade (psicológica ou emocional) para educar uma criança
        Outro argumento que eu tenho muita dificuldade em entender. Em que medida é que a sexualidade se reflecte na maturidade de um adulto? Se se reflecte, então esta questão é extensível a qualquer casal, gay ou não. 
        Mais uma vez: este ponto poderá ser discutível no caso da adopção - e é-lo para qualquer casal, independentemente da sua orientação sexual. 


  • As crianças criadas por homossexuais sofrerão de bullying 
       O primeiro argumento com que concordo. Não por funcionar como razão para não defender a co-adopção mas porque é um facto. Mas não sofremos quase todos de bullying? Sim, pelas mais variadas razões: somos magros, gordos, nerds, burros, totós, pobres, caixa de óculos, ... 
        O problema do bullying é, muito mais do que das crianças, dos pais destas. 
        Não me lembro de ter descriminado alguém com base em qualquer um desses factores. Tive amigos de todas as formas e feitios e de todas as classes sociais. Isto foi o que aprendi em casa: que todos temos valor independentemente de onde vimos e de como nos apresentamos. Somos todos iguais e merecemos precisamente o mesmo respeito. 
         Contudo, fui chateada (até impedir que tal continuasse) por ser gorda. Logo, a mesma geração, na mesma escola, tinha valores diferentes, vindos de casa. 
        As crianças, enquanto não atingem a fase em que passam a pensar pela sua própria cabeça, são o espelho dos valores que aprendem em casa. Se os pais são homofóbicos e retrógrados parece-me óbvio que vão agir dessa forma para junto dos seus pares. 
        A questão do bullying resolve-se com os adultos. Enquanto estes forem quem propaga os valores mais que ultrapassados para as crianças (que são barro por moldar), nada mudará. 
         O progresso não deve ser posto em pausa só porque há quem não se consiga adaptar à evolução.


  • Permitir a co-adopção é incentivar a homossexualidade
        Isto é tão descabido que também me custa crer que alguém ainda apoie a tese de que a orientação sexual se escolha ou se pegue a outros.
        A co-adopção é um instituto que permitirá que as famílias (que já existem!) vejam os seus direitos e respectivos deveres reconhecidos. Ninguém está a criar nada, a abrir janela nenhuma - a realidade é que já existem imensas famílias com pais gays em Portugal. 
        Afinal, o que está em causa na co-adopção? Permitir que ambos os pais da criança sejam reconhecidos por lei. Só isso. 
        Imagine-se o caso de duas mãe que criam uma criança. Esta reconhece-as como tal assim como os restantes parentes. Se a mãe não reconhecida legalmente falecer, a criança perde todo o vínculo a esse lado da família - e tem o direito a poder mantê-lo uma vez que também aquelas pessoas também fazem parte daquilo a que ela chama de família.
        Se for a mãe legalmente reconhecida a falecer, o que acontece é que, aos olhos da lei, aquela criança é órfã e cairá, certamente, na rede de orfanatos e abrigos para crianças portugueses que, enfim, já se sabe que não é propriamente o melhor sistema (aí sim, há ausência de figura maternal e paternal).


  • É melhor ter um pai e uma mãe do que dois pais ou duas mães
        Tenho dúvidas que uma coisa seja melhor que a outra. São diferentes, é certo. Quanto a ser melhor, não sei. Acho que o melhor é mesmo ter-se alguém que cuide dos filhos com todo o amor que estes precisam. 
        O melhor é ter pais. Seja um, dois e, dentro desta última hipótese, heterossexuais ou não. 
        É mais um daqueles argumentos que nada tem a ver com a co-adopção: as famílias abrangidas por este diploma não se esfumam só porque ele foi chumbado. Continuarão a criar os seus filhos.


        Ainda li muito por aí que quem é contra a co-adopção fica melindrado porque diz ser alvo de faltas de respeito quando expressa a sua opinião. É mais ou menos o mesmo que apoiar a ditadura, a escravatura ou excisão feminina e pedir para ser respeitado (por se tratarem de ideologias, de tradições, ...).

       É muito difícil ouvir alguém atacar direitos basilares de uma sociedade evoluída e ficar "quieto e calado". 
      
      Os direitos humanos não podem ser uma coisa de moda. Não podem ficar numa gaveta até que a hipocrisia seja vencida. É preciso agir, avançar, respeitar a Constituição e não violar o direito que uma criança tem a uma família que a faça feliz, seja ela em que moldes for.